Autor(a)
Bruna Barreto Silva dos Reis
Coautor(es)
Ana Valéria Rebouças Carneiro
Natália Pereira Marquues
Abdiane Lúcia da Silva
A prática de Cuidados Paliativos (CP) no Brasil ainda é um assunto recente e pouco explorado entre profissionais da saúde e sociedade civil, que por vezes causa estranhamento ao discutir sobre a finitude e a deterioração das capacidades funcionais do paciente. A OMS em 2002 revisou o conceito de CP que consistem na assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de uma doença que ameace a vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento, bem como identificação precoce, avaliação impecável e tratamento de dor e demais sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais. Ao deparar-se com a RAS fragilizada buscou-se promover e estimular a integralidade do cuidado desde a identificação precoce, avaliação e tratamento da dor até o respeito a dignidade de viver/morrer na residência/comunidade e incentivo a prática da ortotanásia, morte natural, sem prolongar ou antecipar a morte, através do cuidado compartilhado.
Conscientizar os profissionais de saúde no município de Icapuí sobre o compartilhamento do cuidado em pacientes que estão no estado de finitude
Trata-se de um relato de experiência sobre a inserção do Serviço de Atendimento Domiciliar em CP na Rede de Atenção à Saúde no município de Icapuí-CE utilizando uma abordagem interpretativa e descritiva da experiência. Entre o período de implantação e execução das ações do Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD) na Rede de Atenção à Saúde, de fevereiro a setembro de 2022, percebeu-se a dificuldade de compreensão sobre CP pelos profissionais da Atenção Primária à Saúde, terceirizando a responsabilidade do cuidado em domicílio para a equipe multidisciplinar do SAD. Diante disso elaborou-se critérios de inclusão, ficha de encaminhamento e fluxograma para acesso ao SAD, reuniu-se com as equipes das UAPS`s, para explicar o funcionamento do programa Melhor em Casa e o fluxo de atendimento. A partir da vivência durante o acompanhamento de uma paciente com metástase sem prognóstico de melhora, percebeu-se a dificuldade de realizar o CP em ambiente hospitalar, na tentativa de prolongar o sofrimento, não reconhecendo a ortotanásia. A equipe do SAD sensibilizou a equipe plantonista do Hospital Municipal para evitar intervenções invasivas e transferência para hospitais terciários, onde prolongaria o sofrimento do paciente e da família. Diante disso, reuniu-se com o grupo gestor do Hospital Municipal, secretário de saúde e coordenador da APS para sensibilizar sobre a implantação de uma sala de CP no Hospital, bem como a capacitação dos profissionais para melhor assistência aos pacientes.
Implantação em curso da sala de cuidados paliativos no Hospital Municipal Maria Idalina Rodrigues de Medeiros. Capacitação dos profissionais em CP. E a oportunidade da família de estar com seu ente querido até os últimos momentos de vida no município de residência
O trabalho em rede promove o cuidado contínuo favorecendo qualidade de vida e conforto ao paciente e seus familiares.