Autor(a)
Priscilla Rolim Mendonça
Coautor(es)
Paula Sacha Frota Nogueira
Janaína Mota da Rocha
Simone Santiago Franklin Dauer
Ester Mary Maia Silva
Gisele Ribeiro Grangeiro
As questões inerentes ao contexto pandêmico tais como o isolamento físico e social, a mudança na rotina e de hábitos diários, e a limitada oferta de atendimento odontológico podem ter impactado negativamente a saúde bucal e, consequentemente, a qualidade de vida dos idosos do território. Acredita-se que conhecer os aspectos relacionados à autopercepção de saúde bucal de idosos reveste-se de grande importância científica e social por permitir alternativas válidas de intervenção em políticas públicas e sociais, além de programas de saúde geriátricos preventivos, educativos e assistenciais que esclareçam sobre o autocuidado, buscando promover o bem-estar deste grupo de pessoas. Nesse sentido, numa tentativa de ampliar o entendimento do processo saúde-doença como determinante social, espera-se que o presente estudo possa fortalecer, de forma respeitosa, a atenção odontológica em idosos para além da população do município de Horizonte, de modo que estes possam recuperar e manter as condições bucais saudáveis necessárias para viver essa etapa da vida com qualidade.
Analisar fatores relacionados à saúde bucal autopercebida de idosos durante a pandemia por COVID-19.
Trata-se de um estudo transversal, realizado com 101 idosos cadastrados na área de abrangência da UBS José Gomes da Silva Zumbi, localizada em Horizonte, Ceará. Os critérios de inclusão dos participantes do estudo foram: idosos residentes em uma das áreas de abrangência cadastradas na UBS José Gomes da Silva Zumbi. Já os critérios de exclusão foram: idosos institucionalizados ou com algum tipo de comprometimento cognitivo avaliado pelo Miniexame de Estado Mental (MEEM). A equipe de coleta de dados, composta pela cirurgiã-dentista da ESF Zumbi III (pesquisadora principal) e por quatro graduandos de odontologia pertencentes da Liga Acadêmica de Doenças Estigmatizantes (LADES) da UFC. As variáveis analisadas foram: condições socioeconômicas e demográficas, dados de saúde geral e saúde bucal autopercebida (GOHAI). Para a análise dos dados utilizaram-se os testes ANOVA e teste t de Welch, com nível de significância 5%. A pesquisa foi submetida e aprovada no CEP da Universidade Federal do Ceará, atendendo à resolução número 466/2012 (BRASIL, 2012) e à resolução nº 510/2016 (BRASIL, 2016) ambas do Conselho Nacional de Saúde. O TCLE foi exigido de todos os participantes da amostra, sendo devidamente assinado ou identificado por impressão dactiloscópica, em duas vias, sendo uma retida pelo sujeito da pesquisa e uma arquivada pela pesquisadora.
O perfil socioeconômico e demográfico dos 101 idosos entrevistados revelou média de idade de 68,1 anos (6,3), sexo feminino (57,4%), autodeclarados pardos (48,5%), casados ou com companheiro (56,4%), 3 anos de estudo e renda mensal individual de 1 a 2 salários-mínimos (74,3%). Quanto aos dados relacionados à saúde geral da amostra, foi majoritariamente autoavaliada como regular (52,5%), composta por ex-fumantes (48,5%) e portadores de hipertensão arterial sistêmica (HAS) (62,4%). As variáveis de saúde bucal revelam uma amostra composta majoritariamente por edêntulos (64,9%), usuários de prótese dentária (76,2%), com boa autopercepção de saúde bucal (46,5%) e que realizam a higiene oral duas vezes ao dia (49,5%). Quando instigados a comparar o seu estado de saúde bucal atual com o de antes do início da pandemia, relataram estar aproximadamente igual (62,4%). A maioria dos entrevistados realizou a sua última consulta odontológica antes da pandemia (62,4%). O índice GOHAI (31,5) obtido da amostra caracteriza uma autopercepção de saúde bucal moderada. O índice GOHAI foi impactado positivamente por três fatores: ausência de problemas dentários (p=0,001), condição de SB aproximadamente igual a antes da pandemia (p=0,007) e boa autopercepção de SB (p=0,006).
Com este estudo, foi possível identificar características de saúde bucal dos idosos da UBS José Gomes da Silva Zumbi e conhecer a saúde bucal autopercebida destes indivíduos através do índice GOHAI, a qual foi classificada como moderada. Sugere-se a implementação de programas de educação em saúde para idosos com ações e estratégias voltadas para a melhoria da saúde bucal a fim de que possibilitem uma melhor percepção acerca do seu estado e maior inclusão desse grupo etário no sistema de saúde. No que diz respeito ao tema proposto, há que se destacar, que as necessidades de cuidados em saúde de idosos são importantes e amplas, sendo preciso aprofundar com a realização de mais estudos abordando esta área de conhecimento. É preciso aumentar o conhecimento dos idosos sobre sua saúde bucal para que tenham um julgamento apropriado do seu estado sanitário através de ações de educação, prevenção e promoção em saúde bucal que ultrapassem o limite da odontologia puramente clínica. É importante aprofundar sobre o tema a fim de se instituir ações de saúde multidisciplinares a nível populacional que possibilitem maior inclusão de qualidade desse grupo etário no sistema público de saúde.