Tema: GESTÃO E PLANEJAMENTO DO SUS
autor(a)
Raywilles Ferreira da Silva
O acolhimento é estimado como uma das diretrizes de maior relevância na política de humanização do Sistema Único de Saúde (SUS). Compreendido como uma postura de receber, escutar e tratar de forma qualificada e humanizada o usuário e suas demandas, é considerado um instrumento importante na construção de vínculo, além de assegurar, nos serviços de saúde, acesso com responsabilização e resolutividade. Os princípios ligados ao acolhimento podem inclusive contribuir para produção de saúde no campo de saúde mental. Nesse sentido, o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), serviço destinado ao cuidado de pessoas com transtornos mentais graves e severos, também se inclui na proposta de desenvolver ações humanizadas e acolher os indivíduos de forma a promover um ambiente terapêutico e acolhedor que possa melhorar a qualidade da assistência, favorecendo a relação do usuário/trabalhador e ampliando a intervenção. A intervenção na qualificação da escuta, além de garantir, nos serviços de saúde, a reorganização dos processos de trabalho e o acesso com responsabilização e resolutividade.
Relatar uma experiência vivenciada no estágio na área de saúde mental e discutir a importância do acolhimento como prática humanizada nesse campo.
Trata-se de um relato de experiência de práticas de acolhimento (ações no território) realizadas por profissionais de nível superior, no caso realizado pelo profissional com graduação psicopedagógica, no período de um ano, as intervenções envolveram escuta ativa, validação emocional e orientação, sempre em articulação com a equipe multiprofissional do serviço no CAPS do município de Reriutaba – Ceará.
A forma de acolhimento do CAPS nas ações do território favoreceu a construção de uma relação de confiança no primeiro contato entre o profissional e o usuário, permitindo uma intervenção terapêutica eficiente e voltada para a singularidade do sujeito/família/comunidade. Essa postura diferenciada contribuiu positivamente na inclusão dos indivíduos que foram assistidos por essas ações no serviço, estreitando o vínculo entre profissional e usuário e promoveu uma maior apropriação dos sujeitos que se encontravam em sofrimento psíquico da sua condição de saúde, favorecendo consideravelmente a adesão dos mesmos ao tratamento. Se os serviços de saúde mental qualificarem e humanizarem o atendimento, construindo em equipe, uma assistência centrada no usuário em sofrimento psíquico, o ato de acolher irá se consolidar também em um ato importante de cuidado. e assim, sentindo-se cuidado, o usuário terá mais condições de se responsabilizar e protagonizar toda sua trajetória de tratamento.
O acolhimento apresentou-se nas ações territoriais do CAPS como um propulsor de um modelo de atenção à saúde centrada no atendimento integral do sujeito possibilitando a experiência de relações mais humanizadas entre usuários e trabalhadores. Além disso, ressalta-se que executar essas concepções de acolhimento requer, impreterivelmente, uma atitude de mudança por parte das equipes no seu fazer em saúde, implicando em produzir novas práticas. Por fim, conclui-se que o acolhimento no CAPS é uma estratégia fundamental no cuidado em saúde mental, especialmente no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS).