Tema: ATENÇÃO BÁSICA
Autor(a)
Martha Campos de Moura Fé
Coautor(es)
Marcia Rejane Sousa Oliveira
Yasmin Joyci Nogueira Regis
Darlene Silva Ribeiro de Freitas
Charlineide Januário Silva
Diandra Lara Araujo Vidal
Ana Luiza Pergentino
A Visita Domiciliar (VD) constitui-se como uma ferramenta primordial no processo de trabalho da Estratégia Saúde da Família (ESF), sendo o elo principal entre a comunidade e o serviço de saúde. No centro dessa dinâmica, está o Técnico de Agente Comunitário de Saúde (TACS), cujas atribuições envolvem a promoção da saúde e o fortalecimento do vínculo com as famílias em seus territórios. Entretanto, a prática cotidiana da VD enfrenta desafios que variam desde barreiras geográficas e sociais até a dificuldade em alinhar o acompanhamento das famílias às metas globais de saúde pública. No cenário atual, o programa Saúde Brasil 360º estabelece indicadores de desempenho que exigem do profissional não apenas a presença no domicílio, mas uma atuação qualificada e orientada por dados, que impacte diretamente na qualidade de vida da população e na efetividade e organização da gestão do seu tempo. Neste contexto, surge a necessidade de espaços de educação permanente que utilizem metodologias ativas para capacitar esses profissionais. A presente experiência relata a realização de um minicurso desenvolvido com as equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBS) Populares e Monsenhor Otávio de Limoeiro do Norte, Ceará.
OBJETIVO GERAL: Fortalecer o papel do Técnico de Agente Comunitário de Saúde na visita domiciliar 2.2 Objetivos específicos •Capacitar os profissionais na utilização de instrumentos de estratificação de risco familiar, segundo a Escala de Coelho e Savassi, para priorização das visitas •Implementar o Arco de Maguerez como ferramenta de educação permanente para identificação de problemas e proposição de soluções locais •Promover a integração e discussão de casos através da metodologia World Café •Relacionar a prática diária com os indicadores de desempenho do Saúde Brasil 360º, qualificando o registro e o acompanhamento de grupos prioritários •Estimular o vínculo e a escuta qualificada, reforçando a empatia e a valorização das crenças das famílias durante a abordagem domiciliar.
A intervenção caracteriza-se como um relato de experiência de um minicurso de 4 horas, fundamentado em metodologias ativas de ensino-aprendizagem. O evento ocorreu com duração de 4 horas e capacitou 23 profissionais, integrando TACS, residentes e gerentes das UBS em um processo de construção coletiva. A mediação foi realizada por uma equipe composta por enfermeiras residentes da Escola de Saúde Pública e uma enfermeira da assistência local. A intervenção estruturou-se em cinco momentos principais: Apresentação de material técnico (foi entregue um material impresso baseado nas publicações do Guia de bolso do ACS, Roteiro para Visita domiciliar dos TACS e Notas técnicas do Indicadores do Saúde Brasil 360º). Estratificação de risco através de estudos de caso reais do território Aplicação do Arco de Maguerez, percorrendo as etapas de observação da realidade. Pontos chave: teorização e hipóteses de solução para a construção de um roteiro de visita ideal, conforme o estudo de caso que foi estratificado na etapa anterior Utilizou também a técnica do worl café, que funciona como uma conversa em mesas temáticas. Cada grupo discutiu uma pergunta sobre visita domiciliar. Depois, os profissionais trocaram as mesas e levaram ideias para outro grupo, passando assim por todos os cenários problemas. Em cada etapa concluída, os participantes recebiam um selo adesivo de agradecimento. Avaliação e certificação, coletando o feedback dos participantes.
O minicurso possibilitou uma ressignificação da visita domiciliar (VD) para os TACS. Através da técnica do Arco de Maguerez. Os participantes identificaram que a VD muitas vezes era realizada de forma mecânica. A construção coletiva de um checklist prático permitiu que os agentes passassem a observar determinantes sociais de saúde mais profundos, como barreiras arquitetônicas e riscos de saneamento, além de sinais de alerta clínico (confusão mental, sonolência) que antes passavam despercebidos. No momento do World Café, a troca de experiências entre as diferentes microáreas revelou que os principais desafios eram as "casas fechadas" e a resistência de algumas famílias. A discussão em mesas permitiu a elaboração de estratégias conjuntas, como a flexibilização de horários e o uso de abordagens baseadas na escuta qualificada e na valorização das crenças locais, o que fortaleceu o vínculo e a confiança da comunidade no profissional. Quanto à gestão de dados, houve um avanço na compreensão da relação entre a VD e os indicadores do Saúde Brasil 360º. Os profissionais compreenderam que o acompanhamento sistemático de gestantes, hipertensos, diabéticos e a busca ativa vacinal não são apenas metas burocráticas, mas indicadores de uma assistência efetiva. A oficina resultou na implementação de uma rotina de visitas baseada na estratificação de risco, garantindo que as famílias de maior vulnerabilidade recebessem atenção prioritária. Por fim, a avaliação realizada indicou alto índice de satisfação, com os participantes destacando a importância de momentos de educação permanente que utilizam metodologias ativas, saindo do modelo de palestra passiva para uma construção protagonista da sua própria prática profissional.
A experiência demonstrou que o fortalecimento do TACS passa pela autonomia e pelo suporte teórico-prático. A integração entre ensino, serviço e gestão permitiu transformar a visita domiciliar em uma ação de saúde potente, capaz de identificar riscos precocemente e melhorar a cobertura dos indicadores do território, consolidando o papel do agente como peça fundamental da Atenção Primária.