Autor(a)
Erick Jardel Mendes Pereira
Coautor(es)
A experiência a ser relatada neste trabalho aconteceu no município de Limoeiro do Norte no Serviço de Atenção Domiciliar (SAD). O SAD é uma política do SUS, que visa a promoção à saúde, a prevenção e o tratamento de doenças, assim como a reabilitação, na moradia do paciente, de forma integrada à Rede de Atenção à Saúde (RAS). As doenças vasculares, neurológicas e oncológicas estão entre os principais acometimentos assistidos pelo SAD. Os Cuidados Paliativos (CP), por sua vez, tratam-se de uma abordagem que busca proteger e melhorar a qualidade de vida de pessoas com doenças graves que ameaçam a vida. Desse modo, destaca-se o cuidado integral do ser, o que requer um trabalho interprofissional para prestar assistência não só ao paciente, mas também para a família deste. Para garantir a qualidade dessa abordagem, faz-se necessário o desenvolvimento de políticas públicas específicas, fundamentadas em evidências científicas, além da formação contínua dos profissionais envolvidos. A consolidação desse modelo demanda mudanças profundas no processo de trabalho em saúde, priorizando a centralidade do paciente na elaboração dos projetos terapêuticos e reconhecendo a complexidade do domicílio como espaço de cuidado, marcado por vulnerabilidades e relações sociais diversas. Assim, os CPs no SAD tornam-se estratégia importante para assegurar cuidados contínuos e dignos às pessoas com doenças graves e ameaçadoras da vida.
Relatar e refletir sobre a experiência vivenciada no Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) do município de Limoeiro do Norte, destacando a atuação interprofissional no contexto de Cuidados Paliativos em ambiente domiciliar.
Trata-se de um relato de experiência sobre a atuação de uma equipe interprofissional, composta por um médico, uma nutricionista, uma enfermeira, duas fisioterapeutas e três técnicas de enfermagem, no contexto de CP, no SAD de Limoeiro do Norte, no período de julho de 2024 a fevereiro de 2025. Para este estudo considerou-se todos os pacientes que possuíam doenças ameaçadoras de vida e que se beneficiariam da CP. O perfil de paciente acompanhado pelo SAD são, de um modo geral, as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs). Tais doenças também podem se enquadrar em CP, por exemplo: cânceres, doenças neurológicas progressivas (demências e acidentes vasculares - derrames e isquemias), doenças cardíacas graves (insuficiência cardíaca congestiva), insuficiência renal crônica, doença pulmonar obstrutiva crônica e doenças de origem genética. Para a sistematização da experiência, utilizou-se como referência o modelo de Holliday, que se organiza em cinco etapas: ponto de partida, perguntas iniciais, recuperação do processo vivido, reflexão profunda e conclusões. Esse mesmo modelo foi adotado para a interpretação e análise das experiências, por estar fundamentado na concepção metodológica dialética, a qual entende a realidade social como histórica, dinâmica e em constante transformação, sendo resultado da ação dos seres humanos sobre o mundo.
Observou-se que a integralidade do cuidado foi potencializada pela articulação entre os diferentes profissionais da equipe. Dentre as principais práticas implementadas, destacam-se: a adequada prescrição e ajuste de terapias farmacológicas para controle da dor e de outros sintomas, como dispneia, náuseas e agitação, promovendo conforto e dignidade aos pacientes a atuação da equipe de enfermagem e fisioterapia no manejo de úlceras por pressão, prevenção de complicações respiratórias e incentivo à mobilização dentro dos limites clínicos de cada indivíduo a orientação nutricional na adaptação da dieta às condições clínicas e preferências do paciente, respeitando o apetite e os limites impostos pela progressão da doença a escuta qualificada e o acolhimento contínuo às demandas emocionais, tanto dos pacientes quanto dos familiares, proporcionando espaços para expressão de sentimentos, angústias e expectativas. O ambiente domiciliar favorece uma maior autonomia do paciente e proporciona um espaço de cuidado mais humanizado, no qual vínculos são fortalecidos e decisões compartilhadas são estimuladas. Destaca-se ainda que o envolvimento da família no processo de cuidado foi fundamental para garantir a continuidade das orientações e a manutenção da qualidade assistencial entre as visitas da equipe.
A experiência vivenciada reafirma a importância do CP no ambiente domiciliar como estratégia importante para a promoção da qualidade de vida de pacientes acometidos por doenças graves e ameaçadoras da vida. O cuidado realizado em domicílio, por meio de uma abordagem interprofissional, demonstrou-se capaz de atender de forma integral e humanizada às necessidades físicas, emocionais, sociais e espirituais dos pacientes e de seus familiares, proporcionando conforto, autonomia e dignidade no processo de adoecimento e finitude. Destaca-se que a atuação integrada da equipe de saúde foi determinante para a efetividade do cuidado, permitindo a elaboração de condutas compartilhadas e a execução de planos terapêuticos individualizados, que respeitam não apenas a condição clínica, mas também os valores, desejos e singularidades de cada pessoa assistida. Por fim, conclui-se que o CP, quando aplicado de forma ética, técnica e sensível no contexto domiciliar e interprofissional, contribui para a minimização do sofrimento, a preservação da dignidade e o respeito à vida em todas as suas etapas.