Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Emília Maria Aerre Ferreira
Coautor(es)
Rayana Feitosa Nascimento
Ana Lucia Sousa Mesquita
Francisca tarciana Leite Diniz
Francisca Hilda Linhares
A Promoção da Saúde constitui eixo estruturante da Atenção Primária à Saúde (APS), especialmente quando orientada pelo território e pelas necessidades concretas da população adscrita. Em Maracanaú, a prática cotidiana na APS evidenciou a presença de mulheres em situação de vulnerabilidade social, marcadas pela sobrecarga de responsabilidades domésticas, fragilidades emocionais, baixa rede de apoio e acesso limitado a espaços de escuta qualificada e cuidado integral. Nesse contexto, duas Agentes Comunitárias de Saúde (ACS) da Unidade de Saúde da Família Francisca Fátima, a partir de sua inserção territorial e do vínculo consolidado com as famílias, identificaram a necessidade de construção de estratégia coletiva voltada à promoção da saúde das mulheres. Diante dessa realidade, idealizaram e implantaram um grupo comunitário com o objetivo de promover a saúde integral das mulheres do território adscrito, com ênfase no cuidado emocional, na prevenção de agravos e no fortalecimento do vínculo entre comunidade e equipe de saúde. A iniciativa fundamenta-se na educação em saúde, no cuidado compartilhado e na valorização do protagonismo feminino, por meio de encontros grupais que favorecem escuta, acolhimento, troca de experiências e fortalecimento de redes de apoio. Alinhada aos princípios do SUS, a estratégia reafirma a APS como espaço privilegiado para ações comunitárias voltadas à integralidade, equidade e promoção da autonomia no território.
OBJETIVO GERAL Promover a saúde integral das mulheres do território adscrito à USF Francisca Fátima, por meio da implementação de grupos comunitários conduzidos por ACS, com ênfase no cuidado emocional, na prevenção de agravos, no fortalecimento do protagonismo feminino e na consolidação do vínculo entre comunidade e equipe da Atenção Primária à Saúde. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Proporcionar espaço sistematizado de escuta qualificada, acolhimento e troca de experiências entre as mulheres do território. Desenvolver ações de educação em saúde voltadas à promoção do bem-estar emocional e à prevenção de agravos prevalentes na população feminina. Fortalecer redes de apoio comunitário, estimulando autonomia e corresponsabilização no cuidado à saúde. Ampliar o vínculo entre usuárias e equipe da Estratégia Saúde da Família, qualificando o acesso e a longitudinalidade do cuidado. Identificar precocemente situações de vulnerabilidade psicossocial, favorecendo encaminhamentos oportunos e acompanhamento compartilhado pela equipe multiprofissional.
Trata-se de um relato de experiência, de abordagem qualitativa e descritiva, desenvolvido no âmbito da Atenção Primária à Saúde do município de Maracanaú – CE. A experiência é conduzida por duas Agentes Comunitárias de Saúde e envolve a participação de 38 mulheres, organizadas em três grupos territoriais, de acordo com a área de abrangência: Rua José Fortino, Rua Pedro Lourenço e Travessa Oscar Ferreira de Brito. Os encontros ocorrem mensalmente, no período da tarde, em espaços comunitários cedidos pelas próprias participantes, como quintais e garagens das residências, favorecendo a acessibilidade, o vínculo e o sentimento de pertencimento ao grupo. As atividades desenvolvidas incluem acolhimento, rodas de conversa, escuta qualificada, dinâmicas educativas, bingos temáticos e a abordagem de temáticas em saúde conforme orientações da Secretaria Municipal de Saúde. Durante os encontros, também é realizada busca ativa para ações de promoção e prevenção, orientações sobre os serviços ofertados pela Unidade Básica de Saúde e encaminhamentos quando identificadas necessidades específicas. O planejamento das ações é realizado previamente pelas Agentes Comunitárias de Saúde, em diálogo permanente, garantindo organização, continuidade das atividades e adequação às demandas emergentes do território.
Os grupos de mulheres consolidaram-se como espaços comunitários seguros de acolhimento, escuta qualificada e troca de experiências, possibilitando às participantes a expressão de sentimentos, emoções e vivências relacionadas ao cotidiano, à sobrecarga de responsabilidades e às fragilidades emocionais. A criação desses espaços favoreceu o fortalecimento do cuidado em saúde mental no território, ampliando o acesso às estratégias não medicamentosas de promoção da saúde. Observou-se fortalecimento significativo do vínculo entre as mulheres participantes e as Agentes Comunitárias de Saúde, refletindo-se em maior confiança, participação ativa nos encontros e ampliação da adesão às ações de promoção e prevenção em saúde. Os encontros possibilitaram a identificação precoce de vulnerabilidades sociais, emocionais e de saúde, permitindo orientações oportunas e encaminhamentos adequados à Unidade Básica de Saúde. Destaca-se o impacto positivo das ações voltadas ao cuidado emocional, especialmente durante o Janeiro branco, quando emergiram relatos espontâneos relacionados à saúde mental, sofrimento psíquico e estratégias de enfrentamento, evidenciando a relevância do grupo como espaço de apoio e fortalecimento emocional. A experiência também impulsionou o empoderamento das mulheres, que passaram a reconhecer o grupo como espaço de pertencimento e apoio mútuo, estimulando a participação contínua e a adesão espontânea de novas integrantes. Além disso, foram fortalecidas parcerias comunitárias locais, contribuindo para a sustentabilidade das ações e reforçando a integração entre saúde e território.
A experiência dos Grupos de Mulheres desenvolvida no município de Maracanaú evidencia que ações territorializadas, de baixo custo e fundamentadas no acolhimento, na escuta qualificada e no vínculo comunitário produzem impactos significativos na promoção da saúde e no cuidado integral das mulheres. A iniciativa demonstrou-se eficaz na ampliação do acesso a espaços de cuidado emocional, no fortalecimento da saúde mental e na identificação precoce de vulnerabilidades sociais e de saúde no território. Destaca-se que os grupos estão em funcionamento de forma contínua desde o ano de 2022, o que reforça sua sustentabilidade, aceitação comunitária e consolidação como estratégia permanente de cuidado na Atenção Primária à Saúde. O protagonismo das Agentes Comunitárias de Saúde reafirma seu papel estratégico na APS, especialmente pela capacidade de articular saberes técnicos e populares, construir relações de confiança e desenvolver práticas humanizadas e resolutivas, alinhadas aos princípios do Sistema Único de Saúde. Trata-se de uma experiência exitosa, sustentável e com elevado potencial de replicabilidade em outros territórios, contribuindo para o fortalecimento da APS, a valorização do trabalho do ACS e a consolidação de estratégias comunitárias de promoção da saúde.