Autor(a)
Vania Mesquita Rodrigues
Coautor(es)
Marissol Santos Freire de Sá
Antonio Weynisson Felix Santana
Ana Patrícia Sousa Ximenes
Isabelly Ribeiro Araújo
Referente à Política Nacional de Atenção Básica de 2017, é de responsabilidade comum a todos os membros das equipes de Atenção Primária à Saúde (APS) realizar visitas e atendimentos domiciliares em toda a variedade de moradias do território. As ações devem ser executadas conforme o planejamento da equipe multiprofissional, buscando atender às necessidades da população. Compete também ao cirurgião-dentista (CD) da Equipe de Saúde da Família (ESF) realizar visitas domiciliares com o objetivo de oferecer promoção e prevenção em saúde, contribuindo para a atenção em saúde bucal individual e coletiva às famílias (Brasil, 2017). A odontologia domiciliar tem como finalidade orientar os pacientes, juntamente com seus cuidadores, sobre como realizar de maneira eficaz a higienização oral e seguir os planos de tratamento, buscando eliminar fatores etiológicos das doenças bucais e preservar a integridade da saúde (Dias et al., 2024). De acordo com as normas que regem as Políticas Nacionais de Saúde, foram realizadas visitas domiciliares pela Equipe de Saúde Bucal (ESB) no município de Varjota-CE, no bairro Acampamento, entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025. Nesse contexto, foi notada a ausência de solicitação de visitas domiciliares odontológicas e a evasão dos idosos nas consultas odontológicas. Diante disso, verificou-se a necessidade do desenvolvimento de um plano de ação, juntamente com a equipe e os Agentes Comunitários de Saúde (ACS), para a realização de visitas domiciliares.
O presente trabalho tem como objetivo apresentar a relevância das visitas domiciliares realizadas pela Equipe de Saúde Bucal da Equipe de Saúde da Família no processo de promoção e prevenção da saúde. Por meio de tratamentos paliativos, reabilitadores e da orientação adequada sobre saúde bucal, é possível minimizar os riscos de desenvolvimento e agravamento de doenças.
O referido trabalho trata-se de um relato de experiência de caráter descritivo sobre a atuação de uma Equipe de Saúde Bucal (ESB) em atendimentos domiciliares da Unidade de Saúde da Família do bairro Acampamento, no município de Varjota-CE, entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025. A experiência ocorreu de acordo com o plano de ação traçado pela (ESF) e pelas cinco ACS, sendo os principais pacientes atendidos aqueles acamados, com deficiência, com dificuldade de locomoção até a unidade, diabéticos e hipertensos que não tinham registro de visitas ou consultas odontológicas. Foram realizadas cinco visitas por semana, organizadas pelas ACS, que acompanhavam os atendimentos e repassavam informações sobre a saúde dos pacientes. Os atendimentos iniciavam com anamnese e exame intraoral, seguindo para procedimentos quando era possível realizá-los em domicílio e/ou para orientações. Quando necessário, realizavam-se encaminhamentos para biópsias. Em casos de focos infecciosos e alterações em tecidos orais, providenciavam-se encaminhamentos e, em alguns casos, disponibilização de transporte para a realização dos procedimentos. Para avaliação e realização dos atendimentos, foram utilizados kit clínico, curetas para raspagem, kit para restauração, clorexidina 0,12%, gazes, algodão, material para restauração, abaixador de língua, luvas, guardanapo, fichas para encaminhamento e receituários. Todo o material utilizado intraoralmente era estéril
No tocante à saúde bucal, os cuidados domiciliares são compreendidos como um conjunto de ações voltadas para a educação em saúde e prevenção de doenças, criando abordagens que estabelecem uma comunicação ativa e colaborativa com a família e com outros profissionais da equipe de saúde, garantindo um atendimento integral (Alves et al., 2021). A respeito da ação, dentre todas as avaliações realizadas, os achados clínicos mais pertinentes foram alterações em tecidos moles, infecção fúngica, fístula oral, doença periodontal, processos inflamatórios e dentes com extensa destruição. Com isso, as principais ações realizadas em domicílio foram voltadas para prevenção e redução de danos à saúde por meio de orientação para o paciente e para os cuidadores sobre higiene oral e cuidados com próteses. Como também, limpeza profilática, tratamento restaurador e medicamentoso para doenças fúngicas e encaminhamento para atenção secundária. Além disso, foi possível levar pacientes para serem atendidos na unidade de saúde, os quais necessitavam realizar remoção de focos infecciosos causado por gengivite, periodontite e cáries extensas, uma vez que, microrganismos podem surgir na boca e serem propagadas à corrente sanguínea, acarretando no agravamento de doenças sistêmicas como diabetes, endocardite e alteração da pressão arterial. Dessa forma, a odontologia domiciliar promove o bem-estar e eleva a qualidade de vida.
Portanto, percebe-se a importância de expandir a atuação do profissional de saúde bucal além do ambiente clínico do consultório odontológico, possibilitando sua inserção em outros espaços, como a atenção domiciliar (Da Silva et al., 2023). Além disso, é possível integrar o paciente à rede de atenção à saúde, garantindo um acompanhamento contínuo e articulado com outros níveis de assistência (Cardoso, 2024). Essa ampliação permite uma abordagem mais abrangente da saúde do indivíduo, sem restringir o foco exclusivamente à cavidade bucal. Assim, o cuidado odontológico se torna mais integrado, promovendo uma prática que estimula a transdisciplinaridade.