Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Eça da Silva Canto Júnior
Coautor(es)
Ana Karla Brasil Santiago
Carlos Eduardo Campos de Melo
Erivaldo de Carvalho Rocha
Daniela de Oliveira Nascimento
Ana Maria de Paiva Bezerra
Iara Eloane Bezerra Guerreiro
O acelerado processo de transição demográfica no Brasil, caracterizado pelo aumento da população idosa, impõe desafios estruturais à gestão pública, especialmente no que se refere à garantia de envelhecimento com autonomia, participação social e qualidade de vida. No âmbito do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), articulado ao Sistema Único de Saúde (SUS), emergem estratégias territoriais que visam responder às demandas complexas dessa população, considerando determinantes sociais, condições de saúde e fragilidades nos vínculos sociais. Nesse contexto, o município de Nova Russas – Ceará implantou, em 2024, o Centro de Convivência da Pessoa Idosa – Casa do Idoso, configurando-se como dispositivo intersetorial de cuidado e promoção da saúde, vinculado à proteção social básica. A iniciativa articula ações entre assistência social, saúde, educação e cultura, com foco na promoção do envelhecimento ativo, prevenção do isolamento social e fortalecimento da autonomia funcional. A experiência apresenta-se como prática exitosa no âmbito da gestão municipal, ao integrar cuidado biopsicossocial e estratégias comunitárias, contribuindo para o fortalecimento das redes de atenção e para a qualificação das políticas públicas voltadas à pessoa idosa.
OBJETIVO GERAL Analisar a implantação da Casa do Idoso como estratégia intersetorial de promoção do envelhecimento ativo, prevenção do isolamento social e fortalecimento da autonomia da pessoa idosa no município de Nova Russas – Ceará. OBJETIVOS ESPECÍFICOS •Descrever a organização e o funcionamento do Centro de Convivência da Pessoa Idosa no âmbito da proteção social básica •Avaliar os efeitos das atividades ofertadas na manutenção da autonomia funcional e da mobilidade da população idosa •Investigar o impacto das ações na ampliação da participação social e no fortalecimento dos vínculos comunitários •Analisar as contribuições do acompanhamento psicossocial para o enfrentamento de situações de vulnerabilidade e isolamento social •Examinar a efetividade da articulação intersetorial entre assistência social, saúde, educação e cultura na promoção do cuidado integral à pessoa idosa •Identificar potencialidades da experiência como modelo replicável para outros territórios no âmbito das políticas públicas.
O relato de experiência desenvolvido no município de Nova Russas – Ceará, a partir da implantação do Centro de Convivência da Pessoa Idosa – Casa do Idoso, no ano de 2024. O serviço está vinculado à Secretaria do Trabalho e Assistência Social, integrando as ações do Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF), no âmbito da proteção social básica do SUAS. O equipamento funciona em regime semanal, com oferta contínua de atividades físicas, culturais, educativas e psicossociais. A população atendida é composta por pessoas idosas residentes no território, acompanhadas de forma sistemática por equipe multiprofissional, incluindo psicologia, serviço social, educação física e facilitadores culturais. As estratégias metodológicas incluem: observação sistemática das atividades registros institucionais de frequência e participação acompanhamento psicossocial dos usuários e análise qualitativa de relatos de usuários, familiares e profissionais. Foram considerados como indicadores de análise: autonomia funcional, mobilidade, participação social, fortalecimento de vínculos, bem-estar emocional e acesso às políticas públicas
A implantação da Casa do Idoso possibilitou a estruturação de um dispositivo territorial com capacidade de acompanhamento anual de aproximadamente 400 pessoas idosas, com adesão significativa às atividades propostas. Observou-se ampliação expressiva da participação social, evidenciada pelo aumento da frequência nas atividades coletivas e pela inserção ativa dos usuários em práticas comunitárias. As atividades físicas, como hidroginástica, alongamento e dança, contribuíram para a manutenção da mobilidade, melhora do condicionamento físico e preservação da autonomia funcional. No campo psicossocial, identificou-se redução de indicadores relacionados ao isolamento social, com fortalecimento de vínculos interpessoais e maior engajamento em redes de convivência. O acompanhamento psicológico e social possibilitou acolhimento qualificado, identificação de demandas latentes e encaminhamento para serviços da rede intersetorial. As atividades culturais e educativas favoreceram a estimulação cognitiva, ampliação do repertório sociocultural e fortalecimento da autoestima dos participantes. Destaca-se ainda que a articulação entre assistência social, saúde, educação e cultura ampliou o acesso da população idosa às políticas públicas, promovendo cuidado integral e contínuo. A experiência demonstrou elevada capacidade de organização do cuidado em rede, consolidando-se como estratégia efetiva de promoção do envelhecimento ativo no território.
A experiência da Casa do Idoso evidencia que dispositivos comunitários intersetoriais constituem estratégias potentes para o enfrentamento dos desafios associados ao envelhecimento populacional, especialmente no contexto dos territórios com maior vulnerabilidade social. A integração entre políticas públicas, associada à oferta de atividades físicas, culturais e psicossociais, contribui significativamente para a manutenção da autonomia, prevenção do isolamento social e promoção da qualidade de vida da pessoa idosa. Além disso, a experiência fortalece a perspectiva do cuidado integral, centrado no território e nas necessidades dos usuários, ampliando a resolutividade das ações e qualificando a gestão pública municipal. Trata-se de uma prática com elevado potencial de replicabilidade, capaz de subsidiar a formulação de políticas públicas voltadas ao envelhecimento ativo, reafirmando o papel dos municípios como protagonistas na construção de redes de cuidado inclusivas, humanizadas e sustentáveis.