Autor(a)
Josete Malheiro Tavares
Coautor(es)
Ednaiane Priscila de Andrade Amorim
Rayane Almeida Ribeiro
Camilla Vasconcelos Moura
Karina Santos Teixeira Lopes
Raimundo Ribeiro Lopes Neto
Com os trabalhos iniciados em janeiro/2022, o CER Eusébio atende mães em busca de diagnóstico e tratamento de seus filhos de 0 a 03 anos de idade, mom a implementação de novas práticas de integralidade do cuidado, considerando a importância dos responsáveis que estão no cotidiano da criança, sendo fundamentais nos papéis ocupacionais da criança: atividades de vida diária, brincadeiras e participação social. A partir de então, todo o fluxo de cuidado dos responsáveis e das crianças passou a ser realizado no centro especializado de reabilitação (CER), que garante atendimento integral dos responsáveis e da criança por uma equipe multidisciplinar, com o diferencial do suporte e treinamento parental de forma simultânea (enquanto a criança está em atendimento, o cuidador está em treinamento ou assistência). De janeiro a dezembro de 2022, com essa nova prática de estimulação precoce (0 a 03 anos), 106 crianças com atraso no desenvolvimento neuro-psicomotor e suas famílias foram beneficiadas.
O objetivo é promover o desenvolvimento infantil integral, tornando a família instrumento efetivo nesse processo, fortalecendo vínculo familiar e equipe, ampliando também a rede de apoio.
A prática inovadora começa com o acolhimento das mães ou cuidadores que chegam através da UBS e são recebidas no CER pela enfermagem, serviço social, assistência médica generalista que oferecem assistência de acordo com a necessidade de cada paciente e família. As crianças seguem para avaliação com neuropediatra e em sequência, são acolhidas pela equipe da estimulação precoce que é composta por fisioterapeuta, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional, enquanto os pais são cuidados e treinados por psicólogo e toda equipe envolvida. Quando necessário também são assistidos pela farmacêutica. A solução de incluir a família no processo para as crianças terem maior tempo de exposição ao estímulo adequado com treinamento oferecido de forma simultânea à intervenção profissional. Os pais são cuidados e recebem o preparo para receber o diagnóstico, espaço para esclarecimento e acolhimento para aceitação, além de motivação para explorar as potencialidades das crianças, envolvendo os no tratamento bem como realizando mediação no contexto escolar favorecendo o processo inclusivo, que são facilitados por estarem mães e crianças ao mesmo tempo em cuidado profissional, fortalecendo o vínculo familiar com a criança no cuidado parental reduzindo a necessidade de utilização de outros equipamentos para fazer trabalho preventivo e integral. A estimulação precoce é feita de 1 a 2 vezes por semana das crianças, com fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e fisioterapia.
Foram beneficiadas 106 crianças, todas acompanhadas pela neuropediatra, assistente social e enfermeira. O serviço social analisa o perfil social familiar, sendo orientado quanto à documentação e autorização do serviço, esclarecendo dúvidas sobre os possíveis benefícios. Na enfermagem há o acolhimento, com triagem sobre todo histórico do paciente, esclarecimento o fluxo interno do serviço. Na clínica médica o processo de cuidado às mães e crianças concentra atenção nas comorbidades que porventura existam, assim o resgate do autocuidado das mães que dedicam grande parcela do seu tempo dedicado às crianças. Na farmácia são atendidas 5 crianças, por ser de faixa etária precoce, houve pouca demanda dentre as crianças assistidas no período do estudo. Das 106 crianças incluídas, 40 já receberam alta da estimulação precoce, 30 receberam diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) seguindo em atendimento pela Unidade Especializada de Pessoa com Autismo (UEPA) que está inserida ao CER e outras 10 receberam alta do serviço por atingirem os marcos do desenvolvimento. Resultados qualitativos: otimização de tempo de terapia pela evolução no desempenho das criança, diminuição de ansiedade dos familiares, esclarecimento em relação ao contexto vivido, aumento do vínculo familiar com os profissionais possibilitando troca de experiências e saberes e reconhecimento familiar diante das potencialidades das crianças promovendo melhor desempenho dos papéis ocupacionais.
A prática apresentada pode ser considerada exitosa, pois demanda baixa tecnologia do cuidado e custo, podendo ser replicado em outros Centros Especializados de Reabilitação (CER), pois impacta positivamente na saúde materno infantil, na promoção e melhoria da qualidade de vida, promovendo uma integração sistêmica de ações e serviços de saúde com provisão de atenção contínua, integral, de qualidade, responsável e humanizada, potencializando a utilização do sistema em termos de acesso, equidade e eficácia clínica e econômica melhora a comunicação e rapidez de acesso aos cuidados necessários otimiza o tempo de terapia pela evolução no desempenho das criança na terapia, diminuição de ansiedade dos familiares, esclarecimento em relação ao contexto vivido, aumento do vínculo familiar com os profissionais possibilitando troca de experiências e saberes e reconhecimento familiar diante das potencialidades das crianças promovendo melhor desempenho dos papéis ocupacionais