Tema: MODELO DE ATENÇÃO À SAÚDE
Autor(a)
JULIETTE KARLENE CASTRO LEITE
Coautor(es)
ANA MARIA DOS SANTOS
KARINA SANTOS TEIXEIRA LOPES
MARINA GOMES DA SILVA
PALOMA ABREU DE OLIVEIRA
VINICIUS PIRES
Este trabalho descreve a experiência de reorganização do processo de avaliação diagnóstica multiprofissional de crianças com suspeita de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Deficiência Intelectual (DI) na Unidade Especializada da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (UEPA), vinculada a um centro de reabilitação do SUS. A experiência foi desenvolvida no mês de janeiro, período em que se observa redução sazonal da frequência das crianças já inseridas em acompanhamento terapêutico. A partir dessa análise situacional, foi estruturada uma programação assistencial específica para ampliar a capacidade avaliativa do serviço, sem interrupção dos atendimentos regulares. A iniciativa teve como finalidade qualificar o acesso à investigação diagnóstica, reduzir o tempo de espera para definição clínica e fortalecer a articulação multiprofissional na elaboração de relatórios unificados para subsidiar a conduta médica especializada.
Objetivo geral: Analisar a contribuição do serviço diagnóstico multidisciplinar, realizado por uma equipe com doze profissionais, no processo de avaliação e identificação de crianças com suspeita de Transtorno do Espectro Autista e Deficiência Intelectual em um centro especializado em reabilitação. Objetivos específicos: Descrever o funcionamento do serviço diagnóstico multidisciplinar no processo de avaliação infantil Identificar os principais indicadores comportamentais, comunicacionais e funcionais observados durante a avaliação Analisar a contribuição de cada área profissional (psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, educador físico, fisioterapeuta e musicoterapeuta) na construção da hipótese diagnóstica Compreender a importância da avaliação interdisciplinar para a definição de encaminhamentos terapêuticos e acompanhamento clínico.
A experiência foi desenvolvida na unidade, mediante reorganização temporária da agenda assistencial durante o mês de janeiro. Considerando a redução sazonal da frequência das crianças em acompanhamento no período de férias, foi instituído um arranjo de cuidado que assegurou, no turno da manhã (9h às 11h), a manutenção dos atendimentos das crianças já vinculadas ao serviço por meio de atividades coletivas internas e externas. No turno da tarde, a equipe multiprofissional realizou a avaliação das crianças que se encontravam em fila de espera para definição diagnóstica. O processo avaliativo foi estruturado em quatro encontros por criança: um momento de anamnese com os responsáveis e três atendimentos diretos, com periodicidade semanal e duração média de 50 minutos. Participaram profissionais das áreas de psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, educação física, fisioterapia e musicoterapia, com utilização de protocolos e instrumentos específicos de cada núcleo profissional, articulados em discussão interdisciplinar. Ao término do percurso avaliativo, foi elaborado relatório multiprofissional unificado, encaminhado para a neuropediatria e/ou psiquiatria, com vistas à definição diagnóstica e ao planejamento terapêutico.
A reorganização assistencial possibilitou a avaliação multiprofissional de 30 crianças que aguardavam definição diagnóstica, com absorção integral da demanda programada para essa etapa do serviço. Simultaneamente, foi mantida a assistência às crianças já inseridas em acompanhamento na unidade, sem suspensão dos atendimentos, por meio da oferta de atividades coletivas no turno da manhã. Dessa forma, a estratégia ampliou a capacidade operacional do serviço sem comprometer a continuidade do cuidado. A atuação articulada entre psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, educação física, fisioterapia e musicoterapia permitiu análise ampliada dos aspectos comportamentais, comunicacionais, motores, sensoriais e funcionais do desenvolvimento infantil. O processo culminou na elaboração de relatórios multiprofissionais unificados, qualificando a comunicação com a neuropediatria e a psiquiatria e favorecendo maior consistência na definição diagnóstica e nos encaminhamentos subsequentes. Entre os principais resultados observados destacam-se a qualificação do fluxo assistencial, a organização da fila de espera, a ampliação do acesso à avaliação especializada e o fortalecimento da prática interdisciplinar como dispositivo de gestão e cuidado.
A experiência demonstrou que a reorganização temporária da agenda assistencial, baseada na análise do comportamento sazonal da frequência no período de férias, constitui estratégia viável para ampliar o acesso à avaliação diagnóstica multiprofissional sem prejuízo à assistência regular. A avaliação integrada e a elaboração de relatório multiprofissional unificado favoreceram maior robustez técnica ao processo diagnóstico e maior ordenamento dos encaminhamentos clínicos e terapêuticos. Trata-se de estratégia com potencial de replicabilidade em serviços especializados que enfrentam demanda reprimida para investigação de TEA e DI, especialmente por combinar continuidade do cuidado, racionalização do processo de trabalho e qualificação da atenção no âmbito do SUS.