Tema: GESTÃO E PLANEJAMENTO DO SUS
Autor(a)
ANDREIA CRISTINA ALMEIDA DE MEDEIROS
Coautor(es)
EMANUELE DEMETRIO FAÇANHA
NEUSALIDIA FERREIRA EVANGELISTA
HERBERT RABELO GIRÃO
EVANDISA MARIA FREITAS DOS SANTOS
DEBORAH MOTA FEITOSA GONÇALVES LANDIM
NAYARA SOUZA MARINHO
A qualidade das ações de imunização na Atenção Primária à Saúde – APS está diretamente relacionada à organização das salas de vacinação, à capacitação técnica das equipes e à fidedignidade dos registros realizados. Fragilidades estruturais, inconsistências nos processos de trabalho e ausência de suporte técnico contínuo podem comprometer a segurança na administração dos imunobiológicos e a confiabilidade das informações vacinais. O município de Maracanaú conta com 31 salas de vacinação distribuídas nas seis Áreas de Vigilância em Saúde – AVISAS. Em 2021, diante de fragilidades observadas na rotina das salas, iniciamos um processo sistemático de visitas técnicas com foco na avaliação dos procedimentos técnicos e dos sistemas de informação utilizados na imunização. Identificamos, naquele momento, atrasos significativos na digitação de vacinas de rotina, inconsistências nos registros do PEC e do SI-PNI (COVID-19 e Influenza), além de falhas relacionadas à técnica de aplicação, armazenamento de imunobiológicos, monitoramento de temperatura, descarte de resíduos e organização dos cartões controle. O cenário evidenciava a necessidade de reorganização do processo de trabalho e de fortalecimento da gestão das salas de vacinação.
Objetivo Geral Relatar a experiência do município de Maracanaú-CE na implantação do apoio técnico permanente como estratégia de gestão para qualificação das salas de vacinação no período de 2021 a 2025. Objetivos Específicos • Identificar e corrigir fragilidades técnicas, estruturais e organizacionais nas salas de vacinação por meio de diagnóstico situacional e supervisões sistemáticas • Reorganizar e padronizar os processos de trabalho, fortalecendo o registro oportuno nos sistemas de informação, o monitoramento adequado da cadeia de frio e a organização dos cartões controle • Implementar educação permanente baseada nas necessidades identificadas nas supervisões.
Trata-se de um relato de experiência sobre a reorganização do processo de supervisão técnica das salas de vacinação do município. Entre 2021 e 2025, realizamos visitas técnicas sistemáticas nas 31 salas de vacina, avaliando: • Sistema de Informação e-SUS/PEC • SI-PNI (COVID-19, Influenza) • Organização do processo de trabalho • Técnicas de aplicação • Armazenamento e conservação de imunobiológicos • Monitoramento de temperatura e manutenção dos equipamentos de refrigeração • Biossegurança e descarte de resíduos • Organização dos cartões controle. Inicialmente, adotamos uma abordagem predominantemente fiscalizadora, com identificação de falhas e retorno programado para reavaliação. A partir de então, reformulamos nossa atuação, estruturando o apoio técnico permanente, com orientações individualizadas, intervenções in loco, padronização de fluxos e acompanhamento contínuo das equipes.
Em 2021, realizamos diagnóstico situacional nas 31 salas de vacina e identificamos 21 unidades com atraso na digitação de rotina, 14 com atraso em campanhas, registros sem Cartão SUS/CPF, falhas técnicas na aplicação, armazenamento e descarte, fragilidades nos cartões controle e uso inadequado de equipamentos térmicos. Evidenciamos que as falhas eram estruturais e processuais. Em 2022, observamos avanços: 100% das salas informatizadas, digitação em tempo real e redução expressiva dos atrasos, com maior integração ao SI-PNI. Persistiam inadequações técnicas e organizacionais. Reformulamos nossa atuação, realizando orientações práticas in loco, retirada de equipamentos inadequados, reorganização dos cartões controle, padronização do monitoramento de temperatura e criação do Procedimento Operacional Padrão – POP para as salas de vacinação. Em 2023, ampliamos o olhar para problemas sistêmicos do Sistema Privado, como perda de registros, erros de lotes e dificuldades no registro de BCG e Hepatite B. Identificamos ainda fragilidades organizacionais, como deslocamento de técnicos e falhas no controle de retornos. Consolidamos o apoio técnico permanente como estratégia de gestão. Em 2024, fortalecemos a qualificação das equipes. Observamos maior segurança técnica e melhor organização das salas. Realizamos capacitações sobre técnica de aplicação, diluição, conservação, fluxo da sala e segurança do paciente, estruturadas a partir das fragilidades identificadas nas supervisões. Em 2025, intensificamos o escopo formativo com capacitações sobre ESAVI, profilaxia da raiva humana e manejo de urgências na sala de vacina. Observamos maior autonomia das equipes, redução de erros, melhoria na notificação de eventos adversos e fortalecimento da cultura de segurança vacinal, consolidando o apoio técnico permanente como estratégia estruturante da gestão municipal.
A trajetória de 2021 a 2025 demonstra uma evolução clara: Iniciamos com um diagnóstico marcado por fragilidades estruturais e operacionais. Evoluímos para um modelo de apoio técnico permanente, reorganizamos fluxos, qualificamos processos e, posteriormente, estruturamos uma política contínua de educação permanente baseada nas necessidades reais identificadas nas supervisões. Em 2024 e 2025, consolidamos a maturidade do processo ao incorporar capacitações estratégicas sobre técnica de aplicação, ESAVI, raiva humana e manejo de urgências, ampliando a segurança e a resolutividade das salas de vacinação. Hoje, não realizamos apenas visitas técnicas. Construímos um modelo de gestão baseado em diagnóstico contínuo, presença institucional, educação permanente e corresponsabilização das equipes. O modelo exclusivamente fiscalizador não produz mudanças estruturais duradouras. A experiência de Maracanaú demonstra que o apoio técnico permanente é uma estratégia eficaz e sustentável para qualificar salas de vacinação, fortalecer a política de imunização e garantir segurança vacinal à população.