Autor(a)
CAMILA AUGUSTA DE OLIVEIRA SA
Coautor(es)
HILARIA ALCANTARA PINTO
TATIANA VEIRA DE BRITO
FRANCISCA EDINALDA DOS SANTOS VELOSO
A presente experiência teve como objetivo o trabalho em grupo com crianças e adolescentes neurodivergentes, trabalho desenvolvido pela Terapeuta Ocupacional e a Psicopedagoga, com intuito de melhorar a interação social e a comunicação, através da intervenção multidisciplinar e o envolvimento da família. Os atendimentos grupais foram realizados no Centro Intergrado de Reabilitação de Maracanaú, Ceará, desde outubro de 2024 ate os dias de hoje, através de atendimentos semanais, intercalando as atividades(circuito psicomotor, atividades cultura, de lazer, sensorial, educativa, etc), além do envolvimento dos pais no tratamento. A população neurodivergente é definida como tendo ou relacionada a uma atividade cerebral que muitas vezes é considerada diferente do habitual, referindo-se àqueles que não são neurodivergentes e possuem um cérebro neurotípico (Donaghy Moore Green, 2023). A população neurodivergente inclui, mas não está limitada a, indivíduos com diagnóstico de condição do espectro do autismo (TEA), transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e/ou transtorno de coordenação do desenvolvimento (TDC), também conhecido como dispraxia. A importância da experiência reside no fato de que, ao trabalhar em grupo, ocorre um espaço de troca favorecendo o desenvolvimento da criança e do adolescente, além do envolvimento dos familiares.
• Descrever os benefícios do trabalho em grupo no desenvolvimento social, emocional e cognitivo de crianças e adolescentes neurodivergentes, enfatizando a importância da interação social e do envolvimento familiar no processo terapêutico • identificar as estratégias utilizadas no trabalho em grupo para estimular a autonomia, a comunicação e a interação social de crianças e adolescentes neurodivergentes • Analisar a influência das interações sociais no desenvolvimento da linguagem, da aprendizagem e das habilidades sociais • Estimular a corresponsabilidade dos pais, o envolvimento familiar no tratamento.
A estratégia utilizada foi a implantação de grupos (formado por 10 crianças e adolescentes), que eram atendidas individualmente e que receberam alta, porém necessitam de trabalho em grupo, visando proporcionar oportunidades únicas para a aprendizagem social, o desenvolvimento de habilidades de comunicação e a prática de interações sociais significativas. O estudo foi realizado em formato experimental, com a implantação de três grupos semanais, através da ludicidade, socialização, do compartilhar, de atividades educativas num ambiente onde possam ser imediatamente ensaiadas e reforçadas, proporcionando assim uma experiência social positiva (Hotton Coles, 2016). As fontes de dados utilizadas para experiência incluíram registros nos relatórios, adesão ao grupo e relato dos familiares. Os recursos empregados foram as diversas atividades realizadas, desde atividades de lazer, cultural, atividades de vida diária, educativa e de socialização
Os resultados da experiência evidenciaram impactos significativos na qualidade do trabalho realizado em parceria entre a Terapeuta Ocupacional e a Psicopedagoga, demonstrando que o grupo proporcionou benefícios tanto para crianças quanto para os adolescentes. Observou-se que, no processo de socialização, embora os pais desempenhem um papel fundamental como agentes socializadores desde cedo, eles não são os únicos influenciadores no desenvolvimento da personalidade de seus filhos. A interação social é essencial, pois serve como base para o desenvolvimento infantil e está diretamente relacionada à aquisição da linguagem e do aprendizado. A capacidade simbólica é a habilidade que conecta todos esses processos e tem sua origem nas experiências de interação entre a criança, o adolescente e seus cuidadores, especialmente por meio dos jogos sociais. Pode-se afirmar que as interações com os pares são comportamentos adquiridos ao longo das vivências. O desenvolvimento social, sob a perspectiva do grupo, destaca a diversidade de estratégias adaptativas utilizadas em diferentes contextos e situações, permitindo que crianças e adolescentes ampliem suas habilidades sociais, assumam posturas ativas e desenvolvam maior autonomia. Por fim, incentivar a participação ativa dos pais no tratamento, engajá-los nas atividades terapêuticas e no acompanhamento em casa, fortalece os laços familiares, potencializando os resultados.
O desenvolvimento da capacidade de crianças e adolescentes neurodivergentes para se envolverem em interações com seus pares depende tanto de suas características individuais quanto, principalmente, da oportunidade de conviver, desde cedo, em ambientes que favoreçam essas interações, como a escola, grupos terapêuticos, comunidades religiosas, etc. É inegável a relevância das experiências precoces com pares para a construção da competência social. A participação em brincadeiras e jogos mais complexos nos primeiros anos, especialmente na fase pré-escolar, está associada a um maior desenvolvimento de comportamentos sociais. Conclui-se que a intervenção multidisciplinar no tratamento em grupo, aliadas ao envolvimento ativo da família, são fundamentais para o sucesso do tratamento de crianças e adolescentes neurodivergentes, proporcionando melhores resultados em termos de desenvolvimento social, comunicação e qualidade de vida.