Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Geane da Luz Lemos
Coautor(es)
Erika Galvão de Oliveira
Mércia Estela Fonseca Morais
Aline Maria Alencar da Franca
Ana Maria Barreto de Araújo Couto
A Rede de Banco de Leite Humano (rBLH-BR) consiste em um conjunto de ações estratégicas voltadas à promoção, proteção e incentivo ao aleitamento materno. Suas atividades incluem a coleta, o processamento e a distribuição de leite humano, garantindo que bebês prematuros ou de baixo peso internados em UTIs neonatais recebam esse alimento essencial.(1) A doação de leite materno é fundamental para a recuperação e o desenvolvimento desses bebês, que muitas vezes precisam de apenas 1ml por refeição. Toda mulher que amamenta pode ser uma doadora, desde que seja saudável e não utilize medicamentos que interfiram na amamentação. O leite doado passa por rigorosos processos de análise, pasteurização e controle de qualidade antes de ser distribuído.(2) Diante dessa necessidade, em 2022 foi implementado o Posto de Coleta de Leite Humano (PCLH) do Banco de Leite do Hospital Maternidade São Vicente de Paulo, na cidade de Jardim-CE. A experiência exitosa apresentada neste trabalho foi desenvolvida entre o segundo semestre de 2023 e 2024, tendo como público-alvo gestantes e puérperas da região. A implantação teve um caráter estratégico, pois a equipe da maternidade do hospital de referência do município observou o grande potencial de produção de leite das mulheres jardinenses. Algumas já doavam, apesar das dificuldades logísticas. Nesse contexto, o uso da tecnologia se tornou um grande aliado na captação de doadoras, facilitando o contato e o acompanhamento por meio das redes sociais.
Apresentar uma experiência exitosa na implementação do Posto de Coleta de Leite Humano do Hospital Maternidade São Vicente De Paulo, na cidade de Jardim-CE, destacando sua importância para a captação e armazenamento do leite materno.
Trata-se de uma experiência exitosa baseada em estratégias implementadas pelo Posto de Coleta de Leite Humano (PCLH) de Jardim-CE, visando ampliar a captação de leite materno por meio de ferramentas digitais e maior aproximação com o público. O aleitamento materno reduz a mortalidade infantil. Segundo o IBGE, em 2022, a taxa de mortalidade infantil no município foi de 19,89, um índice preocupante que motiva a gestão a buscar soluções para sua redução.(3) Apesar de o PCLH ter sido criado em 2022, foi apenas no segundo semestre de 2023 que uma enfermeira assumiu sua coordenação, fortalecendo o trabalho junto a gestantes e puérperas, potenciais doadoras. A captação conta com o apoio das 13 equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF), destacando-se os agentes comunitários de saúde (ACS), essenciais na identificação de doadoras, e os enfermeiros das unidades. O uso de aplicativos como WhatsApp e Instagram tornou o contato mais acessível, permitindo o cadastro e acompanhamento das mulheres interessadas. As redes sociais facilitaram a disseminação de informações sobre o tema, abordando a pega correta, possíveis desafios, mitos sobre a amamentação e estratégias para manter o aleitamento após o retorno ao trabalho ou aos estudos. Além do atendimento individualizado, são realizadas campanhas para incentivar o aleitamento materno exclusivo até os seis meses. Durante essas campanhas, o PCLH é amplamente divulgado, ampliando sua rede de apoio e fortalecendo a captação de leite humano.
A designação de um profissional responsável pelo PCLH de Jardim-CE resultou em um aumento expressivo no número de doadoras. No final do segundo semestre de 2023, o município contava com 11 doadoras, arrecadando 47.950ml de leite materno. Já ao final de 2024, esse número subiu para 20 doadoras, totalizando 64.080ml coletados. Inicialmente, a ampla divulgação do PCLH durante o Agosto Dourado de 2023 foi essencial, mas o grande diferencial veio com o uso estratégico das mídias sociais. A enfermeira responsável disponibilizou seu número de WhatsApp e Instagram para os ACS, que foram importantes no contato com possíveis doadoras. O primeiro contato, na maioria das vezes, ocorreu via WhatsApp, onde as mães eram orientadas e cadastradas de maneira prática e acessível. Além disso, a Secretaria de Saúde disponibilizou transporte para visitas domiciliares, permitindo que a enfermeira entregasse potes esterilizados, explicasse a forma correta de ordenha e armazenamento e realizasse coletas semanais em domicílio. Mães com dificuldades na amamentação receberam suporte remoto com vídeos e imagens explicativas, e, quando necessário, visitas presenciais.. O uso da tecnologia tornou-se essencial para facilitar a doação de leite materno, especialmente para mães com dificuldades de locomoção devido a outros filhos, afazeres domésticos ou falta de transporte. Dessa forma, em 2024, o PCLH se mostra cada vez mais ascendente reforçando o impacto positivo dessas estratégias no município.(4)
O objetivo de apresentar uma experiência exitosa na implementação do Posto de Coleta de Leite Humano em Jardim-CE foi alcançado mesmo diante dos desafios enfrentados na captação de doadoras. A adoção de estratégias inovadoras, como o uso de mídias sociais e a comunicação via WhatsApp, revelou-se essencial para aumentar a adesão das mães à doação de leite materno, superando as dificuldades iniciais. A possibilidade de realizar cadastros à distância, a entrega domiciliar dos potes esterilizados e o suporte contínuo às lactantes facilitaram a participação das doadoras, respeitando suas rotinas e limitações. Além disso, as orientações sobre amamentação contribuíram para fortalecer o aleitamento materno, ampliando o número de doadoras. O impacto positivo dessas ações é evidente no crescimento das doações, refletindo também no aumento do volume de leite coletado. Esses resultados demonstram a importância da tecnologia somado à humanização do atendimento, que são fundamentais para a captação e manutenção das doadoras, beneficiando bebês prematuros e de baixo peso, que dependem do leite materno para seu desenvolvimento saudável e para a garantia de melhores condições de vida.