Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Amanda Martins Sousa
Coautor(es)
Liliana Vieira Martins Castro
Mariana Campos da Rocha Feitosa
Alessandra Holanda Vanderlei
A Rede Cegonha foi instituída no âmbito do Sistema Único da Saúde no ano de 2011, respaldando-se nos princípios da humanização e da assistência, que asseguram às mulheres o direito ao planejamento reprodutivo, à atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério e às crianças, o direito ao nascimento seguro, ao crescimento e ao desenvolvimento saudável (BRASIL, 2011). Em concordância com tais princípios, a Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil nasce de uma união das ações da Rede Amamenta Brasil e da Estratégia Nacional de Promoção da Alimentação Complementar Saudável (Enpacs), que foram lançadas em 2008 e 2009, mutuamente, com a destinação de promover a reflexão da prática da atenção à saúde de crianças de 0 a 2 anos de idade e a qualificação dos profissionais de saúde, por meio de atividades participativas, incentivando a troca de experiências e a construção do conhecimento a partir da realidade local (BRASIL, 2015). Reconhecidamente há anos, o aleitamento materno é a mais sábia estratégia natural de afeto, vínculo, nutrição e proteção para a criança e inúmeras são suas vantagens tanto para a mãe quanto para seu filho (BRASIL, 2002). Em consonância com o programa foi implantada as ações da Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB) no Município de São Gonçalo do Amarante, visando o fortalecimento das ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno para crianças menores de dois anos de idade, aprimorando as competências e habilidades dos profissionais.
Relatar a experiência acerca da realização de oficinas para atualização dos conhecimentos da equipe de Estratégia de Saúde da Família, sobre o aleitamento materno efetivo de forma lúdica, resultando em uma assistência qualificada para o binômio mãe-bebê e na elaboração de uma cartilha de aleitamento materno com o intuito de ser um material para subsidio aos profissionais de saúde do município.
Trata-se de um estudo composto por duas etapas, sendo a primeira um relato de experiência sobre as oficinas e a segunda, um estudo metodológico com a elaboração de um produto. Foi traçado o planejamento dos momentos de qualificação e construído um cronograma com as datas dos encontros, sendo o território divido por polos de acordo com a divisão administrativa do município (Sede, Praia e Sertão). Aconteceu um encontro por Unidade Básica de Saúde, totalizando 22 encontros. A equipe de palestrantes teve sua composição formada por Nutricionista, Fonoaudiólogo, Psicólogo e Terapeuta Ocupacional e por Enfermeiras Residentes em Saúde da Família. As atividades teórico-práticas desenvolvidas ocorreram no período entre agosto e outubro de 2021 e incluíram: palestras, oficinas e rodas de conversas com temas mais importantes sobre o Aleitamento Materno Exclusivo. Foram utilizados materiais de apoio como: cartazes, recursos audiovisuais, peças anatômicas de seios frascos de armazenamento de leite, entre outros. A cartilha foi intitulada “Cartilha de Amamentação” com o propósito de disseminar informações e condutas adequadas sobre amamentação a comunidade e aos profissionais. Seu conteúdo espelha os conhecimentos abordados durante as oficinas. Tais como: Passos para um aleitamento materno adequado Ordenha do leite Materno Principais problemas na amamentação Amamentação e Covid-19. A cartilha encontra-se em processo de validação.
A partir da realização das qualificações pode-se observar que apesar do acesso mais fácil a informação, alguns mitos e tabus sobre aleitamento materno continuam fortes entre grande parte dos profissionais de saúde participantes, principalmente entre os Agentes Comunitários de Saúde. As discussões voltadas sobre a temática e importância de um sincronismo entre a equipe serviram de subsidio para a criação de uma cartilha sobre aleitamento materno, tendo em seu conteúdo as principais dúvidas e informações levantadas durante as oficinas, para suporte e guia dos profissionais que compõem as equipes da estratégia saúde da família do município. O material utilizado no projeto foi disponibilizado em forma virtual para o livre acesso dos profissionais e seu compartilhamento com a comunidade. Segundo dados do e-sus (2022), houve um aumento de 4% nas taxas de crianças em aleitamento materno exclusivo no município, após a realização das oficinas em comparação ao percentual dos meses anterior ao projeto.
Fica claro, portanto a importância do projeto para a quebra de paradigmas sobre aleitamento materno e para o estabelecimento de uma assistência qualificada sobre o tema. Transformando o modo de ver e vivenciar a amamentação no município. Tendo em vista os aspectos observados conclui-se que se faz necessário o investimento em informação qualificada para todos os profissionais que compõem a unidade básica de saúde, desde o recepcionista até o agente comunitário de saúde, este que está mais próximo do território. Quando todos falam a mesma língua e compartilham conhecimentos em sintonia, respaldados e coerentes, a comunidade começa a colher os frutos desse investimento.