Tema: CONTROLE SOCIAL E PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE NA SAÚDE
Autor(a)
MIRLEY DA SILVA OLIVEIRA FONTENELLE
Coautor(es)
MIRLEY
AMORIM
GERMANO CESAR QUIRINO
Este relato de experiência aborda o acompanhamento, na Atenção Primária à Saúde, de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) que apresentava dificuldades de autorregulação emocional. A partir do olhar sensível de sua mãe e do apoio da enfermagem, identificou-se que a confecção de bonecos de papel, inicialmente vista como comportamento repetitivo, constituía uma importante ferramenta de organização emocional, expressão e vínculo com o mundo. Dessa compreensão, surgiu o projeto “Bonecos que Cuidam”, com foco na valorização das potencialidades da criança e promoção de inclusão.
Relatar a experiência de acompanhamento de uma criança autista cujo interesse na confecção de bonecos de papel revelou-se instrumento de: Autorregulação emocional Desenvolvimento da autonomia Inclusão social Fortalecimento da autoestima Ampliação do pertencimento social Além de evidenciar o papel da enfermagem como facilitadora de oportunidades e articuladora de parcerias no território.
Trata-se de um relato de experiência qualitativo, baseado na observação, escuta sensível e acompanhamento da criança e sua família. As principais ações desenvolvidas incluíram: Reconhecimento da confecção de bonecos como ferramenta de autorregulação Incentivo à expressão criativa respeitando o interesse da criança Apoio da enfermagem na valorização dessa habilidade Articulação com escolas para inserção em ambientes coletivos Realização de oficinas conduzidas pela própria criança Estímulo à participação social e exposição de suas habilidades. A enfermagem atuou como mediadora entre potencial e oportunidade, mantendo o protagonismo da criança e da mãe.
Os resultados evidenciaram impactos positivos nos aspectos emocionais e sociais: Autorregulação emocional Redução significativa das crises Melhor organização emocional por meio da atividade. Autonomia social Inserção em ambientes escolares Capacidade de interação e ensino. Autoestima Reconhecimento de sua habilidade Sentimento de utilidade e pertencimento. Autonomia funcional Maior independência em espaços públicos Segurança para novas experiências. Protagonismo e reconhecimento Realização de oficinas Convites para apresentações Reconhecimento no município e visibilidade em mídia, incluindo reportagem televisiva.
O projeto demonstra que, quando as singularidades da criança são acolhidas, elas se tornam caminhos de desenvolvimento, inclusão e cuidado. A experiência reforça o papel da enfermagem como agente transformador, que vai além do cuidado técnico e atua na escuta, no vínculo e na valorização das potencialidades individuais. Mais do que simples atividades, os bonecos tornaram-se instrumentos de expressão, autonomia e inclusão — verdadeiros recursos de cuidado. Bonecos que organizam emoções, fortalecem identidades e constroem possibilidades.