Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Lucas Messias Augusto de Sousa
Coautor(es)
Stefane Costa Mendes
Ana Karolaine Martins Maximo
Ivo de Oliveira Leal
Antonio Weynisson Felix Santana
A incidência de dor lombar crônica tem aumentado com a idade, com uma razão de acordo com alguns estudos de 1 a cada 3 pacientes, principalmente idosos, apresentando alguma queixa de dor. Sabe-se que acima dos quarenta anos de idade a dor lombar no público idoso está associada com transtornos patológicos da coluna vertebral (SAKAI et al., 2022). Evidências mostram que a degeneração dos discos intervertebrais é muito mais prevalente no idoso e está intimamente associada a intensidade do quadro de dor. Além disso, a perda de massa muscular, conhecida como Sarcopenia, surge quanto mais avançada a idade (SAKAI et al., 2022). Mais que isso, sabe-se que a ativação de grupos musculares lombares, espinhais e pélvicos pode contribuir na estabilidade da coluna vertebral, melhorando a capacidade de controle nervoso do esqueleto bem como, favorecendo uma melhora da amplitude das vértebras e por conseguinte, uma melhora da percepção da dor crônica (IBRAHIM AKINDELE GANIYU, 2023). Fortes evidências e protocolos de exercícios já sugerem que o fortalecimento dos músculos da coluna vertebral pode favorecer um melhor controle da dor crônica, principalmente da dor crônica lombar, através de um mecanismo fisiopatológico em que os neurônios motores dos músculos paravertebrais encaminham respostas neurais aos neurônios da dor contrabalanceando a sensibilização destes ao limiar de dor que os é recebido (IBRAHIM AKINDELE GANIYU, 2023). Tendo em vista essas evidências, o trabalho se destinou a relatar a experiência de reunir um grupo de indivíduos, principalmente idosos, que sofrem de dor lombar crônica da comunidade adscrita da unidade básica para um momento de exercícios de alongamento e fortalecimento da coluna vertebral através da orientação e supervisão de fisioterapeuta, equipe de enfermagem e médico, durante um turno matutino no espaço de convivência da Unidade Básica, além do uso da Escala Visual Analógica da Dor como instrumento avaliador da ação nos participantes.
Relatar a experiência de reunir um grupo de indivíduos que sofrem de dor lombar da comunidade adscrita da unidade básica de saúde para um momento de exercícios de alongamento e fortalecimento da coluna vertebral junto da equipe multidisciplinar através da orientação e supervisão de fisioterapeuta, equipe de enfermagem e médico, durante um turno matutino no espaço de convivência da Unidade Básica de Saúde. Avaliar o impacto da atividade no quadro de dor lombar dos indivíduos através da aplicação da Escala Visual Analógica da Dor (EVA) considerando a subjetividade da queixa antes e após os exercícios de alongamento.
Este estudo de relato de experiência consistiu em primeiro momento da busca de evidências que sustentassem a tese de que exercícios de alongamento e fortalecimento de músculos da coluna vertebral podem melhorar tanto a compreensão como também os acessos de crises de dor crônica lombar com foco no público idoso. Para tanto, buscou-se estudos mais recentes nas plataformas de dados PubMed e Scielo em segundo momento, organizou-se uma reunião entre a equipe de saúde da unidade básica de saúde Doutor Aluísio Máximo de Menezes e equipe multidisciplinar do município para delinear data, horário, número máximo de participantes na atividade para melhor supervisão da atividade. Os exercícios sugeridos ao público pela equipe de fisioterapia observaram as características físicas dos participantes composto em sua maioria de pacientes da unidade com idade superior aos cinquenta e cinco anos, observando as limitações físicas individuais de cada participante, respeitando a possibilidade de os indivíduos nunca terem passado pela atividade proposta e, portanto, poderem ter em determinado momento algum acesso de dor. A atividade durou o período de um turno matutino, com cerca de 1 hora de atividades de alongamento e exercícios de fortalecimento da coluna vertebral, com momento de conversa com os participantes para avaliar o impacto dos exercícios nas suas percepções da dor, e os indivíduos passaram por atendimento médico onde foi aplicado a escala visual analógica da dor (EVA) já amplamente utilizada durante as anamneses médicas, servindo de instrumento avaliativo do impacto da atividade na condição clínica do paciente (GUSSO LOPES, 2018). A EVA foi aplicada individualmente para cada participante, considerando uma nota antes e após os exercícios oferecidos, avaliando se houve impacto positivo na condição da dor dos indivíduos.
Dados do relatório individual do Prontuário Eletrônico mostra que de 374 atendimentos realizados entre os meses de janeiro a fevereiro de 2026, 140 eles foram de pacientes acima de 60 anos, e desse universo, 17 apresentavam queixa de dor crônica de coluna vertebral, totalizando cerca de 12% das queixas para esse público, isso quando apenas questionado o motivo principal da consulta. Portanto, esses números não só indicam as condições físicas citadas acima, como suscita nos profissionais a necessidade de se trabalhar questões como independência e mobilidade. Foi aplicado individualmente para cada participante a o instrumento de Escala Visual Analógica da Dor (EVA) com duas perguntas especificas: 1. Antes da realização dos exercícios que valor você considerava para a dor lombar que você apresentava? 2. Após a realização dos exercícios que valor você considera para a dor lombar que você apresenta agora?. Como resultado quantitativo, das 15 avaliações individuais obteve-se que 02 indivíduos que antes consideravam sua dor de numeração 7, tiveram nova pontuação de número 3 02 indivíduos que tiveram descrição de dor em número 8 tiveram nova pontuação em número 3 02 indivíduos que tiveram descrição de dor em número 10, tiveram nova pontuação em número 4 um indivíduo com pontuação em 8 obteve uma nova pontuação em número de 6 um indivíduo com pontuação em 8 descreveu nova pontuação em 2 dois indivíduos com pontuação em 9 descreveram nova pontuação em 4 03 indivíduos com pontuação em 6 descreveram nova pontuação em 2 um indivíduo com pontuação em 5 descreve nova pontuação em 2 e apenas 01 indivíduo com pontuação em 10 descreveu nova pontuação em 8 pois o mesmo apresentava queixa clínica de dor lombar aguda ocasionada por esforço físico anterior e que também era motivo de consulta médica.
Atividades como essa descritas reforçam o papel da unidade básica de saúde como centro de compartilhamento do cuidado, observando os princípios da integralidade e longitudinalidade instituídos dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). Ao possibilitar a integração entre cuidado médico e cuidado em fisioterapia no paciente com determinada queixa como a de dor lombar crônica, possibilita um olhar multidisciplinar em tempo real com o paciente, mas também uma troca de saber técnico entre os profissionais, tendo em vista que apesar de serem áreas que compartilham muitos discernimentos científicos, guardam particularidades cientificas que podem reordenar e fomentar novos horizontes de abordagem clínica centrada no paciente. Para além disso, ao passo que se traz o profissional de Fisioterapia para o contato com o paciente dentro da unidade, também se reduz a espera por uma avaliação especializada, reduz a necessidade de um possível encaminhamento, instiga a independência do paciente no cuidado da sua condição clínica e reduz a lista de espera dentro da equipe multidisciplinar.