Autor(a)
Andressa Lima Maciel
Coautor(es)
Maria Luciana de Almeida Lima
Perácio Bessa Madeira
Klesia Willma Rodrigues Pereira
Bruna Carneiro de Lima
Arielly Kellyanny de Sousa Batista
O município de Morada Nova – CE está a 162 quilômetros distantes da capital Fortaleza, mais especificamente na Mesorregião Jaguaribana, na Microrregião do Vale do Jaguaribe. O Centro Especializado em Reabilitação e Atendimento Multiprofissional (CERAM) corresponde a um equipamento municipal de saúde de Morada Nova, fazendo parte da atenção secundária, atuando de forma humanizada na recuperação, autonomia, independência física, funcional, nutricional e/ou mental dos usuários advindos da Atenção Primária a Saúde (APS) e/ou Hospitais de referência. Como parte da demanda, temos crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e em investigação que utilizam o atendimento da equipe multiprofissional. Ao longo desses atendimentos foi identificada a necessidade dos pais e/ou responsáveis simultaneamente serem assistidos mediante uma linha de cuidado através de grupos de apoio, com encontros mensais, buscando fortalecer as famílias desses indivíduos. Desta forma, elaboramos um projeto piloto com a criação de grupos com encontros mensais, que contou com o suporte multiprofissional de Assistentes Sociais, Psicólogas, Nutricionistas, Fonoaudióloga e Terapeuta Ocupacional, sendo estes encontros uma forma de acompanhamento, socialização e fortalecimento de vínculos entre a demanda de familiares das pessoas com TEA atendidas no CERAM.
Descrever a experiência do Centro Especializado em Reabilitação e Atendimento Multiprofissional de Morada Nova (CERAM) no que diz respeito ao suporte realizado através de grupo multiprofissional junto aos pais e/ou responsáveis das crianças e adolescentes com TEA.
Estudo descritivo, do tipo relato de experiência, realizado através da execução de projeto piloto voltado aos familiares de pacientes com TEA. As informações contidas nos resultados deste trabalho são relativas aos encontros realizados nos grupos durante o período de abril a agosto de 2022. No primeiro encontro a equipe multiprofissional que atende as pessoas com TEA no CERAM expôs o termo de compromisso, os fluxos, o projeto, assim como foi aberto espaço para tirada de dúvidas acerca do tratamento multiprofissional. No segundo mês as famílias foram orientadas acerca dos direitos garantidos pelas legislações vigentes que amparam os pacientes com TEA, sendo este serviço ofertado por Assistentes Sociais que abordaram os direitos relacionados à saúde, educação, esporte, lazer e questões previdenciárias, momento este de grande aprendizado e envolvimento entre os participantes. No terceiro mês houve a exposição sobre Educação Parental, onde os pais e responsáveis foram sensibilizados acerca da necessidade de fortalecer e estimular a autonomia dos filhos, para que estes se tornem protagonistas de suas histórias. No quarto mês foi ofertada uma oficina ministrada pela Nutricionista que abordou a seletividade alimentar das pessoas com TEA. No quinto encontro foi preparada uma sala de cuidado pelas Psicólogas, onde foi enorme a entrega dos participantes. Posteriormente realizamos a avaliação com todos os participantes onde eles parabenizaram os encontros e os temas abordados.
Mediante avaliação, pudemos visualizar a importância da realização deste projeto, sendo o mesmo reconhecido na esfera legislativa na Câmara Municipal por um dos pais participantes e vereador da plenária. Houve também a solicitação dos pais para que realizássemos capacitações para os profissionais das escolas municipais com o tema TEA, demanda esta que resultou em encaminhamento institucional junto a Secretaria Municipal de Educação. Foram disponibilizadas receitas nutricionais voltadas à alimentação desse público e discutido através de roda de conversa acerca das dificuldades existentes no dia a dia dessas famílias. Desta forma, a procura para a participação no projeto cresceu de tal forma que vimos à necessidade de ampliar o público alvo do grupo para além dos pacientes com TEA, estando incluso no próximo projeto também as famílias das crianças e adolescentes que possuem síndromes e atrasos neuropsicomotores.
Sabemos que se faz urgente o trabalho multiprofissional junto às famílias das pessoas com TEA, pois corresponde a uma demanda que vem crescendo consideravelmente, demandando atenção, assistência e resposta efetiva dos diversos atores sociais, institucionais e poder público. Precisamos unir forças para desmistificar os preconceitos, padrões e linguagens pejorativas, assim como superar as limitações ainda existentes na vida das pessoas que possuem o Transtorno do Espectro Autista.