Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Karla Mesquita Lima
Coautor(es)
Beatriz Ferreira dos Santos
Liana Noeme Amaral Santiago
Francisco Maurício Sousa da Silva
Monalisa Bezerra Figueiredo
Ingrid Layane Magalhães de Oliveira
João Lucas Assunção Gadelha
Karla Beatriz Nogueira de Mesquita
Francisca Michele Paulino da Silva
Thaise de Oliveira Rodrigues
A Atenção Primária à Saúde (APS) constitui a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde, sendo responsável pela coordenação do cuidado e pela garantia da integralidade da atenção. No entanto, práticas ainda centradas no modelo biomédico podem limitar a abordagem ampliada das necessidades dos usuários, evidenciando a necessidade de estratégias que promovam o cuidado integral. No município de Maracanaú-CE, a vivência da residência multiprofissional em Saúde da Família e Comunidade possibilitou a implementação de atendimentos multiprofissionais como estratégia para fortalecimento da clínica ampliada na APS. A experiência foi desenvolvida em uma Unidade Básica de Saúde, com a participação de residentes das áreas de odontologia, enfermagem, nutrição, educação física, psicologia e serviço social. Os atendimentos ocorriam, em sua maioria, às quartas-feiras, de forma organizada, reunindo profissionais de diferentes núcleos para avaliação conjunta dos usuários. O público-alvo foi composto por usuários adscritos à unidade, especialmente aqueles com demandas complexas, condições crônicas e necessidades que extrapolavam o cuidado uniprofissional. A proposta surgiu da necessidade de qualificar o cuidado ofertado, ampliando o olhar sobre o processo saúde-doença e fortalecendo a resolutividade da APS. Assim, a experiência buscou integrar saberes e práticas, promovendo escuta qualificada, construção compartilhada de condutas e maior vínculo com os usuários, alinhando-se ao princípio da integralidade e ao fortalecimento do SUS.
Objetivo geral: Relatar a experiência de atendimentos multiprofissionais realizados por residentes em uma Unidade Básica de Saúde, evidenciando a vivência da clínica ampliada como estratégia de promoção do cuidado integral na Atenção Primária. Objetivos específicos: Descrever a organização e a dinâmica dos atendimentos multiprofissionais no contexto da residência em Saúde da Família e Comunidade Analisar as contribuições da atuação interprofissional para a ampliação do cuidado aos usuários da APS Evidenciar os impactos da clínica ampliada na qualificação da assistência e no fortalecimento do trabalho em equipe.
Trata-se de um relato de experiência, de natureza descritiva, desenvolvido no contexto da residência multiprofissional em Saúde da Família e Comunidade, no município de Maracanaú-CE. A experiência foi realizada em uma Unidade Básica de Saúde, no período de atuação dos residentes, envolvendo profissionais das áreas de odontologia, enfermagem, nutrição, educação física, psicologia e serviço social. A estratégia adotada consistiu na organização de atendimentos multiprofissionais semanais, realizados predominantemente às quartas-feiras, a partir da identificação de usuários com demandas complexas, condições crônicas ou necessidades que demandavam abordagem ampliada. Os usuários eram selecionados pela equipe, considerando critérios como vulnerabilidade social, dificuldade de adesão ao tratamento e necessidade de cuidado interdisciplinar. Os atendimentos eram realizados de forma conjunta, com escuta qualificada e participação ativa de todos os profissionais, possibilitando a construção compartilhada do plano de cuidado. Durante as consultas, abordamos aspectos clínicos, psicossociais e comportamentais, ampliando a compreensão do processo saúde-doença. Como instrumentos, utilizamos prontuários, discussão de casos, planejamento conjunto e articulação com outros pontos da rede de atenção, quando necessário. A experiência também envolveu momentos de reunião da equipe para avaliação das condutas, troca de saberes e reorganização do processo de trabalho. As etapas incluíram: identificação dos usuários, planejamento dos atendimentos, realização das consultas multiprofissionais e avaliação contínua das intervenções propostas. A prática foi integrada à rotina da unidade, favorecendo sua viabilidade e aplicabilidade no contexto da APS.
A implementação dos atendimentos multiprofissionais promoveu mudanças significativas no processo de cuidado na Unidade Básica de Saúde. Observamos ampliação da resolutividade da Atenção Primária, com redução da fragmentação da assistência e maior integração entre os profissionais. Usuários acompanhados por meio dessa estratégia apresentaram melhora na adesão às condutas propostas, especialmente em casos de condições crônicas e demandas complexas. A construção compartilhada do plano terapêutico possibilitou intervenções mais adequadas às realidades sociais e subjetivas dos usuários, favorecendo continuidade do cuidado. Destaca-se o fortalecimento do vínculo entre equipe e usuários, evidenciado pela maior participação nos atendimentos e maior abertura durante a escuta qualificada. Houve também ampliação da identificação de necessidades anteriormente não abordadas em atendimentos individuais. No âmbito da equipe, a experiência contribuiu para o desenvolvimento de práticas colaborativas, com maior integração entre os núcleos profissionais e fortalecimento da comunicação interprofissional. Observamos ainda maior segurança dos residentes na tomada de decisão e ampliação da capacidade de análise dos casos. A estratégia impactou positivamente a organização do processo de trabalho, favorecendo a APS como coordenadora do cuidado e reduzindo encaminhamentos desnecessários para outros níveis de atenção, demonstrando potencial para qualificação do acesso e do cuidado integral.
A experiência demonstrou que a incorporação da clínica ampliada por meio de atendimentos multiprofissionais é uma estratégia potente para qualificar o cuidado na Atenção Primária à Saúde, fortalecendo a integralidade, a resolutividade e o papel da APS como ordenadora da rede. Além de promover impactos positivos na assistência aos usuários, a iniciativa contribuiu significativamente para a formação em saúde, estimulando práticas interprofissionais, pensamento crítico e construção compartilhada do cuidado. A estratégia mostrou-se viável, de baixo custo e facilmente aplicável em outros contextos, especialmente em equipes de Saúde da Família e programas de residência, configurando-se como uma prática inovadora no enfrentamento da fragmentação do cuidado. Reforça-se, portanto, a importância da adoção de práticas colaborativas como caminho para a consolidação de um modelo de atenção centrado no usuário, alinhado aos princípios do SUS e à proposta de fortalecimento da porta de entrada como espaço de produção do cuidado integral.