Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Valdenia de Melo Mendonça
Coautor(es)
Geovanna do Nascimento Melo
Elânia da Silva Lima
Francisca Joseane Farias Guerra
Camila Mascarenha Moreira
A vacinação é amplamente reconhecida como uma das medidas mais eficazes para proteger a saúde da população e fortalecer a imunidade coletiva. Além de prevenir doenças graves, contribui para a redução da circulação de agentes infecciosos, garantindo proteção inclusive àqueles que não podem ser vacinados por contraindicações. Entretanto, observa-se, nos últimos anos, redução das coberturas vacinais, configurando-se como importante problema de saúde pública. Esse cenário compromete o controle de doenças imunopreveníveis e aumenta o risco de reintrodução de agravos previamente controlados, evidenciando a necessidade de compreender fatores relacionados à adesão ao calendário vacinal. Barreiras geográficas, dificuldades de acesso aos serviços e baixa adesão dos responsáveis contribuem para atrasos vacinais, reforçando a importância de estratégias que ampliem o acesso e fortaleçam o vínculo com a imunização. No município de Guaramiranga (CE), essas dificuldades são intensificadas pela dispersão populacional e características territoriais que dificultam o deslocamento até as Unidades Básicas de Saúde. Diante disso, identificou-se a necessidade de estratégias que ampliassem o acesso à vacinação e facilitassem a identificação de esquemas incompletos. Como medida inicial, passou-se a exigir a caderneta de vacinação na matrícula escolar. Contudo, sua efetividade mostrou-se limitada, pois os profissionais da educação não possuem capacitação técnica para avaliar o calendário vacinal. Nesse contexto, a articulação entre saúde e educação surge como estratégia relevante. A experiência foi realizada em 2026, durante as matrículas da rede municipal, envolvendo crianças e responsáveis, que passaram a apresentar declaração de situação vacinal emitida pelas UBS. A iniciativa possibilitou ações no ambiente escolar, favorecendo a identificação de atrasos, atualização das cadernetas e fortalecimento da educação em saúde.
Objetivo Geral: -Ampliar a cobertura vacinal infantil por meio da articulação intersetorial entre saúde e educação durante o período de matrículas escolares. Objetivos Específicos: -Verificar a situação vacinal das crianças da rede municipal de ensino -Identificar atrasos no calendário vacinal -Promover a atualização da caderneta de vacinação conforme necessidade -Orientar os responsáveis sobre a importância da imunização -Realizar busca ativa de crianças com esquema vacinas em atraso e incompleto.
Trata-se de um relato de experiência, de caráter descritivo, desenvolvido no município de Guaramiranga, Ceará, situado na região do Maciço de Baturité. A ação foi realizada em 2026, durante o período de matrículas da rede municipal de ensino, envolvendo crianças da educação infantil e do ensino fundamental, além de seus responsáveis. A estratégia foi construída a partir da articulação entre as equipes da Atenção Primária à Saúde e a Secretaria Municipal de Educação, sendo estabelecida a exigência da apresentação da declaração de situação vacinal, emitida pelas Unidades Básicas de Saúde, como documento obrigatório para matrícula escolar. Para obtenção da declaração, os responsáveis foram orientados a procurar a unidade de saúde de referência, onde profissionais de enfermagem avaliavam a caderneta de vacinação das crianças conforme o calendário vigente. Quando identificadas vacinas em atraso, estas eram administradas no momento oportuno ou agendadas, conforme a necessidade. Durante o atendimento, também foram realizadas orientações sobre a importância da vacinação, atualização das cadernetas e registro das informações nos sistemas de saúde. Como complemento, as equipes realizaram busca ativa de crianças com esquema vacinal incompleto, a partir das demandas identificadas no período das matrículas, ampliando o alcance da estratégia no território. As informações foram obtidas por meio dos registros das unidades de saúde e da observação das atividades desenvolvidas pelas equipes, sendo analisadas de forma descritiva.
A implementação da estratégia promoveu avanços significativos na organização e no acompanhamento da situação vacinal das crianças no território. Observou-se maior organização do processo de trabalho das equipes, com maior precisão na avaliação das cadernetas e superação de limitações previamente existentes. A integração entre os setores de saúde e educação fortaleceu o trabalho intersetorial, favorecendo uma atuação mais articulada e resolutiva no cuidado à saúde infantil. Durante o período de matrículas, verificou-se aumento na procura pelas unidades de saúde, evidenciando maior mobilização dos responsáveis para a regularização do esquema vacinal. Isso permitiu identificar, de forma mais ágil, crianças com vacinas em atraso, possibilitando sua atualização em tempo oportuno. Destaca-se, ainda, o fortalecimento das orientações em saúde, com maior conscientização das famílias sobre a importância da imunização. Além disso, a experiência contribuiu para a organização do fluxo entre escola e unidade de saúde, facilitando a continuidade do cuidado por meio da busca ativa e ampliando o acesso às ações de imunização.
A articulação entre saúde e educação se mostrou uma estratégia eficaz para ampliar o acesso à vacinação infantil, ao aproximar os serviços da realidade da população e aproveitar momentos estratégicos, como o período de matrículas escolares. O requisito da declaração de situação vacinal possibilitou a identificação precoce de atrasos e intervenção oportuna, contribuindo para a atualização das cadernetas e melhoria da cobertura vacinal. A experiência fortaleceu o vínculo entre serviços de saúde, a escola e a comunidade, além de favorecer uma melhor organização do processo de trabalho das equipes. O uso do ambiente escolar como espaço de promoção da saúde mostrou-se uma alternativa estratégica, especialmente em municípios com dificuldades de acesso. Por fim, trata-se de uma intervenção simples, viável e com potencial de replicabilidade, contribuindo para o fortalecimento das ações de imunização e para a melhoria das condições de saúde infantil no âmbito do SUS.