Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
VILALBA CARLOS LIMA MARTINS BEZERRA
Coautor(es)
CRISTIANI NEVES FEITOSA
CLAUDIA MARTINS FEITOSA
ITALO ALEXANDRINO GONÇALVES LOIOLA
JANAINA ALENE CARDOSO CIDRÃO
SAYONARA MOURA DE OLIVEIRA CIDADE
RUTH ALVES SABOIA
O município de Tauá, localizado no sertão dos Inhamuns e com 64.255 habitantes, possui 100% de cobertura de Atenção Primária à Saúde e realiza processos contínuos de territorialização por meio de suas equipes de Estratégia de Saúde da Família. Durante essas territorializações, foram identificadas 1.852 pessoas que se reconhecem como quilombolas, pertencentes à Comunidade Quilombola Consciência Negra, reconhecida oficialmente pela Fundação Cultural Palmares desde 2006. A maior concentração populacional ocorre no bairro Aldeota, onde se evidenciaram necessidades específicas de saúde, determinantes sociais e vulnerabilidades que demandavam uma resposta equânime e culturalmente sensível do SUS. Diante desse cenário, a Secretaria Municipal de Saúde implantou, em 2025, a primeira Equipe de Estratégia de Saúde da Família Quilombola do município, estruturada para atender às singularidades do território. A equipe foi composta por profissionais da APS, incluindo gerente da unidade, médico, enfermeiro, dentista, técnicos de enfermagem e saúde bucal, agentes comunitários de saúde quilombolas, agentes de endemias, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo, assistente social e educador físico. A iniciativa representou um marco histórico para Tauá e para a comunidade quilombola local, assegurando cuidado integral, qualificado e alinhado ao princípio da equidade, fortalecendo vínculos e ampliando o acesso aos serviços essenciais da Atenção Primária à Saúde.
Objetivo Geral: Implantar a primeira Equipe de Estratégia de Saúde da Família Quilombola de Tauá–CE, fundamentada no processo de territorialização, garantindo atenção integral e equitativa à população quilombola. Objetivos Específicos: •Mapear e caracterizar as necessidades sanitárias, sociais e culturais da comunidade quilombola identificada na territorialização. •Organizar o processo de trabalho da equipe de acordo com as demandas reais do território. •Garantir acesso regular, digno e culturalmente adequado aos serviços de Atenção Primária. •Fortalecer o vínculo entre profissionais e comunidade por meio da atuação de ACS quilombolas. •Integrar ações de promoção, prevenção, cuidado e reabilitação no território. •Reduzir desigualdades e ampliar a resolutividade da APS para a população quilombola.
A experiência foi estruturada a partir do processo contínuo de territorialização, realizado pelas equipes de ESF do município, que identificaram e mapearam 1.852 pessoas que se reconhecem como quilombolas. Esse diagnóstico envolveu visitas domiciliares, levantamento socioeconômico, identificação de condições de saúde, mapeamento de riscos e análise das vulnerabilidades do território. Com base nesses dados, a Secretaria Municipal de Saúde definiu a implantação da primeira ESF Quilombola em 2025, no bairro Aldeota, onde se concentra a maior parte da população quilombola local. A composição da equipe seguiu o modelo ampliado da APS, integrando profissionais da ESF e equipe multiprofissional para garantir cuidado multiprofissional. Foram incluídos: gerente da UBS, médico, enfermeiro, dentista, técnicos de enfermagem e saúde bucal, agentes comunitários de saúde quilombolas, agentes de endemias, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo, assistente social e educador físico. A unidade funciona 40 horas semanais, organizando sua rotina com base nas necessidades identificadas, priorizando grupos vulneráveis, acompanhamento de condições crônicas, visitas domiciliares estratégicas, ações coletivas de promoção da saúde, atendimentos multiprofissionais, educação em saúde e articulação com outras políticas públicas. A comunidade quilombola participou ativamente do planejamento e da execução das ações, fortalecendo o protagonismo territorial e garantindo que as práticas de cuidado fossem culturalmente adequadas e dialogassem com saberes tradicionais. Essa metodologia permitiu estruturar um modelo de atenção equânime, centrado nas necessidades reais do território e alinhado às diretrizes da Política Nacional da Atenção Primária à Saúde e a Política Nacional de Saúde Integral Quilombola.
A implantação da ESF Quilombola em Tauá gerou resultados expressivos para o território e para a gestão da APS. Houve ampliação do acesso aos serviços essenciais (acesso à APS), especialmente por meio da presença de ACS quilombolas, que fortaleceram o vínculo entre equipe e comunidade. A organização do processo de trabalho permitiu a melhoria do acompanhamento de condições crônicas, aumento da cobertura de atendimentos multiprofissionais e maior adesão às ações de promoção da saúde. A experiência qualificou a vigilância em saúde, melhorou a identificação de agravos prioritários e ampliou a resolutividade da APS no território quilombola. Observou-se também maior integração entre serviços, maior participação da comunidade nas decisões e fortalecimento da identidade cultural quilombola dentro da política municipal de saúde. A iniciativa representou um marco para o município ao consolidar, na prática, o princípio da equidade do SUS, garantindo cuidado diferenciado e adequado às especificidades de um grupo historicamente vulnerabilizado.
A implantação da primeira ESF Quilombola de Tauá demonstra que a territorialização é uma ferramenta estratégica e essencial para orientar decisões de gestão e promover equidade no SUS. A experiência alcançou seus objetivos ao ampliar o acesso, qualificar o cuidado e fortalecer vínculos com a comunidade, garantindo atenção integral e culturalmente sensível. O modelo é plenamente replicável para outros territórios tradicionais e demonstra alta sustentabilidade, pois está estruturado dentro da política municipal de APS, com equipe completa, rotina organizada e forte participação comunitária. A experiência reafirma o compromisso de Tauá com a justiça social e com o fortalecimento da Atenção Primária como porta de entrada estruturante do SUS.