Autor(a)
Rafaelly Rocha Lima Barbosa
Coautor(es)
O presente trabalho visa abordar uma pesquisa realizada com os profissionais da saúde, do município de ICAPUÍ – Ceará, sobre a avaliação do conhecimento acerca da atuação no atendimento de casos de violência doméstica contra a mulher. O levantamento de dados ocorreu durante o ano de 2023. Os profissionais envolvidos são correspondentes aos serviços de 01 CAPS – Centro de Atenção Psicossocial -, 08 ESF - Estratégias de Saúde da Família -, com equipe de saúde bucal e Equipe Emulti – equipe multiprofissionais na Atenção Primária à Saúde -, além dos profissionais residentes da equipe multiprofissional da Escola de Saúde Pública do Ceará. O município de Icapuí tem registrado casos de violência doméstica contra a mulher, diante dessa realidade, foi proposto a realização da presente coleta de dados a fim de entender como os profissionais tem lidado com a demanda e articular formas mais eficazes de lidar com essa realidade.
Avaliar o conhecimento e atuação dos profissionais de saúde, do município de ICAPUÍ – CE, em casos de violência doméstica contra a mulheres.
Foi realizada a aplicação de um questionário com os profissionais de saúde do município de Icapuí, a fim de investigar o conhecimento acerca da sua atuação nos casos e atendimentos de violência doméstica contra a mulher. O instrumento foi aplicado de maneira virtual, contendo 15 perguntas, através do Google Forms e obtendo um total de 121 respostas. Dentre as mais diversas categorias encontram-se médicos, dentistas, técnicos de saúde bucal, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agente comunitário de saúde, gerente de território, psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas, fisioterapeutas, profissionais de educação física.
Para fins do presente trabalho, foram selecionadas 03 perguntas do questionário. A primeira busca avaliar a compreensão dos profissionais acerca da prevalência dos casos de violência doméstica contra a mulher no município. A maioria dos participantes acreditam que os casos são “muito frequentes”, 27,7%, e “frequentes”, 45,5%, somente 8% acreditam que os casos ocorrem “raramente” e 18,8%, que são “ocasionalmente”. Ressalta-se que esse dado já demonstra uma realidade cotidiana no município, justificando a importância da presente pesquisa a fim de construir uma rede de atendimento e atuação fortalecida e capacitada para a demanda, com foco também na proteção e prevenção desse tipo de violência. Outro dado interessante foi sobre a aptidão dos profissionais a atender esse tipo demanda. Percebeu-se que 54,9% “concordam em parte” e 20,4%, “concordam totalmente”. Dessa forma, se tem uma média de 75% dos profissionais que se percebem capacitados para lidar com a assistência à demanda da violência. 8% “não estão decididos”, 8% “discordam em parte” e 8,8% “discordam totalmente”. Contudo, ao analisar os dados da aptidão para o preenchimento da ficha de notificação compulsória do SINAN, somente 21,4% “concordam totalmente” e 25,9% “concordam em parte”. Dessa forma, 47,3% se sentem aptos para realizar o preenchimento da ficha, 21,4% “discordam totalmente”, 12,5% “discordam em parte” e, por fim, 18,8% “não estão decididos”.
Houve boa adesão dos profissionais para a realização da pesquisa. Com os dados da mesma é possível fazer diversas associações para futuros estudos e publicações. Após analise de todos os dados coletados, separados por serviço, categoria profissionais e grupos profissionais – profissionais da ESF, CAPS e Equipe Emulti - , foi possível perceber quais profissionais e locais estão com maior demanda para qualificação sobre a temática. Como já citado, diante disto, foi proposto, pela secretária de saúde do município uma qualificação em conjunto com o CAOsaúde, do Ministério Público para todos os profissionais da área da saúde. A mesma segue em articulação conjunta para sua futura ocorrência.