Autor(a)
Iasmin Belem Silva Queiroz
Coautor(es)
Francisca Vaneska Lima Nascimento
Marília Ramos Eduardo
Tatiane Melo Ramos Lima
Líbia Lopes Martiniano
Jaziane Siqueira Nunes Machado
Ângelo Luis Leite Nóbrega
Roberta Bento Lins Paiva
Ângelo Luiz Leite Nóbrega
Luiza Maria Dias Firmeza
Para o Ministério da Saúde-MS (2004), a educação permanente em saúde é fundamental para a qualificação dos trabalhadores e para a melhoria da gestão no Sistema Único de Saúde (SUS). A atividade abordou a necessidade de capacitação dos gestores de Unidades de Atenção Básica (UBS) no município de Itaitinga-CE, uma cidade com aproximadamente 70.000 habitantes, localizada na região metropolitana de Fortaleza. Itaitinga enfrenta desafios típicos de municípios em crescimento, como a gestão de recursos de saúde e a garantia de acesso a serviços básicos. Em dezembro de 2024, o evento foi realizado na Câmara Municipal de Vereadores e contou com a participação de 14 profissionais, entre enfermeiros, um dentista e a coordenadora da atenção básica. O Núcleo Municipal de Educação Permanente em Saúde (NUMEPS) motivou a realização dessa capacitação após identificar que os gestores enfrentavam dificuldades em suas funções na Atenção Básica (AB), incluindo a falta de conhecimento sobre as atribuições e a escassez de treinamentos prévios. A capacitação visou não apenas aprimorar as habilidades de liderança, mas também promover a troca de experiências e a construção de um ambiente colaborativo, essencial para a melhoria da gestão das UBS em Itaitinga.
Objetivo geral: Capacitar gestores de UBS em liderança, comunicação não violenta e ética profissional. Objetivos específicos: Discutir as funções e atribuições dos gestores, fomentar a troca de experiências e promover a reflexão sobre desafios enfrentados na gestão de unidades de saúde.
A capacitação foi estruturada em duas partes: um pré-teste, que avaliou as percepções dos participantes sobre suas funções e necessidades de conhecimento, e a capacitação prática, com discussões em grupo e estudo de caso. Utilizou-se uma abordagem participativa, com técnicas de comunicação não violenta e dinâmicas de grupo, promovendo um ambiente de aprendizado ativo. Ao final, foi aplicado um pós-teste para avaliar a percepção sobre o aprendizado obtido.
No pré-teste, ao questionar "o que é e o que faz um gerente de UBS?", enfatizou-se a multifuncionalidade do papel, identificando-o como líder que planeja, organiza, gerencia e resolve problemas e atua como profissional espelho, com habilidades de comunicação e empatia. Ressaltaram a importância de um bom relacionamento com a equipe, destacando que, além das atribuições gerenciais, também respondem pelo atendimento assistencial. Indagados sobre os conhecimentos necessários, os gestores apontaram a necessidade de habilidades em liderança, gestão de pessoas, negociação e comunicação. Também destacaram a importância de compreender diretrizes do Ministério da Saúde e protocolos do SUS. Demonstraram que, embora houvesse alguma formação acadêmica, a falta de capacitação específica para o gerenciamento das UBS era uma lacuna significativa. No pós-teste, foram unânimes em considerar a capacitação como uma experiência enriquecedora e dinâmica. Os participantes afirmaram ter adquirido novos conhecimentos sobre gestão de equipe e funcionamento dos serviços, sublinhando que a gestão vai além da mera administração. Eles valorizaram a abordagem sobre empatia, ética e comunicação, indicando que esses aspectos são fundamentais para o sucesso na liderança das UBS. Foi sugerido que a capacitação fosse realizada anualmente e que abordasse novos temas, como informática. Evidenciando-se a necessidade de um suporte contínuo para o desenvolvimento das competências gerenciais na AB.
Alcançou-se com sucesso seus objetivos ao aprimorar as competências dos gestores de Unidades de Atenção Básica. Os participantes não apenas reconheceram a relevância desses conhecimentos para a melhoria da gestão, mas também expressaram um desejo unânime por treinamentos contínuos, evidenciando a necessidade de um desenvolvimento profissional que se estenda além da capacitação inicial. Os resultados sugerem que a experiência pode servir como um modelo replicável em outros municípios da região, onde desafios semelhantes são enfrentados na gestão da saúde. A abordagem prática e participativa, aliada à discussão de casos reais e à ênfase em habilidades interpessoais, demonstrou ser uma estratégia inovadora e eficaz. Para promover uma gestão mais humanizada e eficiente, recomenda-se que os municípios considerem a implementação de capacitações anuais e a diversificação dos temas abordados, como tecnologias de informação e gestão de equipe, para fortalecer ainda mais as capacidades dos gestores. Assim, esta experiência não apenas contribuiu para o fortalecimento da gestão em Itaitinga, mas também estabeleceu um caminho para a inovação e a troca de boas práticas entre municípios.