Tema: GESTÃO DO TRABALHO E DA EDUCAÇÃO NA SAÚDE
Autor(a)
Lívia Lima Gurgel
Coautor(es)
Evelyn Cristina de Sousa Penas
Thaynah Barros de Araújo
Joyce Elayne Silva Morais
Carleide Damasceno Risaffi
O presente trabalho trata-se do relato de experiência sobre atividades intersetoriais desenvolvidas no município de São Gonçalo do Amarante - CE, durante o mês de setembro de 2021. Em 2021, o município de São Gonçalo do Amarante aderiu ao Programa Vidas Preservadas, do Ministério Público do Estado do Ceará, que almeja capacitar e socializar informações para os diversos atores sociais, garantindo recursos públicos destinados a políticas públicas intersetoriais que busquem efetivar a prevenção ao suicídio. O suicídio é um problema de saúde pública que atinge diversas culturas e regiões. Refere-se à violência autoprovocada intencionalmente com expectativa parcial ou total de um resultado fatal. Em setembro ocorre, em todo o território nacional, a campanha conhecida como “Setembro Amarelo”. Considerando a complexidade e importância do tema, a comissão do Projeto Vidas Preservadas promoveu a articulação de diversas ações intersetoriais no município, durante o mês de setembro de 2021, com o objetivo de contribuir ao enfrentamento ao suicídio e com a educação em saúde mental, visando alcançar setores da sociedade civil, profissionais que atuam nas diversas políticas públicas do município (saúde, assistência social, educação) e a sociedade em geral. Dentre as ações, destacam-se os Encontros Intersetoriais como uma iniciativa inovadora e relevante para o fortalecimento da rede e o fomento da discussão sobre saúde mental e prevenção do suicídio no município.
OBJETIVO GERAL: Articular ações intersetoriais de enfrentamento ao suicídio e educação em saúde mental durante o mês de Setembro em São Gonçalo do Amarante. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: Mobilizar e qualificar a rede intersetorial sobre a temática do suicídio e saúde mental no geral Incluir comunidade e família em momentos de discussão e diálogo sobre o tema Fomentar estratégias de prevenção do suicídio e valorização da vida junto a diferentes públicos.
O planejamento das ações implementadas durante o mês de setembro foi realizado pela Comissão Municipal Intersetorial de Prevenção do Suicídio, que foi criada a partir do decreto nº 5.280 de maio de 2021, integrando profissionais da saúde, educação e assistência social. Por meio de reuniões, a agenda foi construída considerando as possibilidades dos profissionais envolvidos nas ações, o território do município de São Gonçalo do Amarante (dividido entre Sertão, Praia e Sede), de forma que diferentes setores fossem incluídos nas ações propostas. As ações realizadas foram: Caminhadas e bicicletada em alusão ao Setembro Amarelo (nas diferentes regiões do município) Participação na rádio para falar sobre o tema Rodas de conversa com adolescentes e professores municipais Dois encontros de famílias Dois Encontros Intersetoriais com técnicos da Saúde, Educação, Assistência e Conselho Tutelar Panfletaço/blitz educativa Capacitações na UPA, Hospital Municipal e SOS (Serviço semelhante ao SAMU 192). O Encontro Intersetorial se destacou como uma experiência exitosa e inovadora, pois reuniu técnicos no sentido de promover uma reflexão ampliada e com capilaridade, de modo a contemplar a apresentação da rede nas diferentes políticas (Saúde, Assistência Social e Educação). Além disso, foi realizada uma exposição dialogada acerca do Programa Vidas Preservadas, além de exposição sobre a temática do suicídio (dados epidemiológicos, fatores de risco e de proteção, manejo e fluxo na rede).
Participaram dos Encontros Intersetoriais 102 profissionais que atuam diretamente com o público-alvo. Ao longo do evento, abordou-se a importância do fortalecimento da rede socioassistencial, da rede de saúde e do sistema de garantia de direitos, compreendendo que a intersetorialidade é uma profícua estratégia de prevenção ao suicídio e que é necessário alinhar fluxos, manejo e protocolos. Também foram compartilhadas experiências exitosas e as dificuldades de tratar essa temática nos espaços institucionais, sendo necessária a educação continuada, bem como o maior investimento municipal nas políticas públicas que visem prevenir o suicídio, especialmente de crianças e adolescentes, que, conforme preconiza o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/1990) é prioridade absoluta do poder público. Foram expostas as inquietações dos profissionais da educação, tanto nas rodas de conversa, quanto no Encontro Intersetorial, acerca da temática e o quanto estes são desafiados pela expressiva demanda de alunos com comportamento suicida, fomentando a necessidade de profissionais de saúde mental no ambiente escolar, bem como a democratização do acesso desse público aos cuidados especializados na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Ademais, abordou-se a elaboração de indicadores que contemplem o perfil sociodemográfico de pessoas com comportamento suicida no município, cujo intuito é planejar e avaliar/monitorar ações e estratégias governamentais efetivas de prevenção do suicídio.
Com as ações propostas, foi possível dialogar com profissionais que atuam nas diferentes Políticas Públicas, e com setores da sociedade civil, o que amplia as possibilidades de acolhimento inicial àqueles e aquelas que vivenciam um sofrimento mental intenso, além de buscar ou realizar encaminhamentos adequados para a rede de saúde mental do município, garantindo o cuidado necessário para pessoas com comportamento suicida. Também pontua-se a relevância dessas ações no enfrentamento de mitos que permeiam a temática e produzem estigmas e dificuldades no atendimento desse público. Além disso, é crucial que os profissionais sejam habilitados para notificar casos de tentativas de suicídio, produzindo dados epidemiológicos condizentes com a realidade sanitária de São Gonçalo do Amarante. As ações aqui expostas foram desenvolvidas durante o mês de Setembro de 2021, considerando que, mundialmente, este mês é referência no enfrentamento do suicídio, uma questão de saúde pública que vem se agravando ao longo dos anos. Pontua-se, entretanto, o desafio de que tais ações possam ser articuladas de forma contínua durante o ano, e não somente em um mês específico, considerando a relevância dessa problemática e a urgência no seu enfrentamento.