Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Monalisa Bezerra Figueiredo
Coautor(es)
MONALISA
FIGUEIREDO
MONALISA
FIGUEIREDO
MONALISA
FIGUEIREDO
MONALISA
FIGUEIREDO
Nara Nayane Monte Farias
As doenças crônicas não transmissíveis, como a hipertensão arterial sistêmica e o diabetes mellitus, representam importantes desafios para a saúde pública, estando diretamente relacionadas aos hábitos alimentares da população. Dados do Sistema Vigitel (Sistema de Vigilância de fatores de risco e Proteção para doenças crônicas por inquérito telefónico) incluindo os anos de 2023 e 2024, indicam que a prevalência de hipertensão arterial no Brasil atinge cerca de 27% da população adulta, enquanto o diabetes mellitus alcança aproximadamente 10%, com tendência de crescimento nos últimos anos. No Nordeste, esses agravos apresentam elevada frequência. Em Fortaleza, a prevalência de hipertensão ultrapassa 25%, enquanto o diabetes atinge cerca de 9% dos adultos. O baixo consumo de alimentos In Natura versus o consumo frequente de alimentos processados e ultraprocessados, ricos em sódio e açúcares adicionados, contribui para o agravamento dessas condições e aumento do risco de complicações. No contexto da Atenção Primária à Saúde, as ações desenvolvidas com pacientes hipertensos e diabéticos, os quais participam de grupos do programa Hiperdia, constituem estratégias fundamentais para o acompanhamento e promoção do autocuidado. No entanto, a compreensão das informações nutricionais presentes nos rótulos de alimentos ainda é limitada para muitos usuários, tornando necessária a utilização de metodologias educativas mais acessíveis, práticas e contextualizadas. Estratégias educativas visuais ampliam a compreensão sobre o consumo de sal e açúcar, favorecendo a percepção do consumo real e estimulando mudanças de hábitos e o autocuidado na Atenção Primária à Saúde. Diante disso, foi desenvolvida uma atividade educativa com usuários hipertensos e diabéticos em uma Unidade Básica de Saúde do município de Maracanaú-CE, utilizando uma abordagem visual para demonstrar a quantidade de sal e açúcar presente em alimentos industrializados amplamente consumidos no cotidiano.
Objetivo Geral: Analisar os efeitos de uma ação de educação alimentar e nutricional com grupo Hiperdia, na compreensão dos usuários, na sensibilização quanto ao consumo desses componentes e no estímulo ao autocuidado, utilizando estratégia visual para demonstrar a quantidade de sal e açúcar em alimentos industrializados. Objetivos Específicos: Avaliar a compreensão dos usuários participantes do grupo Hiperdia sobre o teor de sal e açúcar em alimentos industrializados. Identificar a percepção dos participantes quanto ao consumo de sal e açúcar no cotidiano. Analisar a sensibilização dos usuários em relação aos riscos do consumo excessivo desses componentes. Verificar o estímulo ao autocuidado e à adoção de hábitos alimentares saudáveis no contexto do (Sistema Único de Saúde) SUS após a ação educativa.
Trata-se de um relato de experiência realizado em uma Unidade Básica de Saúde no município de Maracanaú-CE, com a participação de 30 usuários diagnosticados com hipertensão arterial e diabetes mellitus, integrantes do grupo Hiperdia e os demais profissionais de saúde: nutricionista, enfermeiros, dentistas, psicóloga e profissional de educação física. A atividade foi conduzida por nutricionista residente, responsável pelos atendimentos e ações de educação alimentar e nutricional da unidade. Como estratégia metodológica, foram utilizadas imagens impressas e embalagens reais de alimentos processados e ultraprocessados, frequentemente consumidos pelos participantes como: temperos prontos, macarrão instantâneo, refrigerantes, bebidas artificiais, achocolatados e biscoitos recheados. Assim como de alimentos in natura também. Inicialmente, os participantes foram convidados a montar de forma lúdica um prato alimentar, utilizando as imagens disponibilizadas, selecionando alimentos que consideravam saudáveis e não saudáveis. Observou-se que durante essa etapa muitos usuários incluíram alimentos industrializados em suas escolhas, evidenciando limitações no conhecimento acerca da classificação e qualidade nutricional dos alimentos. Em seguida, foram apresentadas as quantidades de sal e açúcar presentes nos alimentos industrializados. Esses componentes foram pesados em balança, conforme a gramatura indicada nos rótulos e acondicionados em pequenos saquinhos transparentes, devidamente identificados com etiqueta de gramatura. A exposição dessas quantidades gerou forte impacto visual, evidenciando de forma concreta o elevado teor de sal e açúcar consumido no cotidiano e despertando surpresa e maior conscientização sobre os riscos associados a esses alimentos. A partir dessa demonstração, a nutricionista conduziu a discussão sobre as escolhas realizadas pelos participantes, destacando quais alimentos eram adequados e quais não eram considerados saudáveis, com ênfase nos impactos do consumo excessivo desses componentes para a saúde. Durante a atividade, os participantes puderam visualizar concretamente essas quantidades, enquanto eram realizadas orientações sobre os efeitos do consumo excessivo de sal e açúcar no controle da pressão arterial e da glicemia. A condução ocorreu de forma dialogada, promovendo a participação ativa dos usuários, a troca de experiências e a reflexão crítica sobre os hábitos alimentares.
A estratégia educativa demonstrou impacto significativo na compreensão, percepção e sensibilização dos usuários quanto ao consumo de sal e açúcar. Na atividade de montagem dos pratos, observou-se que muitos participantes incluíram alimentos industrializados como saudáveis, evidenciando lacunas no conhecimento sobre alimentação saudável. A apresentação das quantidades de sal e açúcar, por meio da pesagem e exposição em saquinhos transparentes, gerou forte impacto visual, favorecendo a compreensão concreta do consumo desses componentes no cotidiano. Essa abordagem facilitou o entendimento das informações nutricionais, incentivou à leitura de rótulos dos alimentos e estimulou a reflexão sobre os hábitos alimentares. Houve participação ativa dos usuários, com reconhecimento de práticas inadequadas e manifestação de intenção de mudança, como a redução do consumo de alimentos processados e ultraprocessados e maior valorização de alimentos in natura. A atividade também contribuiu para a sensibilização quanto aos riscos do consumo excessivo de sal e açúcar no controle da pressão arterial e da glicemia, além de estimular o autocuidado. Do ponto de vista da prática em saúde, a experiência reforça o potencial das metodologias ativas e visuais como tecnologias leves no Sistema Único de Saúde, por serem estratégias de baixo custo, fácil aplicação e com elevado potencial de impacto. Tais abordagens favorecem o engajamento dos usuários e qualificam as ações de educação alimentar e nutricional na Atenção Primária à Saúde.
A estratégia educativa visual mostrou-se eficaz na ampliação da compreensão dos usuários sobre o consumo de sal e açúcar, promovendo sensibilização e estímulo ao autocuidado entre participantes do grupo Hiperdia. A utilização de recursos concretos, como a demonstração das quantidades desses componentes, favoreceu a aproximação do conteúdo técnico à realidade dos usuários, tornando o processo educativo mais acessível e significativo. A experiência evidencia que metodologias ativas e visuais, enquanto tecnologias leves no âmbito do Sistema Único de Saúde, possuem elevado potencial para qualificar as ações de educação alimentar e nutricional na Atenção Primária à Saúde. Trata-se de uma estratégia de baixo custo, fácil implementação e alta capacidade de impacto, podendo ser replicada em diferentes contextos e contribuir para o enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis.