Tema: GESTÃO DO TRABALHO E DA EDUCAÇÃO NA SAÚDE
autor(a)
JOSE FABIO DE SOUSA
Esta experiência apresenta os caminhos que possibilitaram a criação de uma abordagem lúdica, inspirada na troca de saberes, promovidos através da afetividade desenvolvida em rodas e cirandas da Educação Popular em Saúde. O trabalho surgiu como uma das alternativas, que possam motivar a participação dos moradores de Horizonte-CE, nas atividades dos Agentes de combate as endemias. Inspirado pelas escutas de colegas de profissão, que lamentavam a falta de interesse de alguns moradores em combaterem o nascimento do mosquito Aedes Aegypti. O Agente de endemias Fábio Sousa, cria uma personagem palhaço, e após algum tempo o batiza com o nome de Binho. E passa utilizar este palhaço educador em suas atividades profissionais. A pedagogia do riso nas ações de combate ao mosquito transmissor da dengue, zyca e Chicungunha, passam a contribuir na eliminação de criadouros, nas comunidades e com os jovens das escolas públicas de Horizonte. Através desta experiência criou-se um esquete que foi produto da sua dissertação do mestrado profissional em artes do Instituto Federal do Ceará (IFCE), sendo apresentado ao grande público e tendo seu registro compartilhado na plataforma digital YouTube. Este trabalho, busca a participação e o protagonismo da população nas ações, associada a experiências vividas pelo agente de combate as endemias em sua atuação como profissional do Sistema Único de Saúde (SUS). Bem como aquelas vivenciadas com a criação e composição do palhaço Binho.
Identificar quais elementos desta criação colaboram para que este palhaço seja mais uma ferramenta de comunicação no trabalho dos profissionais da saúde. Analisar quais aspectos desta criação, contribuem para o protagonismo social dos moradores.
O projeto utiliza a alegria do palhaço para envolver o público em brincadeiras que envolvem, números improvisados de mágica, música e dança. São 4 blocos, onde o palhaço Binho, inicia falando sobre as fases do nascimento do vetor, 2º bloco: fala sobre os locais onde o mosquito gosta de nascer, 3ºBloco: ensinando o público a proteger os depósitos e o encerramento acontece no 4ºbloco, onde Binho canta sua paródia, acompanhado da Mosquita da Dengue. Toda a apresentação se desenvolve em 50 minutos. E a todo instante as pessoas da plateia, inclusive as crianças, interagem, mostrando ao palhaço como elas evitam o nascimento do mosquito em suas casas.
Os dados apresentados comprovam os resultados deste trabalho com os alunos incluídos nas ações de Binho, assim como na comunidade em geral. A seguir, um quadro explicativo- demonstrativo em que constam os levantamentos de índices amostrais do Setor de Endemias, Horizonte-CE e os resultados positivos obtidos a partir do histórico de trabalhos realizados (devemos ressaltar que o Ministério da Saúde, considera que os índices de infestação por mosquitos Aedes aegypti devem der mantidos a menos de 1%). Estas informações técnicas foram repassadas pelo Setor de Endemias e mostram como o trabalho do palhaço Binho reforça a ação realizada pelos ACE e ajuda na redução dos índices de infestação. Foram realizadas, no decorrer de 8 anos de projeto, em torno de 1.482 apresentações e muitas horas de pesquisa e ensaios. A primeira coluna apresenta os dados relacionados aos meses e anos em que as visitas foram realizadas pelos ACE, a segunda coluna, o total de imóveis trabalhados durante cada ano e a terceira coluna traz os resultados das visitas informando o total de imóveis positivos para a presença de larvas de Aedes aegypti. A coluna seguinte, apresenta o número de imóveis em que não foi possível realizar a visita, e logo depois, temos a coluna em que está quantificada a ação que o palhaço Binho realizou em cada ano e os locais que receberam o trabalho de palhaçaria educativa
Ao iniciar minha jornada profissional como Agente de endemias (ACE), não imaginava que desta atividade poderiam surgir projetos e trabalhos em áreas diversas. O contato diário proporcionado pelas visitas residenciais realizadas em todas as classes sociais da cidade de Horizonte, me permitiu analisar que a população carente é a que mais sofre com as doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti, devido, principalmente, à falta de saneamento básico e aos problemas relacionados ao abastecimento de água nessas áreas. Busquei observar os anseios e angústias da comunidade, muitas vezes comuns a meus colegas de profissão, e pude perceber, aos poucos, que seria possível ultrapassar a dúvida e tentar uma abordagem menos formal e que trouxesse os moradores “para dentro” das nossas atividades. Intuitivamente, foi despertando em mim uma vontade de dinamizar minhas visitas à população de Horizonte. A oportunidade de atuar através da arte em meu trabalho diário, só mostrou-se possível quando senti que deveria “mergulhar” neste projeto, por identificar que o uso do lúdico poderia contribuir para despertar o interesse das pessoas da minha cidade, em relação à prevenção e às formas de proliferação do mosquito Aedes aegypti em suas casas.