Autor(a)
ALINI PONTES CAVALCANTE
Coautor(es)
São variadas as formas de violência vivenciadas por mulheres ao longo da história da humanidade, muitas vezes resultando em mortes, justificadas pelo contexto patriarcal da desigualdade de gênero. O machismo e o patriarcado colocam a mulher em uma relação subalterna, passível a sofrer violência. Assim, podemos dizer que a violência contra a mulher é definida como qualquer ação, baseada na desigualdade de gênero, que cause dano patrimonial, moral, psicológico, físico e/ou sexual. Esse contexto estrutural em nossa sociedade, causa danos pessoais, sociais e de saúde às mulheres que impactam negativamente em suas vidas, fato esse que precisa ser refletido e combatido nos mais diversos espaços. Para desconstruir esse padrão de sociedade machista, se faz necessário políticas públicas efetivas, acesso aos direitos e uma mudança cultural da sociedade. Um dos equipamentos de extrema importância é o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), que através da sua equipe multiprofissional e suas intervenções, atuam nas consequências drásticas na saúde mental. Dentro desta equipe do CAPS destacamos a(o) Assistente Social, essencial para promover o acolhimento e as orientações necessárias neste contexto. Assim, este relato de experiência é sobre as vivências em um grupo voltado para mulheres vítimas de violência que aconteceu no CAPS do município de Crateús-CE, durante os meses de março a novembro de 2024.
Geral: Conhecer a prática profissional do Serviço Social em um grupo com mulheres vítimas de violência no município de Crateús-Ceará. Específicos: Identificar os impactos da violência na saúde mental da mulher Evidenciar a importância do grupo para mulheres vítimas de violência Descrever as contribuições do Serviço Social dentro do contexto violência e saúde Mental
A pesquisa qualitativa é a que se adequou à proposta do estudo, utilizando a técnica de relato de experiência e observação participante que é capaz de interpretar significados, atitudes e sentimentos, além da pesquisa bibliográfica para enriquecer o conhecimento. Os dados foram sistematicamente registrados por meio de anotações mensais em diário de campo embasados nas vivências de um grupo de mulheres cuja saúde psicológica foi profundamente impactada por experiências de agressões sofridas. O lócus da pesquisa foi o município de Crateús, que, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), está situado no estado do Ceará, localizado a aproximadamente 350 km da capital, Fortaleza e tem uma população estimada em 76.934 habitantes. O CAPS do município de Crateús-CE foi inaugurado em dezembro de 1996, passando por uma reestruturação de suas instalações físicas em 2001, mediante exigências advindas do Ministério da Saúde (MS). Constitui-se como um serviço de atenção secundária do SUS, catalogado como CAPS geral, modalidade I O serviço é responsável pela atuação em sua população de abrangência, atendendo a mais variada complexidade de demandas advindas de usuários acima de 03 anos, com transtornos mentais de moderados a graves, possuindo uma equipe multidisciplinar , no qual a Assistente Social faz parte. A pesquisa segue os princípios éticos da Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde em (2012)
O grupo denominado “Encontro de Mulheres do CAPS” tem como propósito promover um espaço acolhedor, seguro e humanizado, onde as participantes possam dialogar sobre uma diversidade de temas, incluindo as experiências de violência que enfrentaram. Além disso, o grupo visa oferecer orientação sobre os direitos das mulheres, estimular a resiliência frente às situações de violência e disseminar informações acerca das formas de proteção e amparo disponíveis. O grupo iniciou em 2018 no CAPS de Crateús, para pacientes, visando o fortalecimento emocional e a promoção da qualidade de vida das participantes. Os convites eram realizados pelas redes sociais, salas de espera e nos atendimentos diários pelos profissionais. Os encontros eram realizados mensalmente, reunindo até 15 mulheres em um ambiente de troca e aprendizado mútuo. A condução ficava a cargo dos residentes e profissionais do serviço, garantindo uma abordagem interdisciplinar. As atividades aconteciam no auditório do CAPS, em um espaço organizado em formato circular, de modo a favorecer a interação e o diálogo entre as participantes. Com duração de 50 minutos, cada encontro explorava uma temática distinta. Os temas abordados durante a participação da assistente social contemplaram aspectos essenciais como autoestima, construção de relações saudáveis, importância dos direitos, reflexões sobre o machismo e a celebração do Dia Internacional da Mulher, com o intuito de promover o empoderamento e autoconhecimento.
É evidente a influência da cultura patriarcal e do machismo na violência contra a mulher, como uma afirmação da superioridade do homem diante da mulher, surgindo várias formas de violência. Compreender e refletir sobre as tipificações da violência contra a mulher enfatizadas pela Lei Maria da Penha é de suma importância para facilitar o reconhecimento das violências nas relações. Assim, políticas públicas voltadas para mulheres vítimas de violência são importantes para trabalhar de forma intersetorial e integral ações voltadas ao adoecimento mental desse público. O CAPS destaca-se como um importante serviço, pois é um dispositivo territorial do SUS, constituído por equipe multidisciplinar que desenvolve atividades como os grupos, promovendo a cidadania, autonomia e inclusão social. Salientamos a Assistente Social como um profissional de saúde pertencente à equipe multiprofissional do CAPS, com suas atribuições e competências privativas. O seu trabalho é fundamentado nas dimensões teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa, estando inserido neste cenário realizando intervenções, técnicas e criticidade, contribuindo para a efetivação do direito à saúde e à vida.