Autor(a)
Antonia Norma Teclane Marques Lima
Coautor(es)
Marcos Andrei dos Santos Almeida
Andréa de Oliveira Morais
Thamiris Sarah Felipe Souza da Luz
Entre as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), as doenças cardiovasculares (DCV) assumem importante magnitude no cenário epidemiológico. No município de Cedro em 2020, a taxa de mortalidade por infarto agudo do miocárdio foi de 121,16% e em 2021 de 82,08%. Com relação a mortalidade por acidente vascular cerebral em 2020, a taxa foi de 66.45% e 2021 elevou-se para 78.17%. Mediante o desafio epidemiológico, observou-se uma fragilidade nos processos de trabalho relacionados ao cuidado integral e contínuo da população hipertensa e diabética, mesmo com cobertura de 100% da Estratégia Saúde da Família. Então surgiram inquietações como: - O que a gestão e profissionais poderiam fazer para mudar este cenário? – Como acompanhar de forma eficiente o expressivo número de hipertensos e diabéticos vinculados as Equipes da Estratégia Saúde da Família? Diante da realidade desafiadora para o controle de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e dos seus fatores de risco no País, o Ministério da Saúde instituiu a Estratégia de Saúde Cardiovascular (ECV) na Atenção Primária à Saúde (APS), por meio da Portaria GM/MS nº 3.008, de 4 de novembro de 2021. Portanto, com o uso da calculadora pela iniciativa HEARTS para estratificação do risco cardiovascular vislumbrou uma oportunidade de trabalho integral na Atenção Primária à Saúde com base na promoção, estratificação e monitoramento da população hipertensa e diabética na perspectiva de reduzir a mortalidade por DCV no município.
Objetivo Geral Estratificar o risco cardiovascular através da iniciativa HEARTS de pessoas hipertensas e/ou diabéticas da Estratégia Saúde da Família Pega Avoante, como unidade piloto no município de Cedro-Ce. Objetivos Específicos - Monitorar hipertensos e/ou diabéticos após estratificação de risco cardiovascular através da equipe saúde da família e equipe multiprofissional - Promover atenção integral aos indivíduos hipertensos e/ou diabéticos através da equipe da estratégia saúde da família e equipe multiprofissional
A prática iniciou em 2022, com um projeto de intervenção junto aos hipertensos e/ou diabéticos. Foi selecionado a unidade básica de saúde do Pega Avoante como piloto para a intervenção por apresentar uma quantidade relevante de hipertensos (787) e diabéticos (274) cadastrados. No primeiro momento foi apresentação à equipe piloto. No segundo momento as Agentes Comunitárias de Saúde identificaram os hipertensos e/ou diabéticos utilizando uma ficha cadastral (com dados colhidos da ECV) com perfil para o momento de triagem na realização de exames laboratoriais, aferição da pressão arterial, circunferência abdominal, peso e altura e ações de promoção da saúde. Este momento foi realizado com noventa hipertensos e/ou diabéticos. Após os resultados dos exames laboratoriais foi realizado a estratificação de risco utilizando a calculadora proposta pela iniciativa HEARTS (aplicativo). O terceiro momento foi o acompanhamento destes indivíduos pelo médico da unidade e seus encaminhamentos. O quarto momento da prática foram os agendamentos necessários com os médicos especialistas (tele consulta), equipe multiprofissional, garantia da medicação e demais exames para a continuidade do cuidado integral e assim o monitoramento dos riscos apresentados. A prática conta com tele tutorias aos profissionais e tele consultas com os pacientes após a estratificação através da adesão do município com a Universidade Federal de Minas Gerais. Foi adquirido um telefone móvel para as tele consultas.
A identificação para a triagem apresentou um grupo de 90 pessoas hipertensas e/ou diabéticas com perfil de risco cardiovascular, levantados pelos Agentes Comunitários de Saúde da equipe piloto. Deste quantitativo, mostrou a seguinte distribuição: 50 hipertensos, 25 hipertensos e diabéticos e 15 diabéticos. Quando os resultados dos exames e os demais dados deste grupo de pessoas foram aplicados na calculadora hearts para estratificação do risco, foi apresentado a seguinte classificação de risco cardiovascular: 20 pessoas com risco muito alto, 18 com risco alto, 44 com risco médio e 8 pessoas com risco baixo. As 90 pessoas estratificadas foram avaliadas pelo médico da equipe piloto e os dados encaminhados a coordenação do projeto para os agendamentos necessários com especialistas da tele consultoria. De acordo com o grau da estratificação de risco a pessoa foi selecionada para um nível de monitoramento, seja com médicos especialistas e/ou com acompanhamento da nutricionista, educadora física, fisioterapeuta e farmacêutica. Este monitoramento é aplicado em planilha do EXCEL.
A cada etapa vivenciada da prática, expressou significativamente a relevância e a inovação na qualificação da atenção integral às pessoas com condições consideradas fatores de risco para doenças cardiovasculares na Atenção Primária uma vez que trabalha desde a promoção da saúde a estratificação do risco e assim busca tirar o indivíduo de risco cardiovascular muito alto, como promover os de risco mais baixo não evoluírem para um maior risco cardiovascular. Portanto, o município vislumbrou na ECV com foco na estratificação de risco cardiovascular através da iniciativa HEARTS um importante instrumento, frente aos resultados já demonstrados, para a redução da mortalidade por doenças cardiovasculares no município de Cedro. Esta prática é favorável a ser replicada nas outras unidades básicas de saúde do município e em outros municípios uma vez que as DCV estão apontadas como as principais causas de mortalidade em todos os territórios. Para a implementação foram utilizadas tecnologias leves no tocante a interação dos profissionais envolvidos e da comunidade e a sensibilidade da gestão que possibilitou apoio para tornar a prática viável.