Autor(a)
MILTON COUTO BEM
Coautor(es)
CRISTIANO TAVARES BESSA
JOSETE MALHEIRO TAVARES
RAIMUNDO RIBEIRO LOPES NETO
VICENTE DE PAULO MONTEIRO VIEIRA
A anquiloglossia, ou língua presa, é uma anomalia na formação do freio da lingual que limita os movimentos e alterações na fala e deglutição. A modificação da inserção acontece da ponta da língua até o rebordo alveolar lingual e é visível já ao nascer, encontrada em ambos os sexos. Pode acontecer com a extensão menor ou freio curto, mais densa e espessa, muscular ou fibrosa. A anquiloglossia parcial é mais comum, sendo rara fusão da língua com o soalho da boca e dificulta a pronúncia de certas consoantes, ditongos, e outros movimentos da língua, como dificuldade de sucção no aleitamento e dor nos mamilos da mãe. O diagnóstico se dá pelo exame clínico ou teste da linguinha. Quando detectado, deve ser orientado o planejamento cirúrgico, um procedimento relativamente simples, porém por se tratar de bebês ou crianças menores, requer bons predicados profissionais no ato da execução. O procedimento cirúrgico consiste de aplicação de anestésico tópico, leve infiltração anestésica na região, uso de lâmina de bisturi nº 15 para o ato operatório e quando necessário, a sutura. O diagnóstico seguido da correção cirúrgica pode ser realizado em ambiente ambulatorial, portanto a equipe de saúde bucal da estratégia saúde da família pode estar apta a intervir adequadamente, como ocorre em Eusébio-CE, na UBS Jabuti-20, desde 2005, por demanda espontânea, por indicação dos dentistas das outras UBS, dos fonoaudiólogos e de pediatras da maternidade do município.
Descrever a atuação da equipe de saúde bucal na correção cirúrgica de anquiloglossia ou língua presa, no âmbito da atenção primária à saúde, desde 2005, no município de Eusébio-CE.
Estudo descritivo do tipo documental, considerando a correção cirúrgica na atenção básica é um evento pouco usual, realizado pela equipe de saúde bucal da Unidade Básica de Saúde de Jabuti-20, em Eusébio-CE, cujos relatos apontam para esta prática desde janeiro de 2005. A incidência de anqiologlossia é relativamente baixa e para o diagnóstico se utiliza o Protocolo de Avaliação do Frênulo da Língua para Bebês (“Teste da Linguinha”).] Foram utilizados dados secundários obtidos junto à UBS Jabuti-20, com anuência da Secretaria Municipal de Saúde, respeitados os princípios de eticidade e respeito a privacidade dos pacientes.
Os casos diagnosticados de aquiloglossia no âmbito da rede SUS sob gestão municipal de Eusébio-CE são encaminhados à equipe de saúde bucal da UBS Jabuti-20, que avalia o paciente, planeja e executa a intervenção cirúrgica, em comum acordo com os pais ou responsáveis da criança ou adolescente. O mais usual é atender bebês, porém também há casos de adolescentes e de modo mais raro, pacientes adultos com indicação cirúrgica. O procedimento é realizado em ambiente ambulatorial, e logo após executado o paciente é liberado, sendo orientado a retornar após cinco dias para revisão. A articulação das palavras, o transporte de alimentos, a amamentação e a deglutição, a posição dos dentes nos arcos dentários, em parte ou no todo são influenciados pelos movimentos da língua. Quando se tem um freio lingual muito curto prejudica a amplitude dos movimentos da língua e a execução das suas funções. A correção cirúrgica tem relevância clínica e social, restaura a amplitude destes movimentos, permitindo melhor funcionalidade lingual, inclusive de fala, aliado ao atendimento fonoaudiológico, quando necessário.
No exame de rotina do freio lingual, ao se perceber anomalias de inserção, sobretudo no período de aleitamento materno, deve-se indicar a correção cirúrgica, de modo a restabelecer as funções de deglutição, os movimentos da língua, a fala e a articulação das palavras. A cirurgia do freio lingual devolve estas funções da língua ao sistema estomatognático do paciente. Em Eusébio essa prática é realizada desde 2005, no âmbito da atenção básica à saúde, pela equipe de saúde bucal da Unidade Básica de Saúde Jabuti-20, podendo ser considerada uma prática de alta relevância para o Sistema Único de Saúde, podendo ser aplicada em qualquer serviço de saúde bucal, como cuidados primários, desde que a equipe seja adequadamente treinada a executá-la.