autor(a)
VALMIRLAN FECHINE JAMACARU
A capacitação dos dentistas das Equipes de Saúde Bucal pelo Núcleo de Educação Permanente em Saúde (NUEPS) do município de Horizonte visa à formação desses profissionais com oficinas e cursos que subsidiam a prática e procedimentos voltados para a Saúde Bucal, relatamos a experiência entre outubro de 2021 e agosto de 2022 em que foram realizadas seis oficinas presenciais tratando de assuntos atuais ou que representam maiores dificuldades na prática odontológica como a infecção por SARS-Cov2, prescrição medicamentosa de analgésicos e antiinflamatórios e anestesia local durante o período gestacional. Em razão da pandemia e de todo o risco que ela representou para a saúde pública mundial, escolhemos como primeiro tema a infecção causada pelo novo Coronavírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave 2 (SARS-CoV-2). Buscamos demonstrar através de estudos científicos revisionais o aparecimento de vários sinais e sintomas orofaciais em pacientes acometidos pela Covid-19, como: Alterações de paladar e olfato boca seca úlceras em mucosa oral aumento dos linfonodos cervicais aumento dos linfonodos submandibulares, etc. Já os temas da prescrição de analgésicos e antiinflamatórios e anestesia local em gestantes foram abordados em razão do receio que representa a prescrição desses medicamentos no período gestacional muito em função dos riscos à formação fetal, com ênfase nas alternativas medicamentosas e na criação de um protocolo para a administração de anestesia local em gestantes.
OBJETIVO GERAL: - Atualizar os profissionais dentistas das Equipes de Saúde Bucal (ESB) do município de Horizonte através de oficinas sobre assuntos de interesse clínico. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: - Demonstrar através de estudos científicos revisionais o aparecimento de vários sinais e sintomas orofaciais em pacientes acometidos pela Covid-19, como: alterações de paladar e olfato boca seca úlceras em mucosa oral aumento dos linfonodos cervicais aumento dos linfonodos submandibulares - Indicar a melhor prescrição de analgésicos e antiinflamatórios em gestantes de acordo com o trimestre de gravidez e que ofereça eficácia e segurança farmacológica - Criar um protocolo para a administração segura de anestesia local em gestantes seja na gravidez normal, seja na gravidez complicada.
Para a apresentação das oficinas foram convidados de forma prévia todos os profissionais dentistas da atenção básica do município de Horizonte sendo realizadas ao todo seis oficinas que foram divididas em três temáticas ficando duas delas para cada tema: duas oficinas para “Possíveis Manifestações Orais da Covid-19” duas oficinas para “Prescrição de Analgésicos e Antiinflamatórios em Gestantes” e duas oficinas para “Administração Segura de Anestesia Local em Pacientes Gestantes”. Cada oficina teve a duração de duas horas e meia e foi realizada no auditório da Secretaria de Educação em Horizonte, sendo utilizados como recursos didáticos computador, projetor de slides, artigos científicos impressos, pincéis, folhas cartolina e painéis de exposição. Cada oficina constou de três partes, a primeira parte com a duração de uma hora com exposição do tema pelo palestrante e a segunda parte de uma hora e meia para a discussão de um artigo científico correlacionado ao tema entre os dentistas sendo que os mesmos foram divididos em 05 subgrupos de 05 ou 06 dentistas para uma discussão interna em cada subgrupo, inicialmente, e depois a análise geral com a exposição do entendimento de cada um dos 05 subgrupos em painéis em que se apontava vantagens, desvantagens, discordância e observações. A ideia é que este método com a oficina em três momentos palestra, discussão em grupos e análise geral permitiria o melhor aprendizado dos participantes já que os envolvia no processo de maneira ativa.
Com as oficinas sobre as Possíveis Manifestações Orais da Covid-19, tivemos a discussão de alguns pontos pela exposição do palestrante e pela análise do artigo científico, entre eles a concordância dos presentes que pacientes com coronavírus apresentaram algumas lesões orais, tais como: gengivite, disgeusia, petéquias, candidíase oral e ulcerações. Entretanto, não se definiu ou deduziu se essas lesões são advindas do Covid-19, ou se são reações adversas causadas por fármacos utilizados no tratamento da doença, ou se originadas pela coinfecção e imunidade baixa. Já as desordens no paladar por consenso foram os sintomas bucais mais recorrentes entre os pacientes com Covid-19, sendo comumente encontradas nas fases mais brandas e moderadas da doença e em pacientes do sexo feminino. No tocante aos analgésicos, os resultados apontaram que o paracetamol se constitui a primeira escolha para gestantes por ser considerado seguro (risco b) para qualquer período da gestação. Como segunda opção, recomenda-se a dipirona, mas somente no 2º. trimestre, sendo que o uso durante esse período de gravidez só deve ocorrer após avaliação do potencial risco/benefício pelo profissional. Quanto aos anestésicos locais em gestantes foi criado um protocolo para procedimentos eletivos que seria: programar preferencialmente para o 2º. trimestre de gestação usar lidocaína 2% com epinefrina (1:100.000/ 1:200.000) ou lidocaína 2% com fenilefrina: 1:2.500 com o limite de dois tubetes (3,6ml) por atendimento.
A capacitação e atualização dos dentistas das Equipes de Saúde Bucal pelo Núcleo de Educação Permanente em Saúde do município de Horizonte por meio de oficinas presenciais realmente trouxeram ganhos consideráveis na formação desses profissionais na medida em que despertou um olhar clínico sobre as possíveis lesões e manifestações orais da Covid-19 como gengivite, disgeusia, petéquias, candidíase oral e ulcerações, muitas delas não percebidas e nem diagnosticadas durante o período pandêmico pelos dentistas, seja pela própria dificuldade do reconhecimento, seja pela dúvida quanto à verdadeira origem dessas lesões. Quanto à temática dos analgésicos, o paracetamol se constitui a primeira escolha para gestantes por ser considerado o mais seguro em qualquer período da gestação. Como segunda opção, conclui-se que a dipirona é a escolha, mas somente no 2º. trimestre, sendo que o uso só deve ocorrer após avaliação do potencial risco/benefício pelo profissional. Quanto aos anestésicos locais em gestantes foi criado um protocolo para procedimentos eletivos que seria: programar preferencialmente para o 2º. trimestre de gestação e usar 02 tubetes de lidocaína 2% com epinefrina (1:100.000/1:200.000) ou de lidocaína 2% com fenilefrina: 1:2.500.