Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
DANIELLE LEITE GONDIM DE CASTRO
Coautor(es)
Na Atenção Primária à Saúde (APS), o cuidado às pessoas com feridas muitas vezes é dificultado pela limitação de mobilidade dos pacientes, principalmente idosos e pessoas com doenças crônicas. As complicações decorrentes de feridas crônicas, especialmente em pessoas com diabetes, estão entre as principais causas de amputações evitáveis no Brasil, e por isso, representam importante desafio para os serviços de saúde, exigindo acompanhamento contínuo e cuidado adequado para evitar complicações, infecções e hospitalizações. A pele é a maior estrutura funcional do corpo humano. Essa estrutura é composta de outras pequenas estruturas e anexos (glândulas, pelos e unhas) arrumadas em 3 camadas (epiderme, derme e hipoderme). A ferida precisa compreender a avaliação das estruturas e camadas para ser classificada e cuidada. No município de Eusébio, observou-se que muitos pacientes com feridas apresentavam dificuldade de deslocamento até as Unidades Básicas de Saúde, o que comprometia a continuidade do tratamento e a qualidade do cuidado. Diante dessa realidade, foi implantada uma estratégia inovadora de realização de curativos no domicílio, com profissional capacitada e apoio logístico para deslocamento, garantindo acesso, continuidade do cuidado e maior resolutividade da Atenção Primária.
Garantir assistência qualificada e contínua às pessoas com feridas por meio da realização de curativos domiciliares, ampliando o acesso ao cuidado e fortalecendo a resolutividade da Atenção Primária à Saúde e contribuindo para a redução de complicações graves, como infecções e amputações evitáveis, especialmente em pacientes com complicações crônicas como diabetes.
A metodologia adotada baseia-se em um acompanhamento sistemático estruturado a partir de um fluxo assistencial definido, garantindo organização, continuidade e segurança no cuidado às pessoas com feridas. O processo inicia-se com a avaliação clínica realizada pelo enfermeiro da Unidade Básica de Saúde, que identifica a necessidade de curativo domiciliar e insere o paciente no fluxo de acompanhamento. A partir dessa avaliação, uma técnica de enfermagem capacitada passa a realizar os curativos diretamente no domicílio, utilizando motocicleta para facilitar o deslocamento entre os territórios e ampliar a cobertura do cuidado. O acompanhamento clínico permanece sob responsabilidade do enfermeiro da equipe de Saúde da Família, que monitora a evolução da ferida, ajusta condutas e orienta o tratamento conforme a necessidade. Essa organização do processo de trabalho permite otimizar o tempo das equipes, ampliar o acesso de pacientes com dificuldade de locomoção e garantir assistência contínua, qualificada e alinhada aos princípios da Atenção Primária.
A implementação da estratégia ampliou de forma significativa o acesso ao cuidado de pacientes com feridas, especialmente daqueles com limitações de mobilidade ou dificuldades de deslocamento até as Unidades Básicas de Saúde. Entre os principais resultados observados, destaca-se a expansão do cuidado domiciliar, garantindo maior continuidade do tratamento e reduzindo a necessidade de deslocamentos frequentes às unidades. A iniciativa também fortaleceu a resolutividade da Atenção Primária, ao permitir intervenções oportunas que preveniram o agravamento das lesões e contribuíram para a redução de amputações evitáveis, sobretudo nos casos relacionados ao pé diabético. Além disso, a organização do processo de trabalho das equipes foi aprimorada, favorecendo respostas mais rápidas, planejamento mais eficiente e maior segurança na condução do cuidado.
A realização de curativos domiciliares demonstrou ser uma estratégia eficaz para ampliar o acesso e qualificar o cuidado às pessoas com feridas no território. A organização do processo de trabalho, com avaliação do enfermeiro e execução do curativo por técnica de enfermagem capacitada, aliada ao deslocamento por motocicleta, permitiu maior agilidade no atendimento e ampliação da cobertura assistencial. A experiência reforça o papel da Atenção Primária como coordenadora do cuidado e demonstra que soluções simples e inovadoras podem melhorar significativamente a qualidade da assistência oferecida à população.