Tema: CONTROLE SOCIAL E PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE NA SAÚDE
Autor(a)
THAYNARA NAZARIO QUEIROZ
Coautor(es)
ISADORA DE SOUSA CORREIA
MIKAELE PATRICIO DE ALMEIDA OLIVEIRA
VITORIA CASTRO BARROZO
ANA ISABELLA MOURA DE LIMA
A construção de vínculo terapêutico é um elemento fundamental para o sucesso das intervenções em fisioterapia pediátrica, especialmente em contextos de atendimento a crianças com dificuldades de interação social, adaptação ao ambiente terapêutico ou resistência a determinados estímulos. Estratégias lúdicas e afetivas podem favorecer a participação ativa da criança, reduzindo barreiras comportamentais e emocionais no processo terapêutico.
Relatar a experiência de uma atividade terapêutica em grupo, denominada “Festa do Pijama”, desenvolvida pela fisioterapia. Estimular a interação social entre as crianças por meio de uma atividade terapêutica em grupo. Promover a criação de memórias afetivas positivas associadas ao ambiente de atendimento fisioterapêutico. Favorecer a adaptação das crianças ao ambiente terapêutico por meio de estratégias lúdicas, estímulos musicais e recursos sensoriais. Estimular experiências corporais e a participação ativa das crianças nas atividades propostas. Incentivar a aceitação da degustação de alimentos ofertados durante a atividade em um contexto social e acolhedor. Reduzir resistências iniciais relacionadas ao ambiente terapêutico e aos estímulos apresentados. Incentivar a participação das famílias no processo terapêutico.
A prática vem sendo realizada desde abril de 2024 no NUTEA do município de Itaitinga, configurando-se como uma série histórica. Ao longo desse período, a atividade tem sido aplicada de forma contínua, possibilitando a observação de seus efeitos e a consolidação dos resultados obtidos. A proposta é planejada pela equipe de fisioterapeutas e organizada em formato de encontros coletivos, favorecendo a interação, o fortalecimento de vínculos e o desenvolvimento das crianças participantes. Para a realização da proposta, o ambiente terapêutico foi preparado com recursos sensoriais e elementos lúdicos, incluindo iluminação sensorial e sons suaves e adequados ao contexto infantil, visando promover um ambiente acolhedor e estimulante. As famílias foram previamente orientadas a trazer as crianças vestidas com pijamas, com o objetivo de reforçar o caráter lúdico da atividade e favorecer a identificação com a temática proposta. As crianças participaram em grupos, estimulando a interação social entre pares. Durante a atividade, foram oferecidos alimentos como pipoca e sucos, promovendo também experiências sensoriais e seletividade relacionadas à alimentação em um contexto social e descontraído.
Inicialmente, algumas famílias relataram resistência das crianças ao ambiente terapêutico e a determinados estímulos, incluindo dificuldades relacionadas à interação social e aceitação de alguns alimentos ofertados. Entretanto, ao longo da experiência da “Festa do Pijama”, foi possível observar mudanças no comportamento das crianças. Muitas demonstraram maior engajamento nas atividades propostas, interação com outras crianças e participação no ambiente coletivo. Também foram observadas superações de algumas dificuldades previamente relatadas pelas famílias, como maior tolerância ao ambiente terapêutico e maior aceitação dos alimentos oferecidos durante o encontro. O caráter lúdico e afetivo da atividade contribuiu para tornar o espaço terapêutico mais acolhedor e significativo para as crianças.
A realização da “Festa do Pijama na Fisioterapia” demonstrou ser uma estratégia terapêutica potencialmente eficaz para fortalecer o vínculo entre criança, família e profissionais, além de favorecer experiências positivas no ambiente terapêutico. Atividades lúdicas e coletivas podem contribuir para a redução de resistências iniciais ao tratamento, estimular a interação social e promover memórias afetivas associadas ao cuidado em saúde. Dessa forma, iniciativas que integrem elementos sensoriais, afetivos e sociais podem representar importantes recursos complementares nas intervenções em fisioterapia pediátrica.