Autor(a)
Verineida Sousa Lima
Coautor(es)
Eliane Alves Cordeiro
Sheila Maria Ramos Fontes
Elimara de Marcedo Lima
Maksoane nobre do nascimento
É comum problemas dos cadastros sumirem do sistema ESUS AB, porém essa situação ainda pode ser agravada quando há uma transição de sistema próprio e imagina agregar essa situação a uma transição de servidor municipal, associada a inúmeras trocas de Agente Comunitário de Saúde ACS entre unidades e microáreas, o resultado foi a perda de mais de seis mil cadastros da base local. Diante dessa situação, o que fazer? Sair cadastrando no aplicativo todos novamente de forma aleatória, sabendo que poderia aumentar as inconsistências ou duplicidade ou refazer toda avaliação da situação e traçar um planejamento para resolver, principalmente sabendo que os cadastros implicam no financiamento da atenção primária? Essa foi a realidade encontrada no município de Croatá/Ce no mês de novembro/2022, onde os ACS usavam o aplicativo ACS live e estavam na transição para o ESUS AB território, bem como o município trocou a base do ESUS para outro servidor em nuvem. Na ocasião o sistema mostrava uma divergência de 6.020 usuários entre sistema ESUS AB base local e o SISAB, havia ACS que abriam o aplicativo e não encontrava todos os usuários, e estavam em si cadastrando toda população novamente gerando inúmeras inconsistências e duplicidades, foi nessa situação que inicia nossa experiência que contou com avaliação inicial, treinamento, planejamento em equipe e monitoramento em planilhas de excel que mostravam os avanços na reorganização da base local dos cadastros dos Agentes Comunitários de Saúde.
Apresentar a experiência da reorganização do processo de cadastramento dos usuários e uso do aplicativo ESUS AB território no município de Croatá/CE.
A experiência iniciou em novembro de 2022 no município de Croatá. O primeiro momento contou com uma avaliação da situação municipal com base no sistema ESUS AB e relacionando ao SISAB para elaboração de relatório situacional com os filtros: total de cadastros, cadastros por unidades e cadastros ativos e não ativos por ACS. Após essa avaliação foi realizada uma reunião de exposição e elaboração de estratégias com ACS e coordenadores que no final resultou em uma equipe de apoio que seria o suporte para as demais ações que foram desenvolvidas. A estratégia contou ainda com etapas de entrega individualmente do relatório de cadastro e o relatório de inconsistência para cada ACS, bem como a liberação da base municipal para busca de usuários, associado a momentos com cada equipe para dúvidas, treinamento e organização dos cadastros. Além disso para efetivar um pleno monitoramento das etapas e seus resultados foi elaborado um excel que semanalmente avaliava a evolução do cadastramento e organização da base por ACS utilizando o dado quantidade total de usuários do SSA2 com a quantidade do ESUS AB, e por fim para estimular os ACS a executarem toda higienização de cadastros, retirada de inconsistência e cadastramento dos usuários que havia sido pedido na transição foi feito um score de raking que era divulgado mostrando a evolução de cada ACS, sendo que os ACS que estavam com melhor evolução ganhavam uma figura de estrelinha no lado do nome.
Quando a experiência iniciou a base local do ESUS AB do município tinha um total de 13.587 cadastros considerando ainda a quantidade de ativos e com saída de cidadão, mas no SISAB essa quantidade era de 19.607 pessoas identificadas, uma diferença de 6.020 usuários, sendo a população municipal 18.201. Com a reorganização do processo e a intensificação dos cadastros baseados apenas nos que não eram encontrados na base local após pesquisa do ACS em fevereiro de 2023 no ESUS AB o total de cadastros passou a ser 19010 cadastros, ou seja, um aumento de 5.423 cadastros uma média de mais de mil cadastros a mais por mês. E se a estratégia já mostrou resultado no aumento de cadastros, o mesmo foi observado nas inconsistências onde em novembro de 2022 eram 3.279 inconsistências e em fevereiro de 2023 foram encontradas no sistema apenas 189 inconsistência de cadastros.Toda essa força tarefa mostrou um avanço significativo que acompanhado no excel de monitoramento apresenta que no início tinhamos unidades com apenas 25% de cadastros do território e hoje todas têm entre 90 a 100% quando comparado o sistema ESUS AB e o que os ACS colocam na quantidade geral do SSA2. Outro benefício foi a compreensão dos ACS sobre os cuidados com os processos de mudança de território, cadastramento e a implantação de uma rotina de atualização, ajudando a manter a base mais organizada e condizente com a realidade.
O sumir de cadastros e as inconsistências são situações comuns, gerando inúmeros problemas, desde a desmotivação no uso das ferramentas tecnológicas, a desorganização dos dados dos usuários que diretamente implica na qualidade do monitoramento e acompanhamento no serviço e por fim pode implicar em perdas financeiras considerando o financiamento do previne brasil. Essa experiência demonstra que em meio a tantos desafios para a reorganização cadastral é preciso reconhecer a realidade, montar uma equipe de apoio, efetivar ações de treinamento, elaborar planejamento e construir metas bem definidas. Outra ação essencial é o monitoramento dos dados, destacar os profissionais que estão executando as metas, acaba por motivar os demais. O município em quatro meses avançou de forma significativa o cadastramento, não apenas no sentido quantitativo, mas também qualitativo ao ponto que reduzir quase zerando suas inconsistências. Agora, depois de estabelecida uma rotina de cadastramento e atualização de forma eficiente, passaremos para a etapa de identificação e unificação das duplicidades, seguindo assim o caminho ideal para ter uma base de cadastro da população que ajude os profissionais a acompanhar com qualidade nossos munícipes.