Autor(a)
LUANDA VASCONCELOS DO NASCIMENTO DUTRA
Coautor(es)
EVALDO EUFRASIO VASCONCELOS
MARIA ALINE BATALHA DO NASCIMENTO
ANA RITA DE SOUSA VASCONCELOS BRANDAO
MARIA RAQUEL ULISSES LIMA
O Programa Nacional de Imunizações (PNI) é considerado uma das principais e mais relevantes intervenções em saúde pública no Brasil, no entanto, nos últimos anos, tem-se observado uma crescente preocupação com as dificuldades enfrentadas pelo PNI dado o cenário de baixas coberturas vacinais que se instalou país, agravado principalmente a partir da pandemia de COVID-19 em 2020. Aliado a isso, o impacto da desinformação exacerbada e as incertezas na confiabilidade das vacinas refletiu na redução da procura da população aos serviços de saúde, predispondo o aumento dos casos de doenças imunopreveníveis e o retorno de doenças já erradicadas. Sabendo que somente com coberturas adequadas é possível manter as doenças imunopreveníveis sob vigilância, cada vez mais torna-se necessário desenvolver estratégias eficazes, ou seja, com potencial de fortalecer e manter coberturas vacinais satisfatórias. Ancorado em um processo de vigilância efetiva, constituído por uma equipe de imunização organizada e uma estrutura adequada às normas e diretrizes do PNI, o presente trabalho traz o exemplo do município de Cruz-CE, que vêm conseguindo manter o alcance satisfatório de todas as coberturas das vacinas que compõem o calendário básico de crianças menores de 1 ano desde 2019 - mesmo tendo enfrentado todos os vilões da desinformação e da onda de fake news herdados da pandemia - podendo este servir de referência para outros municípios cearenses.
GERAL: Relatar as estratégias de vacinação realizadas pelo município de Cruz-CE para alcance permanente das coberturas vacinais de rotina. ESPECÍFICOS: Descrever a organização do processo de trabalho da Imunização municipal Relatar as atividades desenvolvidas no enfrentamento à desinformação sobre as vacinas e aos riscos de doenças imunopreveníveis.
A organização da Imunização de Cruz contempla 13 pontos de vacinação, todos informatizados em uso do Prontuário Eletrônico, e com aplicação descentralizada dos imunobiológicos. Contando com uma equipe exclusiva de gerência, o município a partir de 2022 intensificou a divulgação de informações sobre as vacinas e sua importância, através de ações contínuas de mobilização (programa de rádio, redes sociais, e principalmente através das visitas dos ACS, enquanto valioso veículo ativo de informação verídica). O uso de imagens das crianças da comunidade se vacinando nos materiais de campanha do município deu força e incentivo à população, tomando-as como exemplo e derrotando incertezas. Aliado ao monitoramento nominal de doses aplicadas instituído pelo município desde 2021, a SMS também reforçou as relações intersetoriais em 2023 a partir da integração de ações, e ainda estabeleceu a prática de capacitações para as equipes de saúde. Além disso, instituiu junto as equipes a vacinação volante quando necessário, uma vez que todas têm transporte exclusivo. Respeitando as limitações das comunidades, faz-se necessário ainda realizar mutirões e campanhas em locais estratégicos, visando o aumento de sua credibilidade, o combate à desinformação e reforçando a saúde como direito de todos. Assim, têm-se promovido uma ampliação do acesso mediante avaliação de demanda e realidades locais de cada território, priorizando a equidade, e garantindo ainda o aprimoramento da busca ativa vacinal.
Observando a série histórica de 2019 a 2023 e, considerando a meta de 90% para as vacinas da BCG e Rotavírus, e de 95% para as demais vacinas, no que diz respeito a análise das coberturas vacinais dos imunobiológicos preconizados para crianças < 1 ano, segundo dados do Tabnet e Localizasus (acesso em 09/03/2024) o município em todos os anos têm alcançado boas coberturas: vacina BCG (141% em 2019 127,4% em 2020 111,8% em 2021 168,6% em 2022 e 129,1% em 2023), Rotavírus (111,6% em 2019 117,4% em 2020 93,5% em 2021 104,7% em 2022 e 99,7% em 2023), Pneumocócica 10 (119,17% em 2019 123,54% em 2020 98,5% em 2021 107,9% em 2022 e 100,8% em 2023), Pentavalente (96,1% em 2019 127,6% em 2020 99,2% em 2021 107% em 2022 e 103,7% em 2023), Meningocócica C (125,4% em 2019 122,5% em 2020 98,8% em 2021 105,9% em 2022 e 104,6% em 2023), e VIP (116,9% em 2019 125,7% em 2020 97,1% em 2021 106,8% em 2022 e 103,7% em 2023). Em relação à vacina contra a Febre Amarela (FA), o estado do Ceará até o ano de 2020 não era considerado área de recomendação da vacina, e sua cobertura só foi preconizada a partir de 2022, tendo o município conseguido atingir sua meta a partir de então (96,3% em 2022 e 96,4% em 2023). Ressalta-se que o êxito de Cruz difere no cenário estadual e nacional, que vem sofrendo quedas nas coberturas desde 2018, vindo a conseguir um cenário de retomada em 2023, mediante a união de esforços através do movimento nacional pela vacinação.
Iniciativas como realização contínua de ações de comunicação e mobilização voltadas à população a atuação do ACS enquanto veículo ativo de informação verídica articulação intersetorial incorporação de um monitoramento nominal, além da capacitação permanente dos profissionais ampliação do acesso mediante avaliação de demanda e realidades locais de cada território e aprimoramento da busca ativa vacinal foram apontados enquanto ações com grande potencial para o alcance permanente das coberturas vacinais de rotina no município, mesmo diante de tantos desafios herdados da pandemia. Logo, pode-se dizer que as ações adotadas por Cruz traduzem o êxito na vacinação, e estão sendo suficientes para manter boas e homogêneas coberturas vacinais, minimizando riscos de reintrodução de doenças imunopreveníveis no município. Sendo a vacinação uma ferramenta incontestável de proteção individual e coletiva, recomenda-se qualificar e promover o direcionamento mais eficaz do processo de trabalho em Imunização, para então conseguir atingir com êxito coberturas vacinais seguras.