Autor(a)
Janaina Mota Da Rocha
Coautor(es)
Elizamara Silva Saldanha Lima
Uyara Mara Costa de Sousa
Vivia Maria Gonzaga Xavier
Geyirlane Deyse da Silva Lourenço
A Puericultura é a área da saúde que se dedica aos cuidados com o ser humano em desenvolvimento, no acompanhamento do desenvolvimento infantil, na prevenção e detecção precoce de agravos que possam comprometer toda a vida do indivíduo. O Ministério da Saúde recomenda um calendário mínimo de consultas para assistência à criança, com o intuito de promover a saúde, a vacinação de rotina, o tratamento das doenças e orientação aos pais no desenvolvimento intelectual e emocional da criança. A Gestão da Atenção Primária, em Horizonte, durante o processo de monitoramento das ações relacionadas ao Pré natal, Puerpério e Puericultura, identificou uma redução dos atendimentos, visitas puerperais tardias, dificuldade em iniciar o Pré natal até a 12ª semana de gestação, baixa adesão a vacinação infantil de rotina e a ausência nos sistemas de saúde dos registros das doses aplicadas. No período de 2019 a 2021, identificamos as seguintes informações: em 2019 foram 8.498 atendimentos de puericultura em 2020 identificamos 4.670 atendimentos, num cenário de pandemia e consequentemente, afastamento de alguns públicos da rotina na APS, e em 2021 foram 3.329 atendimentos, ou seja, ainda numa escala decrescente de consultas relacionadas a saúde da criança no primeiro ano de vida. Portanto, no sentido de superarmos a situação, traçamos estratégias de enfrentamento conjuntas e não isoladas, em que de mãos dadas compartilhamos responsabilidades com a rede intersetorial de serviços municipais.
Incentivar a puericultura intersetorialmente, desde o pré-natal, buscando promover a continuidade das consultas no primeiro ano de vida da criança, conforme recomendação do Ministério da Saúde, como também contribuir para a melhoria da atenção à saúde e fortalecimento da estratégia intersetorial entre saúde, educação e assistência social na manutenção da saúde das crianças.
Implementamos ações de intensificação a saúde da criança, de forma intersetorial, estimulando a responsabilidade familiar, sensibilizando as gestantes para a adesão a essa prática desde o período prénatal e verificando a continuidade das consultas, conforme calendário recomendado pelo Ministério da Saúde no primeiro ano de vida da criança. A experiencia vem sendo implementada nas unidades básicas de saúde, nos domicílios das famílias do Programa Criança Feliz, CRAS, CEI´s e nas microáreas descobertas de Agentes de Saúde. As ações intersetoriais estimulam a responsabilidade familiar, sensibilizando as gestantes para a importância desde o período pré-natal e posteriormente, as puérperas no acompanhamento da saúde e desenvolvimento da criança, considerando a família e o contexto social no qual estão inseridos. São implementadas pelas equipes de saúde da família e o Programa Criança Feliz, através dos visitadores sociais, como também a articulação com a comunidade em geral, destacando as áreas descobertas de ACS, com a realização do atendimento e vacinação itinerante. Buscamos o fortalecimento da política da Primeira Infância nos espaços de garantia de direitos e a capacitação dos profissionais da educação sobre o calendário vacinal.
A solução implementada proporcionou um atendimento ampliado, contínuo e efetivo na assistência à criança, contribuiu para a melhoria da atenção à saúde, utilizando estratégias diversificadas e colaborativas, com papéis definidos, entre os atores socais e com momentos de discussão para ajustes e maior aproximação da realidade que está inserido. Os resultados foram o aumento no ano de 2022 dos atendimentos de puericultura, em que finalizamos em 5.763, ou seja, 79% das crianças nascidas em 2022, foram acompanhadas pela rotina de cuidado na APS, com a visita do profissional de enfermagem na primeira semana de vida e posteriormente, as consultas preconizadas na literatura científica relacionadas à Saúde da Criança. O cenário em 2020 foram 59% das crianças receberam o acompanhamento, enquanto em 2021 apenas 43% das crianças foram atendidas na APS. O cuidado da criança demanda visão de integralidade em todos os aspectos, postura acolhedora, escuta qualificada, vínculo e responsabilização. Da mesma maneira, é necessária a visão integral dos demais pontos da Rede de Atenção à Saúde, potencializando os recursos disponíveis para oferecer a resposta mais adequada e resolutiva as necessidades impostas. Cada intervenção, de cada profissional das equipes de saúde e da rede intersetorial, de acordo com a sua competência, adiciona saberes e possibilidades de atuação integral sobre a criança.
A prática inovadora Amigos da Criança da Mãos Dadas, é uma estratégia que estimula a busca ativa, a realização das visitas domiciliares periódicas pelos profissionais de saúde e visitadores sociais, a implementação de capacitações voltadas para os profissionais da rede intersetorial, a mobilização dos profissionais de saúde para o cuidado descentralizado em áreas mais complexas e a disseminação das ações nos diversos pontos da rede intersetorial. Possui caráter relevante, pois promove a oportunidade de atuação e intervenção em tempo oportuno, de prevenção, de promoção e de assistência. As lições apreendidas foram a integração da rede e a colaboração em torno de um objetivo único. A prática apresenta aspectos de equidade quando buscou trazer o serviço de saúde em territórios descobertos de ACS e valorizou os vários saberes dentro do contexto da família e sociedade.