Tema: GESTÃO DO TRABALHO E DA EDUCAÇÃO NA SAÚDE
Autor(a)
MICARLA DA COSTA SOARES
Coautor(es)
DEUSDETE MAYARA DE OLIVEIRA
MARIA RANNIELLY DA SILVA FAUSTINO
SABRINA SILVA SANTOS
PAULA CELLY AGUIAR SANTOS
LOURDES MARIA BARBOSA REIS
ANA NERY RODRIGUES REIS
MARIA MADELEIDE SILVA MAIA
FRANCO JUAN BRAGA
MARIA THALIA DAMASCENO DA SILVA
A imunização é uma das principais estratégias de prevenção em saúde pública, coordenada pelo Programa Nacional de Imunizações, responsável por garantir acesso universal às vacinas no Brasil (BRASIL, 2026). Apesar da ampla oferta, observa-se na Atenção Primária à Saúde (APS) dificuldades na aplicação adequada das recomendações do calendário vacinal, especialmente em situações que exigem tomada de decisão. A experiência foi desenvolvida no município de Icapuí-CE, no ano de 2025, com profissionais atuantes em salas de vacinação. A iniciativa surgiu a partir da identificação, durante supervisões técnicas, de inconsistências nas condutas vacinais no cotidiano do serviço. Para investigar essas lacunas, foi aplicado um instrumento estruturado por meio do Google Forms, contendo casos clínicos baseados em situações reais da prática, abordando vacinação em diferentes faixas etárias, situações especiais e contraindicações. A proposta fundamenta-se na necessidade de qualificação profissional, considerando que falhas na imunização podem comprometer a segurança do usuário, a qualidade da assistência e os indicadores de cobertura vacinal, que vêm apresentando redução nos últimos anos no país (BRASIL, 2022).
Objetivo Geral Avaliar o conhecimento sobre imunização entre profissionais da Atenção Primária à Saúde. Objetivos Específicos Identificar lacunas no conhecimento técnico por meio de casos clínicos Avaliar a percepção dos profissionais sobre seu conhecimento Subsidiar ações de educação permanente em saúde.
Trata-se de um relato de experiência, de caráter avaliativo, desenvolvido na Atenção Primária à Saúde do município de Icapuí-CE. A estratégia institucional consistiu na aplicação de um instrumento estruturado, por meio de formulário eletrônico, direcionado aos profissionais atuantes em salas de vacina. O desenho operacional da experiência foi organizado em dois eixos: conhecimento técnico e prática profissional. O primeiro incluiu 11 casos clínicos baseados em situações reais do cotidiano, abordando calendário vacinal, vacinação de gestantes, manejo do risco de tétano, atrasos vacinais e contraindicações. Os casos clínicos foram elaborados com base nos princípios da Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP), aproximando a avaliação das situações reais do serviço e favorecendo a análise do raciocínio dos profissionais. O segundo eixo avaliou a percepção dos profissionais quanto ao nível de conhecimento, necessidade de capacitação, uso do Prontuário Eletrônico do Cidadão e registro das vacinas. As etapas compreenderam elaboração do instrumento, aplicação, coleta e análise descritiva dos dados. O uso de ferramenta digital possibilitou agilidade na coleta e identificação de padrões de resposta. A experiência foi conduzida no âmbito da gestão municipal, com participação das equipes da APS.
Os resultados evidenciam que, apesar do bom desempenho em algumas situações, ainda há dificuldades importantes na tomada de decisão em imunização. Destacam-se fragilidades na vacinação de adolescentes e gestantes (38,9% de erro), bem como em situações envolvendo atraso vacinal (50% de erro) e indicações específicas, como febre amarela (38,9% de erro), evidenciando dificuldades na aplicação prática do calendário vacinal em contextos mais complexos. Apesar do bom desempenho em temas como manejo do tétano (94,4%) e não reinício de esquemas vacinais (100%), as inconsistências identificadas podem comprometer a qualidade da assistência e favorecer a ocorrência de erros de imunização. Esses achados são relevantes, considerando que falhas na prática vacinal podem impactar diretamente a segurança do usuário e a efetividade das ações de imunização. Na dimensão gerencial, a predominância de conhecimento autodeclarado moderado (61,1%) e a elevada necessidade de capacitação (77,8%) reforçam a importância da educação permanente como estratégia para qualificação das equipes. A atualização contínua dos profissionais mostra-se essencial para garantir práticas seguras, fortalecer a tomada de decisão e contribuir para a melhoria dos indicadores de vacinação. Além disso, embora haja reconhecimento unânime sobre a importância do registro (100%), ainda existem fragilidades na prática, o que pode comprometer o monitoramento e o planejamento das ações em saúde. Dessa forma, os achados reforçam a necessidade de estratégias que integrem avaliação e educação permanente, visando qualificar as práticas em imunização e fortalecer a Atenção Primária à Saúde.
A experiência demonstrou a existência de lacunas relevantes no conhecimento em imunização entre profissionais da APS, impactando a qualidade da assistência e a efetividade das ações de vacinação. Os objetivos foram alcançados ao identificar fragilidades técnicas e operacionais, evidenciando a necessidade de fortalecimento da educação permanente. Recomenda-se a implementação de estratégias educativas baseadas em casos clínicos, supervisão contínua e qualificação do uso dos sistemas de informação. A experiência apresenta elevada aplicabilidade e potencial de replicação em outros municípios, podendo contribuir para o fortalecimento das ações de imunização no SUS.