Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Duciele Araujo Pinheiro Bione
Coautor(es)
Domanne Alexandre de Brito
Jeanne Monteiro Bacurau
Nacha Thais Gondin Marques
Clara Saionara de Brito Francelino Nery
Shayla Martins Alves Francelino
Ana Paula Gomes de Oliveira
Avanusia de Lima
Erika Cardoso Pereira
O Projeto de Braços Abertos inclui a planificação da atenção primária, ambulatorial especializada, atenção hospitalar e a governança regional. Está organizado em 08 Módulos. Para esse relato de experiência foi feito o recorte do desenvolvimento do módulo II, que ocorreu no município de Crato-CE, cujo eixo temático aborda o Território e Gestão De Base Populacional. O conhecimento aprofundado das famílias residentes nas áreas de abrangência das Equipes de Saúde da Família (ESF) constitui elemento central para a elaboração do diagnóstico situacional em saúde, orientando o planejamento e a organização das ações no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS). Nesse contexto, destaca-se a necessidade de qualificação do processo de cadastramento individual e domiciliar da população adscrita, como ferramenta estratégica para a territorialização, estratificação de riscos e vigilância em saúde, contribuindo para o fortalecimento do processo de trabalho das equipes e para a ampliação da resolutividade da APS.
Objetivo Geral Descrever sobre a experiência do desenvolvimento do Módulo II do Projeto de Braços Abertos no município de Crato-CE. Objetivos Específicos Capacitar os profissionais sobre o preenchimento das fichas de cadastro individual e domiciliar dos cidadãos de cada área adscrita Alinhar o processo de trabalho na APS Realizar o diagnóstico situacional do município e de cada área adscrita Realizar o processo de Territorialização.
Trata-se de um relato de experiência acerca do desenvolvimento do Módulo II do Projeto de Braços Abertos realizado em Crato - Ceará, no período de abril a agosto de 2025, que abordou o tema “Território e a Gestão de Base Populacional”. O público-alvo foi composto por tutores municipais, tutores das Unidade de Saúde da Família (USF), e os profissionais da Atenção Primária em Saúde. Foram realizadas capacitações para os Tutores Municipais e tutores das USF, e desenvolvidas as Oficinas nas Unidades de Saúde da Família - USF com a participação de todos os profissionais de saúde. Os profissionais de saúde realizaram uma visita técnica pela USF com ênfase no percurso e acolhimento do usuário e discutiram sobre o plano de ação para realizar o diagnóstico situacional da ESF, balizados pelo processo de Territorialização. Em seguida foi realizada uma Capacitação para todos os profissionais da APS, acerca do preenchimento correto das fichas de cadastro individual e domiciliar, e pactuado as seguintes ações: atualização dos dados dos cadastros individuais e domiciliares, cadastramento de novas famílias, a realização de mutirões para cadastramento das microáreas descobertas de ACS, reorganização do banco de dados das microáreas cadastradas por ESF, realização do processo de Territorialização e a elaboração de um fluxograma de acolhimento do usuário na UBS com a verificação do cadastro individual e domiciliar para o usuário que busca pelo serviço de saúde.
Em março de 2025, havia 73.908 cadastros individuais, o que correspondia a 75% da população cadastrada, no universo de 132.000 habitantes (IBGE, 2024). Foram também evidenciados que 80% desses cadastros não estavam completos. Em agosto de 2025, com a implantação do Projeto de Braços Abertos houve uma expansão nesse número, passaram para 96.799 cadastros individuais completos. Dados preliminares de março de 2026 apontam 102.909 cadastros individuais, e um total de 92% da população cadastrada. Diante desse cenário, foi possível realizar um novo processo de territorialização, o qual possibilitou a implantação de quatro Distritos Sanitários e a redistribuição das famílias entre os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e as equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF). Após esse redimensionamento, houve uma diminuição de áreas descobertas pelo ACS, passando a ser necessária a incorporação de 50 profissionais para cobertura de 365 ruas e sítios ainda descobertos. Ancorados por esses dados foi elaborado o diagnóstico situacional por ESF e um documento final com a descrição do Território de cada ESF e suas respectivas microáreas com suas localidades e quantidade populacional. Essa vivencia trouxe ainda novas lentes sobre o percurso do usuário na USF, reconhecendo a importância da ferramenta do agendamento e a necessidade de instituir a verificação dos dados cadastrais na recepção, como uma oportunidade de abordar o usuário sem cadastro ou com cadastro desatualizado.
Os resultados descritos acima denotam que a experiência vivenciada por meio do módulo II do Projeto de Braços Abertos proporcionou o alcance de resultados efetivos e factíveis de continuidade em relação ao Território, aos cadastros individuais e domiciliares e em especial ao reconhecimento da população e suas necessidades, possibilitando a identificação de problemas e soluções efetivas. Nesse sentido, o Projeto consolida-se como importante estratégia para o fortalecimento da APS, principalmente quanto a qualificação do processo de trabalho e ao aprimoramento da gestão de base populacional no âmbito da Atenção Primária no município.