Tema: MODELO DE ATENÇÃO À SAÚDE
Autor(a)
Nathalia Medeiros Mesquita
Coautor(es)
Amanda Lorena Santos de Freitas (CRP 11/13194) – Coordenadora da Saúde Mental e Psicóloga Clínica
Pedro Marinho dos Santos Junior (CREFITO 7503) Terapeuta Ocupacional
Marina Araújo Ferreira Cordeiro (CRP 11/13593 )– Coordenação Adjunta Saúde Mental e Psicóloga.
Antônio Marcos Falcão Júnior – Estudante de Engenharia Ambiental e Sanitária - Servidor na SEMURB (Secretaria Meio Ambiente e Urbanismo)
Levi da Silva Lima - Cientista Social - Educador Ambiental na SEMURB (Secretaria Meio Ambiente e Urbanismo)
Em alusão a Campanha do setembro Amarelo do ano de 2021, buscamos inovar e dedicar o mês de setembro para que fosse possível refletir sobre a vida e como poderíamos nutrir os cuidados pessoais com o meio ambiente. O Caps Infantil de Maranguape, possui diversas demandas de crianças e adolescentes com transtornos mentais graves, severos e persistentes entre eles diagnósticos de autismo, ansiedade, depressão entre outros, com quase quatro mil usuários com idades de 4 a 18 anos. A pandemia de Covid-19 tem se mostrado um evento traumático para muitas pessoas, levando ao aumento exponencial de sentimento de medo, estresse e sobrecarga emocional, principalmente com o isolamento social. Desta forma, buscamos junto com os usuários e familiares realizar trilhas no Campo Florestal Renato Braga, um espaço voltado para a preservação da natureza e cuidado ao meio ambiente, para que fosse possível a realização de caminhadas em pequenos grupos para promover e fortalecer praticas de cuidado em saúde de forma ampliada em seu território. Durante nos encontros das trilhas realizados tivemos a presença de 8 usuários acompanhado um 1 responsável por encontro. A motivação para a realização desse projeto surge em um grupo terapêutico com adolescentes no caps em que eles retratam a dificuldade de circularem pelo território, do preconceito que enfrentam para serem incluídos na sociedade e até mesmo pela dificuldade de seus familiares reconhecerem suas potencialidades.
Objetivo Geral: Fortalecer práticas de cuidado em saúde de forma ampliada contribuindo para a gestão do SUS e para a garantia do direito à saúde da população em ações de trabalho intersetorial no território para usuários do CAPS Infantil e seus familiares no município de Maranguape/CE. Objetivos específicos: •Proporcionar momento de cuidado e reflexão sobre saúde mental e natureza para crianças, adolescentes e familiares dos usuários do CAPS Infantil •Desenvolver ações que auxiliem no aumento comportamental e no processamento sensorial em contato com a natureza dos pacientes autistas •Proporcionar momentos de integração social para as crianças e adolescentes usuárias do CAPS infantil •Promover um espaço para a troca de experiências e reflexões estimulando e fortalecendo as práticas de ações comunitárias •Refletir sobre estratégias de cuidado em saúde mental que envolva atividades ao ar livre
A proposta metodológica surge em um grupo de adolescentes no caps após uma delas reforçar o desejo de participar de uma trilha na serra de Maranguape, contudo uma trilha exigiria maior condicionamento físico e encontramos como possibilidade o Parque Florestal Renato Braga. Foram realizadas reuniões com a equipe da secretaria de meio ambiente, uma parte da equipe da rede de saúde mental e secretaria de agricultura para alinhar a proposta metodológica. Os usuários fizeram o trajeto acompanhados por profissionais da saúde mental e do meio ambiente, e os seus responsáveis estiveram em um grupo terapêutico realizando praticas integrativas com o terapeuta ocupacional. A equipe da secretaria de meio ambiente preparou um mapa com itens da natureza que os usuários iriam encontrar caçar caminho. O objetivo do mapa era proporcionar uma busca atenta à natureza, tornar a caminhada mais diretiva e integrar a participação para encontrar e marcar no mapa a nuvem, folhas secas, beija flor, tronco de árvore, teia de aranha, pegadas e outras coisas mais pelo caminho. Os responsáveis encontrariam as crianças e adolescentes após a trilha quando estaríamos realizando a plantação de algumas sementes e faríamos junto um piquenique. Durante todo o percurso da trilha, com o mapa, o momento da plantação e do pic-nic estivemos atentos em busca de fortalecer a autonomia, percepção visual, consciência corporal, socialização e conscientização de cuidado com a natureza e valorização da vida.
Encontramos como resultado da proposta intersetorial possibilidade de espaço para desenvolver autonomia dos usuários que mesmo acompanhados por um profissional da equipe, em sua maioria buscaram caminhar sozinhos, ficaram atentos à natureza, buscaram se comunicar com os colegas se mostrando abertos a ficarem mais distante dos seus familiares, mesmo que um curto espaço de tempo. Com o desenvolvimento de ações intersetoriais conseguimos familiarizar os profissionais do meio ambiente com os usuários do caps, fazendo com que crianças e adolescentes que apresentam algum transtorno grave, severo e persistente fossem vistas em um espaço público e integrada com outras secretarias. Uma forma de ampliar e promover saúde no território, favorecendo cuidado antimanicomial, integrado e de afirmação à vida. Possibilitando o contato com a natureza, com texturas (areia, folhas, sementes, água), valorização da vida e a socialização. Uma criança com diagnostico de TEA mesmo inicialmente não conseguindo concluir a trilha voltou outras vezes para finalizar o percurso. Uma adolescente bem dependente da mãe ficou bem com a separação no momento da trilha e teve sua autonomia afirmada e buscou reproduzir essa autonomia em outros espaços. Os familiares observaram e reconheceram as potencialidades na realização da trilha, no momento da plantação, e nos momentos de integração sendo a ação do “CAPS NA TRILHA DO CUIDADO” uma forma de promoção, prevenção e recuperação da saúde para usuários e familiares.
Somos norteados pelos princípios doutrinários do SUS que falam sobre a universalização, a equidade e a integralidade da promoção em saúde onde buscamos seguir esses princípios com a compreensão do conceito da saúde de forma ampliada, não somente como a falta de doenças. Compreendemos que o cuidado em saúde mental deve ser realizado no território como preconiza a RAPS, com a circulação pelo território de pessoas em situação de sofrimento psíquico severo e persistente na busca por inserir essas pessoas nas ações comunitárias para promover inclusão, promoção de saúde e um cuidado humanizado de acordo com as suas capacidades. Diante do contexto de covid-19 as pessoas foram obrigadas a cumprir um isolamento social que afetou de forma muito significativa a vida das pessoas, sendo necessário um esforço conjunto de um para a realização de ações e de trabalho intersetorial. Buscamos integrar as secretarias de saúde, meio ambiente e agricultura para fortalecer práticas de cuidado intersetorial que envolvam a ocupação e circulação de usuários do caps infantil pelo campo florestal Renato Braga no município de Maranguape/CE.