Autor(a)
CARLOS HENRIQUE CARVALHO DE ALBUQUERQUE BEZERRA
Coautor(es)
Alex Josberto Andrade Sampaio
Daniela Cavalcanti e Silva Novais Carvalho
Maria Rosilene Cândido Moreira
Sheyla Martins Alves Francelino
O município de Barbalha, situado ao sul cearense, foi fortemente impactado pelas chuvas ocorridas no início do ano de 2022, ocasionando danificações na sua macrodrenagem, provocando vários pontos de alagamento, com danos materiais para inúmeras residências, comércios e pontos da malha viária na zona urbana e rural.
Este relato de experiência visa apresentar estratégias adotadas pelas autoridades de saúde pública diante desse desastre de origem natural no que diz respeito a Vigilância em Saúde Ambiental dos riscos associados aos desastres.
As precipitações chuvosas com formação das enchentes ocorreram nos dias 12 e 13 de abril de 2022, com volumes de 74 e 51mm, respectivamente, segundo dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME). Houve um trabalho integrado mais intenso nos três primeiros meses pós desastre entre as secretarias municipais da saúde, obras e urbanismo, desenvolvimento social e defesa civil municipal, visando atender os cidadãos atingidos pelas condições climáticas desfavoráveis. Para o planejamento das medidas de enfrentamento, realizou-se estudo descritivo, com abordagem quantitativa, em que se utilizou como banco de dados as informações divulgadas pela FUNCEME e o relatório de danos e prejuízos emitido pela Prefeitura Municipal de Barbalha. Partiu-se da estimativa de 15.700 pessoas afetadas, algumas situações envolvendo inundações nos domicílios, três famílias desabrigadas e 38 desalojadas, as quais foram acolhidas em abrigos sociais, casas de familiares ou amigos. Além disso, a análise da água para consumo humano coletada nesse período apresentou alteração microbiológica, tornando impróprio seu consumo.
A estimativa de prejuízos ocasionados foi de R$ 10.224.858,47, que foram investidos na reconstrução da infraestrutura urbana e estruturas prediais das unidades habitacionais e instalações públicas. O trabalho integrado entre as pastas municipais envolvidas resultou na restruturação da defesa civil municipal, criação de um abrigo temporário em uma escola de ensino fundamental para acolher as famílias desabrigadas, oferta de alugueis sociais, doações de cestas básicas e refeições, kits de higiene, roupas, colchões, camas, redes, cobertores, móveis, eletrodomésticos e água potável. Atendimento médico e psicossocial também foi oferecido aos munícipes afetados. Houve registro de duas internações hospitalares, uma internação psicossocial, distribuição de medicamentos e atividades de arte terapia com as crianças abrigadas. A coordenação municipal de vigilância ambiental, por meio de busca ativa e palestras educativas, seguiu monitorando e orientando comunidades que apresentaram alterações fisioquímicas e microbiológicas na água analisada.
Decorrente desta situação, vislumbrou-se a necessidade da elaboração de um Plano Municipal de Contingência para Desastres e a criação de um Comitê Municipal de Saúde em Desastres, com a implantação do Vigidesastres, a fim de planejar, orientar, coordenar a atuação do setor saúde na execução de ações de prevenção, preparação e resposta aos desastres de origem natural ou de origem antropogênica, capacitação dos profissionais de saúde através do Núcleo de Educação Permanente (NEP), a revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (PDDUA) e intervenções, como a revitalização e proteção da bacia hidrográfica dos riachos do Batoque e do Ouro, que cortam a sede do município de Barbalha-CE. As autoridades de saúde pública permanecem na vigilância dos dados e prestando assistência à comunidade atingida.