Tema: MODELO DE ATENÇÃO À SAÚDE
Autor(a)
Luana Bandeira de Mello Amaral
Coautor(es)
Mauro Bruno dos Santos Barbosa
Ana Erika dos Santos Sousa
Tatiana Farias de Melo
Bruna Maria Mendes Santos
A fisioterapia pélvica é uma especialidade voltada para a prevenção e tratamento das disfunções do assoalho pélvico, como incontinência urinária e fecal, disfunções sexuais e dor pélvica crônica. Estima-se que entre 30% e 50% das mulheres apresentem algum tipo de disfunção do assoalho pélvico ao longo da vida, impactando significativamente a qualidade de vida, a saúde mental e as relações sociais. O tratamento fisioterapêutico inclui recursos como exercícios específicos para a musculatura do assoalho pélvico, biofeedback, eletroestimulação e orientações comportamentais, sendo considerado a primeira linha de tratamento para muitas dessas condições. Diante da alta demanda e do elevado custo do tratamento no setor privado, a oferta desse serviço no sistema público de saúde torna-se fundamental para ampliar o acesso ao cuidado especializado. Pensando em todos esses impactos gerados a essas mulheres e da demanda vinda do setor de ginecologia, o município do Eusébio resolveu implantar no serviço municipal a fisioterapia pélvica. Experiência vivenciada no período de 2024 a 2025, tendo como público alvo usuários mulheres que apresentem alguma disfunção do assoalho pélvico. A proposta é frequentemente multidisciplinar e foca em restaurar a funcionalidade à mulher.
Relatar a experiência da implantação do serviço de fisioterapia pélvica na rede municipal de saúde do município de Eusébio, Ceará, voltado ao atendimento de mulheres com disfunções do assoalho pélvico. Específicos: Melhorar a consciência perineal e ganho de mobilidade pélvica das pacientes Melhorar a funcionalidade da musculatura do assoalho pélvico Reduzir o número de pacientes com disfunções miccionais, evacuatórias e sexuais Reduzir o número de pacientes encaminhadas para cirurgias.
Trata-se de um estudo descritivo do tipo relato de experiência, realizado no período de 2024 a 2025, no serviço municipal de saúde do município de Eusébio–CE. O público-alvo foi composto por mulheres com diagnóstico ou queixas relacionadas a disfunções do assoalho pélvico, encaminhadas principalmente pelo setor de ginecologia. A iniciativa foi incorporada à rotina do serviço municipal como dispositivo de continuidade ao cuidado,visando a resolutividade das queixas e sintomas de cada paciente. O ciclo de atendimento foi inicialmente com 12 atendimentos, com possibilidade de aumento de atendimento dependendo de cada caso e evolução. Sendo o atendimento realizado 1 vez na semana com duração de 30 minutos, a abordagem ocorreu de forma integrada com outros profissionais da rede de atenção à saúde. As pacientes foram submetidas à avaliação fisioterapêutica individualizada, seguida de plano terapêutico. Esse processo é composto por uma anamnese detalhada e por exame físico específico, permitindo a análise funcional da musculatura do assoalho pélvico, bem como das estruturas associadas. A avaliação funcional da musculatura do assoalho pélvico pode ser realizada por meio de palpação digital vaginal, que permite analisar força muscular, resistência, coordenação, capacidade de relaxamento e presença de dor à palpação. Escalas específicas, como a escala de Oxford modificada, podem ser utilizadas para graduar a força muscular. Recursos complementares, como biofeedback, perineometria ou eletromiografia de superfície, também podem ser empregados para avaliar a atividade muscular e auxiliar na reeducação perineal. Dessa forma, a avaliação fisioterapêutica pélvica possibilita identificar alterações funcionais e estruturais do assoalho pélvico, subsidiando a elaboração de um plano terapêutico individualizado, direcionado às necessidades específicas de cada paciente.
RESULTADOS: No período de 2024 a 2025,de execução da experiência no Eusébio tínhamos 347 pacientes aguardando o atendimento fisioterapêutico. 253 pacientes receberam atendimento individualizado, 74 recusaram atendimento, sem contato ou desistência e 20 pacientes aguardam serem chamadas. A implantação do serviço possibilitou ampliar o acesso das mulheres ao tratamento especializado em fisioterapia pélvica no sistema público de saúde, favorecendo o manejo de condições como incontinência urinária, dor pélvica crônica, disfunções sexuais e reabilitação no período gestacional e pós-parto. Observou-se melhora na funcionalidade do assoalho pélvico, redução de sintomas e impacto positivo na qualidade de vida das usuárias atendidas. Apesar do número ainda reduzido de encaminhamentos na rede de saúde, o serviço tem contribuído para o fortalecimento da atuação multiprofissional e para a sensibilização dos profissionais da rede quanto à importância do cuidado com o assoalho pélvico feminino. A falta de informação ainda é o principal obstáculo para que essas mulheres busquem tratamento adequado como a fisioterapia pélvica.
A implantação da fisioterapia pélvica na rede municipal de saúde mostrou-se uma estratégia relevante para ampliar o acesso das mulheres ao tratamento das disfunções do assoalho pélvico. A atuação fisioterapêutica contribui para a prevenção, tratamento e reabilitação dessas condições, promovendo melhora funcional e qualidade de vida, além de reduzir a necessidade de intervenções mais invasivas. A experiência reforça a importância da inserção desse serviço no sistema público de saúde.