Autor(a)
Jaziane Siqueira Nunes Machado
Coautor(es)
FRANCISCO BRUNO ANASTÁCIO DA SILVA
MARIA JOELMA DA SILVA LIMA
LUCIVANIA SILVERIO DOS SANTOS
JANAINA KESSIA FELIX SOARES
DEYSILANE DOS SANTOS GONCALVES
DANDARA DE LIMA ALMEIDA
JANIELE LOPES LIMA
YARA VIANA MARTINS
ERIVANDA NOGUEIRA DE SOUSA SERPA
PRISCILA BRENDA DE CASTRO MONTE
Este projeto iniciou quando recebemos uma criança de 12 anos com suspeita de abuso pelo padrasto. A criança foi trazida para o posto de saúde do BARROCÃO, localizado no município de Itaitinga, durante o período de maio, quando todas as escolas recebiam profissionais e conselheiros tutelares para abordar esse assunto. Após uma palestra, uma aluna relatou o abuso à sua professora, que encaminhou a criança ao posto de saúde. Ao conversar com a criança, descobrimos que os abusos ocorriam desde os 4 anos e que sua mãe tinha conhecimento, mas ignorava a situação. Percebendo a necessidade de ensinar as crianças a se defenderem, realizamos uma palestra voltada para crianças de 3 a 12 anos, em parceria com os Agentes de Saúde, e desenvolvemos materiais educativos. Após o evento, compartilhamos fotos no Instagram, o que chamou a atenção do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), que nos convidou para realizar o trabalho em todas as creches. Apesar do receio inicial das diretoras, conseguimos mostrar a importância e a abordagem adequada, iniciando o projeto em 2022. Desde então, todos os anos ensinamos às crianças como se protegerem, abordando temas como partes íntimas, toque do sim e do não, segredos e pessoas de confiança.
OBJETIVO GERAL: Orientar crianças de 3 a 12 anos a se protegerem de abusos sexuais. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: Ensinar de forma lúdica sobre partes íntimas e o respeito ao próprio corpo Informar sobre os diferentes tipos de toque e como identificar o toque inadequado Alertar acerca da diferença entre segredos que podem ser guardados e segredos que devem ser revelados Promover a importância de ter uma pessoa de confiança para buscar ajuda Empoderar as crianças, mostrando que elas são capazes de se defenderem.
As atividades são realizadas nas escolas, iniciando nas creches. Com foco na prevenção de abuso sexual infantil, utilizamos o mês de maio com maior número de ações, seguindo as recomendações do Ministério da Saúde acerca do maio Laranja, que é considerado o dia nacional de combate ao abuso e à exploração sexual infantil no Brasil. As ações são realizadas durante todo o mês de maio, em parceria com a Secretaria de Educação, Assistência Social e Secretária de Saúde. É utilizada uma abordagem educativa, por meio de palestras e materiais visuais desenvolvidos em parceria com os Agentes Comunitários de Saúde. Todo material é adaptado a linguagem e a faixa etária das crianças para que a informação repassada garantisse que elas compreendam os conceitos abordados. Além disso, utilizamos caixa de som com músicas que colaborem para realização das nossas ações. As palestras são interativas, estimulando a participação das crianças e promovendo a reflexão sobre os temas. Os materiais desenvolvidos incluem cartazes, ilustrações, que são utilizados durante as palestras.
Através dessas ações intersetoriais, foi possível alcançar um número grande de crianças que participaram das atividades realizadas nas escolas. Diante do número significativo de crianças que estavam nas atividades, temos a certeza de que, de forma lúdica, conseguimos ensinar a se protegerem de abusos que possam acontecer. Ao longo da realização das atividades, recebemos feedback positivo das escolas, creches e famílias, que reconhecem a importância do trabalho que é desenvolvido. Observamos um aumento na conscientização sobre o abuso infantil e uma maior confiança das crianças em buscar ajuda. Salientamos que o trabalho intersetorial entre as Secretarias Municipais de Itaitinga é muito importante, pois facilita o trabalho que se pretende realizar e auxilia na articulação com os demais setores.
Este projeto mostrou-se ser fundamental para a prevenção do abuso infantil em nossa cidade, por meio de ações focais nas escolas. Orientar as crianças desde cedo é essencial para que elas possam reconhecer situações de risco e se protegerem. Nossas ações são contínuas e temos como pretensão de que essas atividades sejam integradas ao currículo escolar, garantindo capacitação aos professores, funcionários da escola, pais e alunos a reconhecerem os sinais de abuso e a agirem de maneira apropriada. Isso pode incluir treinamentos regulares, palestras e materiais educacionais específicos. Entendendo que as escolas desempenham um papel crucial na identificação precoce de casos de abuso infantil. É importante o trabalho da intersetorialidade em estabelecer procedimentos claros para relatar suspeitas de abuso, garantir o suporte adequado às vítimas e encaminhá-las para os serviços necessários são componentes essenciais dessa estratégia. Pior fim, ressaltamos que ações intersetoriais requerem uma colaboração eficaz entre diferentes setores e atores, incluindo escolas, serviços de saúde, assistência social, conselho tutelar, polícia e organizações da sociedade civil.