Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Cícera Munda Rodrigues
Coautor(es)
Janaina Cavalcante Gonçalves
Antonia Neuma de Souza
Cleiciane Rodrigues da Silva
Maria Ester munda de Oliveira.
Sulamita Maia Sena
Raimunda Munda Rodrigues
Maria Nailda Alves da Silva
Flaviana Munda Rodrigues
Mayara Soares de Oliveira
Durante o trabalho como Agente Comunitária de Saúde no 1º de Setembro, observou-se que muitas mulheres do campo permanecem restritas à rotina doméstica, vivenciando isolamento social, sedentarismo e sobrecarga emocional, enquanto os homens participam de atividades de lazer. Essa realidade aumenta estresse, ansiedade e desmotivação. Nas visitas domiciliares, as mulheres manifestaram interesse em retomar a dança do forró, resgatando vivências sociais e culturais historicamente presentes em suas trajetórias. Diante dessa demanda, estruturou-se o grupo “Da Cozinha para o Forró”, vinculado ao projeto municipal “Cuidar e Ser Cuidado”, integrando promoção da saúde, fortalecimento de vínculos comunitários e valorização da cultura nordestina. Iniciado em julho de 2024, no Sítio Lagoa do Genival, com encontros semanais de 80 minutos, e expandido para o Assentamento 7 de Setembro, o grupo atende mais de 47 mulheres, com parcerias de moradores, lideranças locais, UBS Santana e Sindicato Rural de Tauá. Destaca-se adesão de 100% das participantes. A proposta fundamenta-se na concepção ampliada de saúde, reconhecendo que o cuidado transcende o clínico, incorporando dimensões sociais, emocionais e culturais. As atividades incluem dança e dinâmicas para fortalecimento da autoestima, promovendo valorização pessoal e protagonismo feminino. As participantes relatam redução do estresse, aumento da disposição física e ampliação da convivência social. O grupo consolida-se como estratégia de promoção da saúde na Atenção Primária, estimulando autocuidado, protagonismo feminino e integração comunitária, demonstrando que práticas culturais, como o forró, são ferramentas efetivas de educação em saúde e fortalecimento dos princípios do SUS.
Objetivo Geral: Promover a saúde e o bem-estar de mulheres trabalhadoras do campo, por meio de práticas culturais e corporais, fortalecendo vínculos sociais, valorizando a cultura local e incentivando o autocuidado no contexto da Atenção Primária à Saúde. Objetivos Específicos: Proporcionar momentos de lazer e convivência comunitária Estimular a prática regular de atividade física por meio da dança Fortalecer vínculos sociais, familiares e comunitários Valorizar a cultura nordestina como estratégia de promoção da saúde Contribuir para a melhoria da saúde mental e emocional Incentivar o empoderamento feminino, a autoestima e o autocuidado Promover o protagonismo das mulheres no território Integrar ações de saúde do trabalhador às práticas comunitárias.
A iniciativa adota abordagem participativa, territorializada e centrada na concepção ampliada de saúde, estruturando-se como estratégia vinculada ao projeto municipal “Cuidar e Ser Cuidado”, no eixo da Saúde do Trabalhador na Atenção Primária à Saúde. A identificação da demanda ocorreu por meio de visitas domiciliares realizadas pela Agente Comunitária de Saúde, utilizando escuta qualificada das mulheres do campo, o que possibilitou reconhecer situações de isolamento social, sedentarismo e sofrimento emocional, além do desejo de retomar a prática do forró como expressão cultural e de convivência. O planejamento foi desenvolvido de forma coletiva, com participação ativa das mulheres, articulado com a Unidade Básica de Saúde Santana, Secretaria Municipal de Saúde, Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais e lideranças comunitárias. Os recursos necessários, como equipamentos de som e espaço físico, foram viabilizados por meio de parcerias locais, fortalecendo o protagonismo comunitário e a corresponsabilização. A execução consiste em encontros semanais, com duração de 80 minutos, contemplando atividades de dança (forró), rodas de conversa e dinâmicas voltadas ao fortalecimento da autoestima, valorização pessoal e promoção da saúde mental. A condução respeita as singularidades das participantes, considerando idade, condições físicas e ritmo individual, garantindo inclusão e segurança. O monitoramento ocorre por meio de registro sistemático de frequência, com adesão de 100% nos encontros de acompanhamento, além de busca ativa das participantes ausentes, assegurando continuidade e vínculo. A avaliação é contínua, baseada na observação dos efeitos sobre o bem-estar físico e emocional, relatos das participantes e fortalecimento das relações sociais, com utilização de rodas de avaliação periódicas e registro sistematizado das percepções das participantes. A metodologia integra promoção da saúde, cultura e inclusão social, consolidando-se como prática sustentável, de baixo custo e com elevado potencial de replicabilidade no âmbito do Sistema Único de Saúde.
O grupo atendeu 42 mulheres trabalhadoras do campo, promovendo redução do estresse, aumento da disposição física, fortalecimento da autoestima e ampliação da convivência social. A prática do forró consolidou-se como instrumento terapêutico, cultural e de promoção da saúde mental, fortalecendo o senso de pertencimento e o empoderamento feminino. Observou-se impacto positivo nas relações familiares, no engajamento comunitário e na valorização social das participantes, evidenciado por relatos de maior interação social e participação em atividades coletivas no território. A atuação das Agentes Comunitárias de Saúde constituiu o eixo central das atividades, sendo responsável pela mobilização das participantes, escuta qualificada e acompanhamento contínuo, fortalecendo o vínculo com a comunidade e ampliando o acesso às ações de promoção da saúde. O envolvimento do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, da Unidade Básica de Saúde e das lideranças locais consolidou parcerias institucionais, contribuindo para a sustentabilidade e fortalecimento das ações. As participantes relataram maior motivação para o autocuidado e maior adesão às práticas de saúde, evidenciando mudanças positivas no comportamento e na percepção de qualidade de vida. O grupo demonstra a efetividade da Atenção Primária à Saúde na promoção do bem-estar integral, ao integrar cultura, lazer e cuidado em saúde. O trabalho fortalece o eixo da Saúde do Trabalhador, evidenciando seu potencial como estratégia inovadora, resolutiva e replicável no âmbito do Sistema Único de Saúde.
A experiência “Da Cozinha para o Forró” evidencia que estratégias desenvolvidas no âmbito da Atenção Primária à Saúde, fundamentadas na escuta qualificada, na valorização cultural e na participação comunitária, são capazes de promover transformações significativas na saúde e na qualidade de vida de mulheres trabalhadoras do campo, considerando as condições e os determinantes sociais relacionados ao trabalho. A iniciativa demonstra que a integração entre cultura, lazer e cuidado em saúde contribui para a redução do sofrimento mental associado à sobrecarga do trabalho doméstico e rural, fortalecendo o autocuidado, a autoestima e o protagonismo feminino, além de ampliar vínculos sociais e comunitários. Destaca-se o papel central das Agentes Comunitárias de Saúde na identificação das necessidades, mobilização e acompanhamento das participantes no território. Apresenta elevada capacidade de replicabilidade e sustentabilidade, por utilizar recursos locais, baixo custo operacional e forte articulação intersetorial. Consolida-se, portanto, como estratégia exitosa no campo da Saúde do Trabalhador, fortalecendo práticas integradas no território e reafirmando os princípios da integralidade, equidade e participação social do Sistema Único de Saúde.