Autor(a)
MARIA JOSIANE COSTA ARAGAO
Coautor(es)
Josildo Pessoa dos Santos
Juliana Mesquita Landim
Rayana Feitosa Nascimento
Mariana Vale Francelino Sampaio
Francisca Michele Paulino da Silva
A hanseníase é uma doença infecto-contagiosa de evolução lenta, com manifestações dermatoneurológicas, como lesões na pele e nos nervos periféricos, especialmente nas mãos, pés e olhos. O comprometimento dos nervos periféricos é a característica principal da doença, o que pode resultar em incapacidades físicas. Por ser multifatorial, a hanseníase exige uma abordagem integrada para seu enfrentamento. Em Maracanaú, foi implantado o ambulatório de hanseníase em 5 de agosto de 2024, com foco no atendimento de casos novos e de difícil diagnóstico, sequelas, recidivas, reações hansênicas e crianças. Os pacientes devem procurar inicialmente a unidade de saúde mais próxima de sua residência e, quando necessário, são encaminhados para o ambulatório. O serviço conta com atendimento exclusivo de um médico especializado e uma fisioterapeuta, que realiza reabilitação fisioterápica e confecção de órteses, além de fornecer suporte na prevenção de incapacidades (PI). O ambulatório também conta com um grupo de autocuidado e consultas médicas e de matriciamento, onde o profissional da unidade acompanha o paciente, com foco na atenção integral.
Garantir atendimento integral e especializado para pacientes com hanseníase no ambulatório de Maracanaú. Específicos: - Facilitar o acesso dos pacientes a diagnósticos e tratamentos adequados. - Oferecer acompanhamento de casos complexos por meio de matriciamento. - Realizar atendimento exclusivo com médicos e fisioterapeutas especializados. - Fornecer suporte fisioterápico e confecção de órteses, contribuindo para a prevenção de incapacidades. - Implementar as ações do grupo de autocuidado para promover adesão ao tratamento. - Humanizar o atendimento, levando em conta as necessidades clínicas, psicológicas e sociais dos pacientes.
A implantação do Ambulatório de Hanseníase em Maracanaú seguiu um modelo integrado de cuidado, com o objetivo de oferecer atendimento especializado e contínuo aos pacientes. Em reuniões entre a gerência do programa municipal de hanseníase e os profissionais do ambulatório, foram estudados e formalizados critérios de encaminhamento do paciente e repassado para as equipes de saúde por meio de circular interna, direcionando pacientes para o ambulatório de acordo com a gravidade e a complexidade dos casos. As consultas de matriciamento foram organizadas para garantir a presença simultânea do médico especializado e do fisioterapeuta, oferecendo uma abordagem mais completa. A interação com as unidades de saúde locais também assegurou um acompanhamento eficaz dos pacientes, com avaliações periódicas e suporte contínuo. Além disso, a aplicação de critérios estabelecidos para encaminhamentos permitiu o atendimento de casos com dificuldades diagnósticas, favorecendo um tratamento individualizado e adequado às necessidades de cada paciente.
Desde a implantação até janeiro de 2025, foram realizados 214 atendimentos médicos, 556 sessões de reabilitação fisioterápica e 118 consultas de matriciamento no ambulatório de hanseníase. Os atendimentos no ambulatório totalizaram 332 consultas e matriciamentos, além de 97 atendimentos por quadros clínicos reacionais do tipo I (reação reversa) e tipo II (eritema nodoso hansênico). No período, foram diagnosticados 28 novos casos de hanseníase e realizadas 11 assessorias técnicas e capacitações para médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde da equipe de saúde da família e fisioterapeutas das equipes eMulti. Além disso, houve foco na prevenção e no tratamento das incapacidades físicas dos pacientes por meio da reabilitação fisioterápica. Foram confeccionadas seis órteses para auxiliar na reabilitação e adaptação das atividades de vida diária dos pacientes com sequelas hansênicas.
O ambulatório de hanseníase de Maracanaú tem se mostrado uma estrutura eficaz e essencial para o manejo da doença no município. A implementação do matriciamento, a presença de profissionais especializados e a oferta de fisioterapia e órteses têm contribuído para o controle e tratamento adequado dos casos. O atendimento integral e humanizado, com a inclusão de um grupo de autocuidado, tem permitido que os pacientes se sintam apoiados e motivados a seguir o tratamento. A estratégia de encaminhamento e acompanhamento tem melhorado a qualidade de vida dos pacientes e reduzido as incapacidades, comprovando a importância da abordagem integrada no controle da hanseníase.