Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Ana Karinne Dantas de Oliveira
Coautor(es)
Breno Barros Gonçalves
Jaziane Siqueira Nunes Machado
Felipe Queiróz Serpa
Fernanda Freitas Sousa
Germano César Quirino
Brena Sales Mesquita
O município de Itaitinga vivencia um crescimento populacional acelerado, saltando de 35.838 habitantes no Censo de 2010 para 64.648 no Censo de 2022, o que resultou em desafios no acesso aos serviços especializados de saúde, especialmente para a população residente em áreas mais distantes do centro. Diante dessa realidade, observou-se a dificuldade de deslocamento das mulheres de diferentes faixas etárias até a policlínica municipal para consultas com ginecologista e obstetra, impactando a continuidade e a qualidade desses atendimentos. Nesse contexto, foi implementado o projeto “Itaitinga Cuida Mulher”, com foco na descentralização do atendimento especializado para as Unidades Básicas de Saúde (UBSs). A iniciativa surge como estratégia para fortalecer a Atenção Primária à Saúde (APS), promovendo maior equidade no acesso, integralidade do cuidado e melhoria dos indicadores materno-infantis no território.
OBJETIVO GERAL: Descrever a implementação e os impactos do projeto “Itaitinga Cuida Mulher” como estratégia de descentralização e qualificação da assistência ginecológica e obstétrica na APS, visando superar barreiras de acesso à saúde. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: - Relatar o processo de descentralização do atendimento especializado de ginecologia e obstetrícia para as UBSs, aproximando o cuidado das mulheres. - Intensificar a detecção precoce de riscos gestacionais no fortalecimento do pré-natal de qualidade e na melhoria dos indicadores materno-infantis do território. - Evidenciar a promoção da equidade no acesso, demonstrando como a redução das dificuldades de deslocamento favorece a adesão das mulheres ao acompanhamento preventivo e clínico.
Trata-se de um relato de experiência sobre a implementação do projeto “Itaitinga Cuida Mulher”, desenvolvido por meio de parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde, a Coordenação de Saúde da Mulher, a Coordenação da APS, um médico ginecologista obstetra, a Policlínica Municipal e a Central de Regulação. A estratégia consiste na realização de atendimentos semanais, às sextas-feiras, em uma UBS previamente organizada, contemplando consulta especializada, acompanhamento nutricional e suporte para marcação de exames e retornos. O planejamento segue um cronograma rotativo, garantindo que todas as UBSs sejam contempladas uma vez a cada três meses, e a maior UBS do município, uma vez ao mês. As mulheres são acompanhadas pela equipe da APS e inseridas na agenda conforme a necessidade clínica para pré-natal ou atendimento ginecológico, assegurando às gestantes a realização de pelo menos uma consulta com o especialista a cada três meses. Já as demandas de ginecologia são priorizadas de acordo com a necessidade de cada território, visto que as UBSs realizam o rastreio para o câncer do colo do útero e os encaminhamentos de queixas específicas da saúde da mulher.
A implementação do projeto, por meio de cronograma rotativo semanal, ampliou significativamente o acesso à especialidade no território, reduzindo barreiras geográficas e otimizando o fluxo assistencial entre as UBS e a atenção especializada. A estratégia de atendimento às sextas-feiras, somada ao suporte nutricional e à regulação in loco, permitiu uma assistência multiprofissional mais resolutiva e integral. Na ginecologia, observou-se maior agilidade no manejo de queixas específicas e no seguimento de alterações identificadas no rastreio do câncer do colo do útero, realizado pelas equipes de Saúde da Família. A presença do especialista favoreceu a resolução de casos de média complexidade na própria UBS, evitando deslocamentos e reduzindo a fila de espera da Policlínica Municipal. Na obstetrícia, houve aumento na adesão ao pré-natal e o fortalecimento do vínculo entre usuárias e equipes. A articulação com a Central de Regulação agilizou a marcação de exames e a integração com outras especialidades. Além disso, o suporte nutricional intensificou a cobertura da atenção especializada, com foco nas gestantes de alto risco. A atuação na prevenção e no manejo de doenças crônicas e condições gestacionais (diabetes mellitus gestacional, hipertensão, obesidade e anemia) contribuiu para os controles de peso, glicêmico e pressórico, reduzindo intercorrências. Aplicaram-se, ainda, estratégias nutricionais voltadas ao alívio de sintomas comuns do início da gestação, promovendo o bem-estar materno e a qualidade de vida, aspectos fundamentais para a adesão ao pré-natal. Ao final do primeiro ciclo, realizaram-se 271 atendimentos de gestantes, no segundo ciclo, foram 352 atendimentos obstétricos e 40 ginecológicos e, no terceiro ciclo, contabilizaram-se 342 atendimentos de gestantes e 55 ginecológicos.
O projeto “Itaitinga Cuida Mulher” consolidou-se como uma estratégia eficaz de descentralização e matriciamento da assistência especializada. A organização do fluxo por meio de um cronograma itinerante revelou-se uma solução para superar os desafios logísticos e geográficos impostos pelo acelerado crescimento demográfico do município, garantindo que o cuidado especializado chegue a todas as áreas. A iniciativa demonstrou impactos diretos na qualificação do acompanhamento pré-natal e na agilidade do manejo de demandas ginecológicas. Ao integrar a ginecologia, a obstetrícia e a nutrição diretamente no território, o projeto não apenas otimizou a fila de espera da Policlínica Municipal, mas também fortaleceu o vínculo entre as usuárias e as equipes de Saúde da Família. Em suma, a experiência evidencia que a articulação entre os níveis de atenção e a coordenação do cuidado pela APS são fundamentais para promover a equidade, reduzir riscos materno-infantis e garantir a integralidade da assistência à saúde da mulher no SUS.