Tema: GESTÃO DO TRABALHO E DA EDUCAÇÃO NA SAÚDE
Autor(a)
DRIELY DANDARY SOARES MENDES
Coautor(es)
ANA MARIA DE OLIVEIRA AQUINO NETA
MARIA DAS CANDEIAS REGIS SALDANHA
BRENDA ALMEIDA DANTAS
GEOVAN DE SOUSA NEGREIROS
O adoecimento de profissionais de saúde no Brasil é preocupante, mostrando altas taxas de transtornos mentais e multimorbidades. Esse cenário pode ser visualizado, segundo Trindade et al, 2010, diante dos índices de ansiedade ,cerca de 48-86%, , depressão (26-55%) e síndrome de burnout, atingindo cerca de 60% dos médicos. Entre as causas, temos a sobrecarga de tarefas devido a metas altas, falta de recursos, pressão por produtividade e a exposição constante ao sofrimento humano, o que gera um desgaste emocional contínuo. Além disso, fatores físicos decorrentes do trabalho, como a dificuldade de descanso e a privação de sono, são fatores que contribuem para o burnout, caracterizado pela exaustão emocional, baixa realização profissional e despersonalização. É uma problemática séria, visto que a maior parte da carga horária diária está no horário de trabalho. Além disso, são os profissionais que cuidam da população que estão adoecidos. Dessa forma, diante do prejuízo da qualidade de vida desses profissionais, não é possível garantir a qualidade nos atendimentos para a sociedade. Diante desse panorama, o município de Jaguaribara implementou, em 2026, a utilização da auriculoterapia para promover a saúde holística nesses funcionários que cuidam das pessoas. É uma prática que tem como objetivo olhar de forma integral para esse trabalhador, realizando a sua escuta, acolhendo suas queixas e aplicando a prática integrativa. Essa estratégia foi escolhida devido aos resultados positivos da auriculoterapia no manejo da ansiedade e dor, utilizando recursos já disponíveis na rede. Denota-se a relevância do tema quando visualizamos a nossa Política Nacional de Atenção Básica, que cita a saúde do trabalhador como um dos eixos desse modo, esse projeto tem como finalidade humanizar o trabalho, conforme previsto nas diretrizes de valorização dos profissionais do SUS.
GERAL Evidenciar o serviço de auriculoterapia como ferramenta de cuidado à saúde mental e física dos trabalhadores da saúde. Específicos •Mostrar como a implementação de auriculoterapia para os profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBS), pode ser utilizada no manejo de sintomas como estresse, ansiedade e dores osteomusculares •Avaliar o impacto da intervenção através do relato dos profissionais atendidos, observando a percepção de melhora na qualidade de vida e no clima organizacional •Evidenciar como a promoção de ações integrais aos profissionais de saúde pode melhorar as queixas de saúde através da auriculoterapia.
O projeto foi implementado inicialmente na atenção primária para todos os profissionais de saúde que tivessem interesse. A ordem de início dos atendimentos foi realizada através do preenchimento de um formulário online, no qual deveriam fornecer dados como nome e a principal queixa que desejavam tratar. Como forma de manter o sigilo, somente a farmacêutica da equipe multiprofissional (e-Multi) possuía acesso às respostas dos formulários. O profissional farmacêutico foi escolhido devido à prática em grupos operativos e devido à capacitação e regulamentação pela Resolução do Conselho Federal de Farmácia (CFF) nº 733/2022, possuindo respaldo legal e técnico para aplicar a auriculoterapia como estratégia de suporte à equipe. Os atendimentos foram iniciados com os dez primeiros inscritos, com oito sessões semanais em horários agendados. Após o atendimento desses profissionais, os dez próximos funcionários são convidados para iniciar o tratamento, e assim por diante. Caso o profissional não tenha disponibilidade para iniciar o tratamento quando convidado, o mesmo é mantido para períodos subsequentes. O procedimento iniciou-se com uma anamnese breve, mapeamentos específicos e uso de sementes de mostarda, como preconizado pelos manuais de cursos de capacitação oferecidos pelo Ministério da Saúde. Os dados de cada sessão são registrados em prontuário eletrônico. Além disso, como os transtornos mentais são os principais índices causadores de adoecimento na saúde do trabalhador, foi utilizada a Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão (HAD) para identificar o nível de sofrimento psíquico antes e após as sessões. A escala não tem o propósito de diagnóstico, utilizada apenas para diferenciar se o profissional de saúde que está sentindo apenas um estresse passageiro ou se já existem sintomas clínicos de ansiedade e depressão. No trabalho, ela foi utilizada como indicador de resultados, permitindo mensurar de forma quantitativa a redução do sofrimento psíquico.
O projeto teve 40 inscrições inicialmente, promovendo a elaboração de atividades para os meses seguintes. Foram realizados atendimentos com profissionais de diversos setores, incluindo agente comunitário de saúde, enfermagem, odontologia e gestão, evidenciando a capilaridade da e-Multi no suporte às equipes. No primeiro grupo que iniciou o tratamento, cerca de 50% possuíam de 1 a 2 anos de tempo de função e os demais, mais de 3 anos. Ao serem questionados sobre a quantidade de horas de sono dormidas por dia, 60% dormiam menos de 8 horas 80% possuíam postura predominante sentada durante o trabalho e, entre os sintomas mais frequentes diariamente, 70% relataram ansiedade e dor lombar. Em relação às contraindicações, 100% do primeiro grupo não apresentou impedimentos. As principais queixas identificadas foram ansiedade (25%), cefaleia (15%) e dores osteomusculares, como lombalgia e dor nos ombros (15%). A aplicação da Escala HAD permitiu uma monitorização quantitativa rigorosa. Os dados registrados no prontuário eletrônico, revelam uma redução drástica nos escores de sofrimento psíquico. Em casos emblemáticos, profissionais que iniciaram o tratamento com níveis elevados (ex: Ansiedade=12, Depressão=6) atingiram a remissão total de sintomas (A=0, D=0) após o ciclo de sessões. Profissionais relataram a cessação de sintomas físicos, como taquicardia e a sensação de "cabeça balão". Crises que antes eram diárias passaram a ocorrer de forma esporádica ou cessaram completamente. Pacientes que antes se referia a dor com numeração 9 , em uma escala de 1 a 10, passou a se referir a nota. Houve melhora no padrão de sono e suporte importante para profissionais que já faziam uso de medicação contínua, potencializando o bem-estar sem necessidade de aumento de dosagens químicas.
A inserção da auriculoterapia promoveu não apenas o alívio de sintomas isolados, mas qualidade de vida antes mascarada pela jornada de trabalho. Resultados visíveis diante dos dados qualitativos: pacientes que não conseguiam dormir voltaram a dormir a noite de forma integral coordenadores com pensamentos acelerados relataram conseguir processar melhor as informações. Profissionais com acompanhamento psiquiátrico e em uso de benzodiazepínicos reduziram a frequência das crises de ansiedade. Casos de cefaleia e dores osteomusculares por digitação também apresentaram redução importante de desconforto. Estes são dados que vão além dos números é poder promover bem-estar para aqueles que cuidam diariamente do outro, humanizando o ambiente de trabalho e reafirmando o compromisso de Jaguaribara com a política de "cuidar de quem cuida