autor(a)
Pedro Alencar Cabral Ribeiro
A Biodança é uma Prática Integrativa Complementar (PIC) reconhecida pelo Ministério da Saúde, desde 2017. Ela foi criada pelo chileno Rolando Toro, que se distanciou dos ideais da dança como espetáculo para dar abertura à vivacidade que surge do movimento interno de cada pessoa. Em razão disso, na Biodança não é necessário saber dançar. A sua finalidade consiste em salientar aspectos saudáveis dos indivíduos por meio de vivências em grupo, mediadas pelo canto, danças e músicas específicas. Ao se frequentar sessões de Biodança, regularmente, diversos benefícios são alcançados: dissolução de tensões disposição para o vínculo afetivo aumento da consciência corporal redução do estresse, depressão e ansiedade alívio de dores maior autoestima integração aquisição de novas habilidades comunicativas e o destaque para a saúde em geral. O autor deste trabalho é psicólogo, concluinte da formação em Biodança e realizou estágio nessa área por questões curriculares do seu curso. Logo, foram conduzidas treze sessões, utilizando músicas e movimentos característicos da Biodança, como: rodas, caminhar em pares, encontros, danças, troca de abraços, enfatizando o cuidado em saúde, maior alegria, estímulo da criatividade, vitalidade e construção de vínculos. Os encontros ocorreram de setembro de 2023 a fevereiro de 2024 com um grupo praticante de atividade física, majoritariamente feminino e outro, com estudantes do Instituto Federal do Ceará – IFCE, ambos na cidade de Guaramiranga, CE.
Divulgar os benefícios identificados pela intervenção da Biodança, em parcela de usuários do SUS, da população guaramiranguense.
Para a realização das sessões, utilizaram-se uma caixa de som e um notebook, sendo conduzidas em um espaço amplo, em que houvesse privacidade. Como forma de coletar os resultados, elaborou-se um formulário on-line, o qual foi divulgado através do aplicativo "Whatsapp", aos que se fizeram presentes em pelo menos um dos momentos. Assim, foi-se indagado sobre dados sociodemográficas, como: gênero e faixa etária dos praticantes, e também perguntas sobre a percepção da Biodança, inclusive a respeito da última sessão experienciada, visto que este trabalho se refere a dois grupos distintos e nem todos os membros compareceram ao número total de encontros.
Do total de participantes, dezoito responderam ao questionário. Destes, 77,8% sendo do gênero feminino e 22,2% do gênero masculino. Sobre a faixa etária, 55,6% do público tinha de 35 a 46 anos enquanto que 22,2% entre 18 e 25 anos 16,7% estavam entre 26 e 34 anos e 5,6% contavam com a idade de 59 a 70 anos. A respeito da sessão mais recente, 83,3% classificou-a como excelente e 16,7% como boa. Ao ser perguntado se o participante indicaria a Biodança para um(a) amigo(a), cem por cento afirmou positivamente. Por fim, solicitou-se que os entrevistados definissem em três palavras a última sessão de Biodança da qual participou logo, as que mais se repetiram foram: “leveza (5), relaxante/relaxa (5) e liberdade/libertador (4)”, aparecendo também: emoção (2), revigorante (1), gratidão (1), vitalidade (1), socialização (1), sensibilidade (1), reflexão (1), empatia (1), dentre outras.
A partir do exposto, conclui-se que mesmo sendo uma curta experiência, a prática referida trouxe benefícios para a saúde física, mental, social e espiritual dos participantes, independente da faixa etária e gênero, demonstrando, portanto, o que afirmam os estudos sobre a eficácia da Biodança no que tange o cuidado integral e o aumento do bem-estar e da qualidade de vida dos indivíduos. No entanto, para resultados mais consistentes torna-se necessária a regularidade desses, nas sessões. Por fim, algumas das vantagens de se utilizar a Biodança como forma de cuidado na rede pública de saúde, e até mesmo como objeto de pesquisa, é que esta não necessita de equipamentos onerosos ou de elevada tecnologia, assim como não é obrigatório habilidades cognitivas prévias ou um vocabulário erudito por parte dos dançantes, apenas de um profissional habilitado e da disponibilidade dos sujeitos para se expressarem.