Tema: GESTÃO E PLANEJAMENTO DO SUS
Autor(a)
Vladia Suyanne Lima dos Anjos
Coautor(es)
JARDENIA FERREIRA LIMA
SARAH ADNA DA SILVA MAIA MOURA
HALLANA DE FATIMA EVANGELISTA BRITO
1.Introdução O transporte sanitário constitui um componente importante para a organização das redes de atenção à saúde, pois possibilita o deslocamento de usuários que necessitam acessar serviços assistenciais em diferentes níveis de complexidade. No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), a organização desse serviço contribui para garantir a continuidade do cuidado e ampliar o acesso da população aos serviços especializados (BRASIL, 2017). Entre as modalidades existentes, o transporte sanitário eletivo destina-se ao deslocamento de pacientes que não apresentam risco iminente de vida, mas que necessitam de acompanhamento durante o trajeto ou apresentam limitações de mobilidade que dificultam o uso de meios convencionais de transporte. A organização desse serviço exige planejamento logístico, definição de fluxos de atendimento e articulação entre os serviços da rede de saúde (BRASIL, 2002). Nesse contexto, a implantação de setores responsáveis pela regulação das ambulâncias pode contribuir para a organização das demandas de transporte sanitário, favorecendo a utilização adequada dos recursos disponíveis e o encaminhamento oportuno dos pacientes para os serviços de referência. A sistematização de experiências relacionadas ao funcionamento desses serviços torna-se relevante, pois possibilita compreender os processos de trabalho desenvolvidos e identificar desafios e potencialidades na gestão do transporte sanitário municipal.
Objetivo geral Relatar a experiência do funcionamento do setor de regulação de ambulâncias em um serviço municipal de saúde. Objetivos específicos Identificar os principais tipos de demandas atendidas pelo serviço Apresentar o quantitativo de atendimentos realizados no período analisado Identificar desafios e potencialidades do serviço de regulação.
Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, elaborado a partir da vivência profissional no setor de regulação de ambulâncias de um serviço municipal de saúde localizado no interior do estado do Ceará. O setor funciona em regime de plantão 24 horas por dia, contando com a atuação de três enfermeiras responsáveis pela regulação das solicitações de transporte sanitário. As demandas são recebidas por meio de telefones celulares institucionais e encaminhadas pelas unidades de saúde da rede municipal através de correio eletrônico. A equipe responsável pela execução dos transportes é composta por dez técnicos de enfermagem e doze motoristas, que atuam em escala de trabalho de 12 horas em dias alternados. O serviço dispõe de oito ambulâncias classificadas como tipo I, destinadas ao transporte de pacientes sem risco iminente de vida, conforme as diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde para organização dos serviços de urgência e emergência (BRASIL, 2002)
Foram realizados 1.404 atendimentos, com média mensal de 234. Observou-se aumento progressivo da demanda, com pico em novembro. Predominaram altas hospitalares (492), seguidas de transferências intramunicipais (372), remoções domiciliares (331) e intermunicipais (209), evidenciando a importância do serviço na continuidade do cuidado e acesso à rede. Tabela 1 – Atendimentos mensais (Jul– Dez 2025) Mês Domiciliar Intramunicipal Intermunicipal Altas Total Julho 45 58 29 70 202 Agosto 54 64 42 83 243 Setembro48 49 28 85 210 Outubro 58 55 38 91 242 Novembro74 74 30 91 269 Dezembro52 72 42 72 238 Fonte: Dados do setor de regulação de ambulâncias, 2025. A existência de um setor estruturado de regulação contribui para organização do fluxo, otimização de recursos e melhoria da assistência, apesar dos desafios relacionados à alta demanda e limitação da frota. Entre os desafios identificados no funcionamento do setor destacam-se a elevada demanda por transporte sanitário e a necessidade constante de organização logística das solicitações. Por outro lado, a existência de um setor específico para regulação das ambulâncias contribui para maior organização do fluxo de atendimento, melhor aproveitamento dos veículos disponíveis e fortalecimento da comunicação entre os serviços da rede de saúde.
A experiência relatada evidencia a importância do setor de regulação de ambulâncias na organização do transporte sanitário no âmbito municipal. A estruturação de fluxos de solicitação e a atuação de uma equipe organizada contribuem para a otimização dos recursos disponíveis e para a garantia do acesso dos usuários aos serviços de saúde. Além disso, a sistematização das atividades desenvolvidas pelo setor possibilita identificar desafios e potencialidades do serviço, contribuindo para o aprimoramento da gestão do transporte sanitário e para a qualificação da assistência prestada à população.