Autor(a)
Vanessa Silva Farias
Coautor(es)
Leticia Reichel dos Santos
Luiz Galdino da Costa Filho
Natália Lima Vasconcelos
Wenderson Fernandes Pereira
A larva migrans cutânea, conhecida como bicho geográfico, é uma infecção de distribuição mundial causada pelas larvas de parasitas que vivem nos intestinos de cães e gatos. O ciclo de vida desses parasitas inicia quando animais infectados por helmintos eliminam ovos do parasita nas fezes, esses em contato com um solo quente, úmido e arenoso evoluem e liberam larvas, a pele humana em contato com solo contaminado, sofre a invasão das larvas. Estas penetram a camada superficial da pele humana causando prurido intenso, passando a se movimentar, 2 a 5 cm por dia, formando túneis, levemente elevados, serpiginosos, fazendo desenho na pele, parecendo mapas, o que definiu a nomenclatura de bicho geográfico. Entre os meses de fevereiro e março, período que deu início a quadra invernosa no município de Sobral, houve um número substancial de pessoas relatando prurido intenso, ponto avermelhado e pequenas linhas vermelhas em pés e mãos. A realização de atividades físicas em campos de areia num período em que favorece a contaminação por larva migrans devido as condições do ambiente (areia quente e úmida) pode ter contribuído para a elevação de casos, fazendo com que as pessoas buscassem alívio dos sintomas por meio de receitas caseiras, atendimentos em farmácias e serviços de saúde. Diante dos relatos de casos foi disponibilizado um link para autonotificação, com a finalidade de identificar o perfil das pessoas que estavam sendo contaminadas e as possíveis fontes de infecção.
Disponibilizar um instrumento de autonotificação, possibilitando a identificação do perfil das pessoas acometidas pela larva migras e locais prováveis de infecção, e assim definir estratégias para mitigar a proliferação dos parasitas e consequentemente a contaminação das pessoas.
Metodologia até 1500 caracteres Por meio da vigilância de rumores foi possível identificar uma elevação significativa, de pessoas com queixas de pápulas vermelhas com coceira intensa e linhas avermelhadas na pele que aumentavam dia a dia e a busca de tratamento para larva migrans em farmácias e serviços de saúde. Essas informações, após verificação, desencadearam uma reunião da equipe de vigilância em saúde, envolvendo as vigilâncias epidemiológica, ambiental, sanitária, controle de zoonose e equipe de comunicação. Foi realizado um momento de estudo sobre larva migrans tendo como foco principal os sintomas e prevenção, como produto desse momento foi desenvolvido pelas equipes de vigilâncias sanitária e ambiental e controle de zoonoses uma nota técnica sobre bicho geográfico para divulgação intrasetorial, intersetorial e em serviços privados. Envolver as secretarias responsáveis pelas praças, parques e áreas de lazer que possuem areia para atividades esportivas na divulgação da nota técnica e solicitando a realização de ações de prevenção da larva migrans, manejo adequado da terra e estimular as pessoas a buscarem estabelecimentos de saúde para adequada condução do quadro. Visita de fiscais da vigilância sanitária aos estabelecimentos privados verificando o manejo adequado dos espaços que contenham areias fazendo orientação e notificação se necessário.
Foi desenvolvido pelas equipes que compõem a vigilância em saúde uma nota técnica sobre “bicho geográfico” para ampla divulgação no município e um link de autonotificação, o qual foi disponibilizado no site da prefeitura e divulgado nas mídias sociais, telejornal, rádio, instagram, facebook e grupos de whatsapp. De 04 de março a 04 de abril foram realizadas 29 autonotificações, apenas uma foi realizada no mês de abril, as demais ocorreram no mês de março. Em relação ao local de atendimento: 09 não buscaram nenhum tipo de atendimento 06 - unidades hospitalares 06 – farmácias 05 - Centros de Saúdes e 01 - clínica médica. O sexo masculino foi o mais acometido dentre as autonotificações com 24 casos e o feminino com 15. Na informação relacionada a provável fonte de infecção 21 pessoas informaram ter realizado atividade física em quadras de areia: 10 - beach tênis, 07 - vôlei , 03 - brincaram no parquinho e 01 - futebol. 01 relacionou a atividade laboral (gari), 01 informou que a contaminação ocorreu durante a limpeza do quintal e 06 não relataram atividade recreativa ou laboral que indicasse a provável fonte de infecção. No levantamento dos estabelecimentos foram identificadas 14 areninhas e 13 quadras de areia (públicas) e quatro quadras (privadas), os responsáveis foram orientados quanto ao manejo da areia e periodicidade da desinfecção, bem como recomendado a não circulação de animais nesses espaços.
A vigilância em saúde contempla a observação de várias fontes de informações oficiais que nem sempre são oportunas ou completas, por isso, a necessidade do uso das fontes informais como rumores vem sendo cada vez mais comum, assim surge a vigilância de rumores. Com a necessidade de estar vigilante a todo momento e em todo lugar a implementação de estratégias como a autonotificação permite, de forma ágil, identificar mudanças no comportamento dos agravos e doenças ou surgimentos de situações de importância para saúde pública, que afetem a saúde da população. A incorporação do acesso de tecnologias para, com a preocupação de linguagem de fácil leitura e compreensão, permitiu que o uso de página oficial da prefeitura incorporasse espaço para autonotificação. Nesse contexto a identificação das prováveis fontes de infecção foi primordial para que as ações de promoção e prevenção da contaminação da larva migrans fossem desenvolvidas, assim como o cronograma de manejo da areia de forma adequada, e o uso dos canais de redes sociais levassem informações para as pessoas que permitissem esclarecimentos e tomada de decisão á respeito da doença.