Autor(a)
Francisca Luzia dos Santos Gomes
Coautor(es)
JOSETE MALHEIRO TAVARES
CAMILA ARAÚJO MONTEZUMA
MARCIA ALCANTARA HOLANDA
MARCEL MONTEZUMA SAUNDERS
ANGELA ELIZABETH DE HOLANDA ARAÚJO FREITAS
Em meio à Pandemia de COVID-19 um grupo de médicos uniu-se em defesa da ética, da ciência e da vida, nascendo assim o Coletivo Rebento. A partir desse grupo, surgiram subgrupos, dentre eles, o GT Assistencial, com voluntários que se importaram com a insegurança alimentar e a fome de famílias pobres da periferia de Fortaleza. Iniciou-se um trabalho de arrecadação de doações para preparar refeições e montar cestas básicas que seriam distribuídos entre moradores de rua e famílias que ficaram ainda mais vulneráveis no período da pandemia. O movimento cresceu, e após a passagem do maior desastre humanitário do século, o GT Assistencial Coletivo Rebento consolidou-se e adotou a Comunidade João Paulo II, no intuito de realizar um trabalho linear, na tentativa de interferir de forma positiva no desenvolvimento social daquela comunidade. Desde então foram realizadas ações mensais com a distribuição de alimentos, educação em saúde, abordando temas como a importância da vacinação, prevenção de doenças infecciosas, tratamento de doenças como asma, diabetes e hipertensão, além de ações em comemoração ao dia das crianças, das mães e natal, proporcionando momentos de alegria e resgatando valores sociais esquecidos na pandemia, prevenção às arboviroses, raiva e controle de roedores. Aliado a inquietude aliada a vontade de proporcionar algo mais sustentável a essa comunidade, que não partisse apenas de doação ou caridade, mas da ação concreta de responsabilidade do poder público.
Descrever os esforças coletivos de famílias carentes no enfrentamento a fome e outras vulnerabilidades sociais e econômicas, com apoio de voluntários, durante e no pós pandemia COVID-19 e a articulação para fazer chegar ações de vigilância em saúde na comunidade Joao Paulo II, entre os bairros Jangurussu e Barroso, em Fortaleza-CE.
Relato de Experiência do tipo descritivo, observacional, imersivo, onde os autores são sujeitos inseridos num contexto social que vivenciam a realidade local, e/ou participam em ações voluntárias desde o início da Pandemia de Covid-19 (2020) até os dias atuais (2025), atendendo 66 famílias de catadores de material reciclável, que sobrevivem com meios sub urbanos muito precários, às margens de córregos, afluentes da bacia do Rio Cocó, na região dos bairros Jangurussu e Barroso, periferia de Fortaleza-CE. Ao longo de mais de quatro anos um grupo de médicos voluntários se alternam no acompanhamento da comunidade João Paulo II, colaborando no processo saúde-doença, apoio alimentar, ações de educação em saúde, de elevação da auto estima e pertencimento, fomentando laços afetivos, convívio pacífico, auto estima, calibração de datas festivas, dentre outras atividades. Com apoio do poder público, contribuindo com o desenvolvimento social deste espaço, as ações de distribuição de cestas básicas e educação em saúde. Ainda há muito a ser feito para uma mudança de realidade mais definitiva: educação de qualidade no bairro, acesso ao serviço de saúde, dentre outros desafios. Mais recentemente, a Defesa Civil no atuou na limpeza e desobstrução de canais e córregos como forma de minimizar riscos de alagamentos, seguido de ações de prevenção às arboviroses e outras doenças endêmicas e/ou zoonoses. O passo seguinte será buscar apoio junto ao Programa Estadual Ceará Sem Fome
A articulação do grupo de voluntários, das lideranças comunitárias e os agentes do poder público, permitiu realizar um conjunto de ações em benefício da comunidade e atrair a Secretaria de Proteção Social do Estado para apoiar ações de combate a fome, sendo realizado até o momento: > Distribuição de 13 toneladas de alimentos (equivalente a 1.000 cestas básicas) > Ações mensais de educação em saúde: vacinação, prevenção de doenças infecciosas, tratamento de doenças como asma, diabetes e hipertensão, > Ações alusivas ao dia das crianças, das mães e natal, > Limpeza do canal afluente do rio Cocó nos bairros Barroso/Jangurussu (07/02/2025) > Visitas domiciliares em 684 domicílios, através da atuação de 27 agentes de endemias, > Borrifaçao de 25 quarteirões com aplicação de UBV leve para controle do mosquito alado Aedes aegypti e controle de roedores (desratização) > Encoleiramento de196 cães (prevenção a leishimaniose) e vacinação de 110 animais contra a raiva (80 cães e 30 gatos) > Alinhamento de visita de equipe técnica da Secretaria Estadual de Proteção Social e Combate a Fome na comunidade João Paulo II.
É fundamental seguir as parcerias com o poder público para contribuir com o desenvolvimento social deste espaço, manter as ações de distribuição de cestas básicas e educação em saúde. Ainda há muito a ser feito para uma mudança de realidade mais definitiva: educação de qualidade no bairro, acesso aos serviços de saúde, diminuição da violência local, saneamento, urbanização, melhorar iluminação pública, etc. Apesar de pequena, a contribuição ora relatada ameniza a fome, traz dignidade e incentiva a busca por dias melhores e mais dignos. Aproximação das famílias e a estratégia saúde da família que atua nos bairros, deve melhorar o acesso aos serviços básicos de saúde. Abertura de contato da comunidade com a Secretaria de Proteção Social do Governo do Estado - Programa Ceará Sem ´é muito relevante e oportuna. Esta ação tem uma singularidade ímpar, estimular o voluntariado e as organizações da sociedade civil e o poder público para fazer chegar as famílias mais humildes o provimento mínimo que lhe permita dignidade e cidadania.