Tema: MODELO DE ATENÇÃO À SAÚDE
Autor(a)
Lucas Oliveira da Costa
Coautor(es)
Os traumatismos dentoalveolares na infância constituem demanda relevante nos serviços de urgência, sobretudo entre crianças pequenas, em razão da maior exposição a quedas e acidentes no domicílio e em momentos de brincadeira (DAY et al., 2020 LAFORGIA et al., 2025). Além do risco de dor, sangramento e comprometimento funcional, essas ocorrências podem repercutir sobre o desenvolvimento da dentição permanente, exigindo avaliação rápida e conduta adequada (DAY et al., 2020 O'CONNELL, 2025). Em 2025, na Unidade de Pronto Atendimento de Maracanaú, observaram-se 40 atendimentos de crianças de 2 a 5 anos com trauma bucal ao longo de 72 plantões. O fluxo assistencial incluía cadastro na recepção, classificação de risco na triagem e atendimento com cirurgião-dentista, isoladamente ou em conjunto com o médico, conforme a gravidade e a extensão das lesões. Os mecanismos mais frequentes foram queda da própria altura, queda durante brincadeiras e mordida de cachorro do próprio lar, com ocorrência de avulsão dentária, fratura dentária, laceração em lábio superior e laceração de tecido gengival. A descrição dessa experiência é pertinente por evidenciar a contribuição da odontologia na urgência pediátrica e a importância de fluxos organizados para ampliar a resolutividade do cuidado (LEVIN et al., 2020 LI, 2024).
Objetivo geral: descrever a experiência de atendimento a traumas bucais em crianças de 2 a 5 anos na Unidade de Pronto Atendimento de Maracanaú, no ano de 2025. Objetivos específicos: caracterizar o fluxo assistencial desde a recepção até o atendimento odontológico e/ou médico identificar os principais mecanismos de trauma observados descrever as lesões mais frequentes e destacar a relevância do manejo oportuno e multiprofissional em unidade de pronto atendimento, em consonância com recomendações atuais para o cuidado imediato em traumatismos dentários na infância (DAY et al., 2020 LI, 2024 O'CONNELL, 2025).
Trata-se de relato de experiência, descritivo, realizado na Unidade de Pronto Atendimento de Maracanaú, com base nos atendimentos pediátricos por trauma bucal ocorridos entre janeiro e dezembro de 2025. A população acompanhada compreendeu crianças de 2 a 5 anos atendidas durante 72 plantões, dos quais resultaram 40 atendimentos relacionados ao objeto desta experiência. O desenho operacional iniciava-se com cadastro na recepção, seguia para classificação de risco na triagem e, posteriormente, para avaliação pelo cirurgião-dentista ou por atendimento compartilhado entre dentista e médico, conforme necessidade clínica. Para a sistematização da experiência, consideraram-se o perfil etário, os mecanismos do trauma e os achados clínicos predominantes. Entre os eventos desencadeadores, destacaram-se queda da própria altura, queda durante brincadeiras e mordida de cachorro do próprio lar, mecanismos compatíveis com a literatura sobre trauma dentário em crianças pequenas, na qual acidentes domésticos e quedas figuram entre as causas mais comuns (LAFORGIA et al., 2025 FELDENS et al., 2025). As principais lesões observadas foram avulsão dentária, fratura dentária, laceração em lábio superior e laceração de tecido gengival. A análise da experiência valorizou o fluxo assistencial, a definição do profissional responsável e a necessidade de resposta imediata, aspectos recomendados em diretrizes contemporâneas para lesões traumáticas da dentição decídua (DAY et al., 2020 O'CONNELL, 2025).
No período analisado, foram registrados 40 atendimentos de crianças de 2 a 5 anos com trauma bucal em 72 plantões da Unidade de Pronto Atendimento de Maracanaú, correspondendo a média aproximada de 0,56 atendimento por plantão. Observou-se predomínio de eventos associados a quedas da própria altura, acidentes durante brincadeiras e mordidas de cachorro do próprio ambiente domiciliar. Esse perfil é coerente com estudos recentes que apontam as quedas e os acidentes no lar como causas frequentes de traumatismos dentários em crianças pequenas (FELDENS et al., 2025 LAFORGIA et al., 2025). Entre as lesões identificadas, destacaram-se avulsão dentária, fratura dentária, laceração de lábio superior e laceração gengival, agravos que demandam avaliação célere para redução de complicações e adequado seguimento (DAY et al., 2020 LI, 2024). A experiência mostrou que a existência de um fluxo definido - recepção, triagem e atendimento odontológico isolado ou compartilhado com a medicina - favoreceu organização assistencial, priorização clínica e maior direcionamento das condutas. Também evidenciou o papel estratégico do cirurgião-dentista na urgência pediátrica, especialmente em lesões dentárias e de tecidos moles orais, reforçando a importância de integração multiprofissional e educação em primeiros cuidados para famílias e equipes (LEVIN et al., 2020 TEWARI et al., 2024).
A experiência da Unidade de Pronto Atendimento de Maracanaú demonstra que o trauma bucal em crianças de 2 a 5 anos constitui demanda concreta na urgência pediátrica, com predomínio de mecanismos evitáveis, como quedas e acidentes domésticos. O fluxo assistencial organizado, envolvendo recepção, classificação de risco e atendimento odontológico com apoio médico quando necessário, contribuiu para cuidado oportuno e compatível com recomendações atuais para traumatismos dentários na dentição decídua (DAY et al., 2020 O'CONNELL, 2025). Como aprendizados, destacam-se a necessidade de fortalecer protocolos locais, qualificar a articulação entre odontologia e medicina e ampliar ações educativas para prevenção de acidentes e primeiros cuidados, considerando que a educação em trauma dentário é componente reconhecido das estratégias preventivas contemporâneas (TEWARI et al., 2024). Trata-se de experiência com potencial de replicabilidade em outras unidades de pronto atendimento, por apoiar-se em fluxo simples, aplicável e centrado na integralidade do cuidado à criança.