Autor(a)
JHONATA PEREIRA PAIVA
Coautor(es)
Ana Joyce Castro Mororó
Antônio Carlos Ferreira Alves
Maria Aparecida de Sousa Rodrigues
Caline Mariane Vieira Dantas
Lunara Araújo Pinto
O ciclo gravídico puerperal é marcado por diversas modificações e transformações fisiológicas, físicas e psicoemocionais, que resultam em alterações comportamentais, mentais, sociais e biológicas em decorrência de ações hormonais que afetam o funcionamento habitual no organismo da mulher durante a gravidez. Assim, o Programa Cuidar do Amanhã reforça a importância de um conjunto de ações para o fortalecimento da linha do cuidado materno-infantil para garantir o acesso e qualificar a atenção a gestantes, puérperas e crianças menores de dois anos na rede da atenção primária em saúde no município de Pires Ferreira - Ce. O município após o enfrentamento da pandemia teve que se reestruturar com encontros presenciais com as gestantes e a realizações das puericulturas que estiveram suspensas desde o início do período pandêmico, além disso, nos últimos cinco anos, tivemos nove óbitos por mortalidade materna, sendo assim, uma alta incidência durante os últimos anos. Nesta perspectiva, foi realizado em abril de 2022 o I Seminário do Programa Cuidar do Amanhã, onde foi lançado o linha-guia para os profissionais de saúde que atuam na atenção básica do município, com uma abordagem multiprofissional, traçando uma nova estratégia de apoio as gestantes, puérperas e crianças menores de dois anos. Na descrição do projeto foi lançado o cronograma assistencial, além da estratificação de risco e realização de cuidado à puericultura no desenvolvimento infantil.
Para a execução do programa foi criado o linha-guia, um documento onde foi traçado as ações municipais voltadas para o cuidado as gestantes, puérperas e crianças menores de dois anos, descrito fluxogramas, abordagens nas consultas de pré-natal, estratificação de risco, rastreamento de diabetes gestacional e síndromes hipertensivas, acompanhamento da equipe multiprofissional, dentre outras ações. Desse modo, o nosso primeiro momento foi qualificar os profissionais de saúde para o manejo assistencial, conforme o linha-guia. Dando continuidade ao programa nossas gestantes foram estratificadas por risco habitual, moderado e alto risco. o objetivo reestruturar a linha do cuidado materno-infantil e fortalecer as ações municipais, diante das boas práticas na assistência.
O presente estudo trata-se de um relato de experiência exitosa realizado no município de Pires Ferreira - Ce no ano de 2022. Em janeiro de 2022 foi realizado o desenvolvimento do linha - guia para nossos profissionais de saúde, assim, foi detectado nossa primeira barreira encontrada para execução das ações, diante disso, a secretaria de saúde realizou a contratação de 03 especialistas: ginecologista, ultrassonografista e pediatra. Preconizado que em cada trimestre seja realizado uma ultrassonografia para avaliar o desenvolvimento fetal e acompanhamento gestacional. As consultas com o pediatra são realizadas no primeiro mês de vida de cada recém-nascido do nosso município para uma avaliação do estado geral e também detectar e tratar doenças precocemente. atualmente as unidades conta com o apoio de uma equipe multiprofissional composta pelo nutricionista, educador físico, enfermeiro, assistente social, psicólogo e fisioterapeuta que diante da reorganização do programa para assistência a gestante, foi estruturado um cronograma com a equipe no NASF-AB. Uma inovação na assistência foi a consulta individual com o psicólogo no 1º e 3º trimestre de gestação, que não era realizado no município. Tivemos destaque através do trabalho da musculatura pélvica da gestante no terceiro trimestre realizado pela educadora física e fisioterapeuta usando algumas técnicas com a bola para o fortalecimento pélvico e agachamentos em conjunto com seu parceiro.
Obtemos como resultados no âmbito municipal a realização de mais 280 ultrassons em nossas gestantes durante o ano de 2022, avaliando o desenvolvimento fetal e o estado da mãe e do bebê, tivemos acompanhamento no início no pré-natal e no final do 3º trimestre o acompanhamento das nossas gestantes de risco habitual ao ginecologista, já as gestantes de risco habitual esse acompanhamento era realizado de forma mensal. Hoje temos aproximadamente 34 gestantes sendo acompanhada com a psicóloga e 16 que realizaram retorno em suas consultas, sendo que antes do início do programa somente 08 gestantes eram acompanhadas. Obtivemos nestes últimos 10 meses um acompanhamento de 38 gestantes sendo acompanhado com o nutricionista referente ao seu estado nutricional, sendo trabalhado de acordo com seu IMC e o ganho de peso durante o período gestacional, para complementar a assistência à gestante. Deferindo a continuidade do nosso programa, assistência a saúde da criança, preconizamos a garantia da primeira consulta com o pediatra, que durante este ano tivemos 123 recém nascidos que realizaram sua consulta para avaliação do estado geral e detecção precoce de doenças, dessa forma, atingimos 100% das nossas crianças assistidas além dos 105 retorno para a especialidade. Além da consulta, o município contratou um profissional para realização do teste da linguinha e da orelhinha para detecção precoce de alguma anormalidade, já realizado neste ano 119 testes em nossos recém nascidos.
Este relato de experiência mostra que a qualidade da atenção humanizada à mulher, ao recém-nascido e a seus familiares, é um esforço integrado no nível da atenção primária em saúde para ofertar serviços que garantam equidade, acolhimento, informação e aconselhamento, através da competência multiprofissional, tecnologia apropriadas e relacionamento pessoal pautado no respeito à dignidade e aos direitos da gestante e da primeira infância. Esta descrição permitiu assinalar as etapas percorridas na implantação do programa cuidar do amanhã diante da reestruturação do cuidado materno-infantil. Sim, houve o desenvolvimento da equidade, ofertando um serviço de qualidade assistencial para as gestantes e crianças que mais necessitam de um apoio de especialidades médicas e multiprofissional, além de boas práticas na assistência realizando os encontros presenciais, necessitou de recursos tecnológicos como apresentações de vídeos, musicoterapia e simulações da musculatura pélvica no período expulsivo do parto. Para realização da replicação da prática, é necessário terem gestores e profissionais aptos a mudar a realidade assistencial e potencializar o cuidado materno-infantil no âmbito da atenção primária em saúde.